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Alunos do Câmpus Lages têm oportunidade de criar projeto inovador no Reuni Experience

CÂMPUS LAGES Data de Publicação: 25 mai 2018 19:03 Data de Atualização: 30 mai 2018 14:41

O Câmpus Lages do IFSC, em parceria com o Orion Parque Tecnológico, promoveu entre 17 e 19 de maio o Reuni Experience. O objetivo do evento foi  incentivar o empreendedorismo e a inovação universitária, por meio de modelos de negócio criados por estudantes com base em uma ideia. Professores e consultores auxiliaram a construção do trabalho. Participaram alunos das graduações em Processos QuímicosCiência da Computação e Engenharia Mecânica e dos cursos técnicos em Biotecnologia e Eletromecânica.

Umas das palestras do primeiro dia do evento foi com Guilherme Lett, consultor de Inovação do Instituto Euvaldo Lodi (IEL-Fiesc), sobre demandas da indústria. “Muitas vezes as indústrias não têm a competência técnica para desenvolver os seu projetos, e elas vão buscar na comunidade acadêmica”, falou.

No início ele comentou sobre o Inova Talentos, um programa que busca inserir mais profissionais no mercado empresarial. No ano de 2017 mais de mil empresas de Santa Catarina solicitaram bolsistas através do programa e foram disponibilizadas mais de 2,1 mil. A função do IEL no programa é orientar os projetos, divulgar as vagas, selecionar os bolsistas e fazer o acompanhamento do plano de trabalho. “Se vocês têm um projeto extremamente inovador, que tem valor agregado, que faz a diferença para as indústrias e a sociedade, devem apresentar esses projetos e mostrar a solução encontrada”, disse.

Como identificar demandas?

Durante a palestra, Guilherme mostrou “caminhos” para os alunos identificarem as  demandas e trabalharem suas ideias. O Portal Setorial da Fiesc que disponibiliza as demandas da indústria, é um deles.  “Qualquer setor que vocês tenham interesse e queiram criar projetos para suprir alguma demanda, vocês encontram no portal. É possível analisar se de fato a ideia de vocês vai atender alguma demanda, ou se pelo menos está no caminho certo”, explicou.

Programa de Desenvolvimento Industrial Catarinense (PDIC 2022) é outra proposta. Com ele é possível identificar quem está faturando e desenvolvendo, quais os setores indutores do Estado e analisar as visões de futuro.

Outra dica de Guilherme é procurar os sindicatos patronais para expor os projetos aos representantes das empresas. O consultor explicou que os investidores querem saber se o investimento vale a pena e se vai gerar retorno. Um dos exemplos citados foi o Canvas, que serve para estruturar um modelo de negócio visando facilitar o entendimento do investidor. “Canvas é um modelo de negócio dinâmico, que visa o planejamento estratégico. Você vai desenvolver o que, como, para quem, quais recursos e quanto vai custar”, comentou.

A taxa interna de retorno (TIR) e o payback também representam grande importância na hora de elaborar um projeto. A TIR mostra a atratividade e a possibilidade de lucro do projeto e deve estar de acordo com o payback, que analisa o prazo de retorno do investimento. “O investidor quer uma taxa interna de retorno que seja atrativa ao ponto de ser superior ao que o mercado financeiro oferece. A taxa interna de retorno tem que ser maior que 15%”, concluiu Guilherme.

O palestrante deixou perguntas importantes na construção de um projeto: O projeto é orientado para o mercado? Foi feita a pesquisa de mercado? Atende qual demanda? O mercado no qual o projeto está inserido tá em expansão ou retraindo? Você troca ideias? Você desenvolveu um plano de projeto? Existe planejamento estratégico? Qual a missão do teu projeto? Quais as metas? Tem TIR e Payback? O projeto é atraente para o investidor? O valor agregado é percebido pela empresa ou pelo cliente que está consumindo o produto?

Durante o dia os alunos acompanharam outras palestras. A montagem de equipes e elaboração de projetos começou na quinta a noite e seguiu na sexta. No sábado aconteceram as premiações.

Ideia vencedora 

Foram formadas cinco equipes e os três primeiros colocados receberam um mês de mentoria no Orion. A ideia vencedora foi da equipe formada por Lucas dos Anjos Varela, Jeferson Gomes, Renan Nunes, Viviane da Silva e Alaíde Cristina de Bem Matos.

Renan contou que o grupo decidiu usar o tema de seu trabalho de conclusão de curso: “Otimização utilizando meta-heurísticas de redes neurais artificiais aplicadas à classificação de isoladores elétricos”. Segundo ele, nas redes de alta tensão, os postes têm um isolador elétrico, que está exposto às forças da natureza: chuva, granizo, poeira e outras. “Isso é um problema, porque eles acabam perdendo a propriedade de isolador, o que pode causar instabilidades na rede elétrica, além de ser perigoso para as pessoas”, disse.

Para classificar o isolador quanto ao estado físico - novo, sujo, quebrado e furado - é preciso identificar qual parte do equipamento está com problema. Um técnico usa o ultrassom para fazer a análise. “A análise é feita pelo ato de ouvir o ruído gerado pelo isolador, o que pode causar problemas, devido ruídos externos”, explicou.

A ideia é utilizar inteligência artificial e rede neural para fazer essa classificação e agilizar o processo diminuindo a classificação com erro.

A rede neural é um artifício da computação. “Você coloca dados nela, características de alguma coisa, e apresenta o resultado. Uma analogia para isso seria: um mais dois igual a três e dois mais um igual a três. Ela vai aprender que, sempre que as entradas forem o número um e dois, a resposta sempre vai ser três. E isso serve para qualquer coisa”, afirmou.

No processo, o ultrassom é ligado no computador, que usa o software para classificar o estado físico do isolador. “Quando o técnico não tem certeza, ele precisa retirar o isolador e levar pra um laboratório pra fazer a análise, e a inteligência artificial não vai ter esse problema porque ela vai ter muito mais características para ajudar na classificação, além de conseguir identificar ruídos e outros problemas na hora da análise”, finalizou. O software identifica o ruído e dá o resultado na hora para o especialista.

Por Débora Vargas | Estagiária de Jornalismo do IFSC

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