Intercâmbio em Portugal fortalece formação técnica e autonomia de estudante do IFSC

BLOG DOS INTERCAMBISTAS Data de Publicação: 04 ago 2026 16:15 Data de Atualização: 04 ago 2026 16:31

Julia Calza é estudante do curso técnico integrado em Alimentos do Câmpus Xanxerê e passou três meses participando de uma pesquisa no Instituto Politécnico de Beja (IPBEJA), em Portugal, pelo nosso programa de intercâmbio, o Propicie. Ela atuou no projeto “Lista de Variedades Recomendadas de Trigos”.

Leia seu relato abaixo sobre os últimos dias desta experiência:

Este intercâmbio me ensinou que viver não é apenas passar por lugares, mas também permitir-se ser transformada por eles. Quando cheguei a Beja, sabia que viveria algo importante para a minha formação acadêmica, mas não imaginava o quanto essa experiência também transformaria a forma como eu vejo o mundo e também a mim mesma. Mesmo ainda estando na fase final desta experiência, consigo perceber o impacto dela na minha vida. 

No âmbito acadêmico, tive a oportunidade de desenvolver diversas atividades nos laboratórios de Análise de Sementes e Matérias-Primas Vegetais da Escola Superior Agrária de Beja, no IPBeja, trabalhando com diferentes variedades de trigo e realizando diversas análises como determinação de cinzas, obtenção de glúten seco e úmido, determinação de umidade e proteína, vitreosidade dos grãos, índice de queda, peso específico, colorimetria, e entre outras. Também participei de palestras e dias de campo que ampliaram muito a minha compreensão sobre a agricultura e a produção em Portugal. Mais do que aprender novas técnicas e utilizar diferentes equipamentos, aprendi a compreender melhor os processos por trás de cada análise e a importância dos resultados obtidos. A cada prática fui ganhando mais autonomia, confiança e segurança para realizar as atividades laboratoriais, todos os dias melhorando e aperfeiçoando os conhecimentos adquiridos.

Mas este intercâmbio não foi feito apenas nos laboratórios, relatórios e resultados. Ele também foi feito de descobertas. Tiveram momentos que eu pensei: “Nossa, eu estou longe de casa mesmo!” Descobri que o mundo é muito maior do que eu imaginava, mas também percebi que ele não é tão distante quanto parecia. Tive a oportunidade de conhecer lugares que, até pouco tempo atrás, eu só via em filmes, fotos e vídeos. Roma, a capital da Itália, foi um dos lugares mais marcantes de toda essa jornada. Caminhar pela “cidade eterna” foi como estar dentro de um filme! Existe arte em todos os lugares, história em cada esquina, e uma sensação constante de admiração e contemplação. Ver o Coliseu, a Fontana di Trevi, o Panteão, o Fórum Romano e tantos outros monumentos que fizeram parte da história, livros e filmes foi algo difícil de colocar em palavras. Também conheci o Vaticano, e sem dúvidas, foi o lugar mais impressionante que eu já visitei. É uma grandiosidade difícil de descrever, admirar aquele lugar foi único. Depois de caminhar mais de 20 mil passos por dia pelas ruas de Roma e do Vaticano, eu voltava cansada, mas com a sensação de estar vivendo algo que jamais esquecerei. 

Passei por Madrid, e as correrias, os metrôs, as pessoas que conheci, e os momentos inesperados, acabaram se tornando algumas das melhores lembranças da viagem. Conheci o Algarve (Portimão e Faro), e suas paisagens pareciam ter saído direto de um cartão-postal, além de cidades extraordinárias como Porto e Lisboa, cada uma com sua própria identidade e beleza. Ao longo desses meses, vivi coisas que jamais vou esquecer. A primeira vez entrando no mar em Portimão e sendo surpreendida por uma água-viva... As conversas, os almoços e os jantares compartilhados com outros intercambistas brasileiros, as amizades construídas aqui em Beja, as trocas culturais com os portugueses, as novas palavras aprendidas quase diariamente, os momentos simples que, sem perceber, se tornaram memórias especiais, tudo isso foi um dos maiores presentes que este intercâmbio me proporcionou. Nem sempre são os grandes acontecimentos que nos transformam, muitas vezes são os detalhes: uma conversa, uma caminhada sem destino, uma refeição compartilhada, uma volta de bicicleta com sua amiga, um pôr do sol depois de um dia comum ou aquele instante em que você para e pensa: "eu estou realmente vivendo isso". 

Hoje, sinto que sou uma pessoa mais segura e mais confiante. Aprendi a lidar melhor com o desconhecido (mesmo com medo), a confiar mais em mim mesma e a compreender que crescer também significa aceitar desafios, mesmo quando eles parecem maiores
do que nós. Também aprendi que nem tudo precisa estar sob controle para dar certo e que muitas das melhores experiências acontecem justamente quando saímos dos planos e nos permitimos viver o inesperado.

Se eu pudesse deixar uma mensagem para os futuros intercambistas, seria simples: por favor, tentem. Nem sempre vocês vão se sentir prontos e nem sempre terão certeza de que conseguem. Eu tive medos, dúvidas, inseguranças, mas olhando para tudo o que vivi até aqui, as pessoas que conheci, as memórias que jamais esquecerei, os lugares que visitei e a pessoa que me tornei durante esse processo, só consigo pensar em uma única pergunta: e se eu não tivesse tentado? Talvez eu nunca descobrisse do que sou capaz.

Como ouvi certa vez em Grey’s Anatomy: "Se você tem disposição para correr o risco, a vista do outro lado é espetacular." Hoje, eu posso dizer que ela realmente é.

Intercâmbio no IFSC

Para mais informações sobre intercâmbio no IFSC, acesse a página de intercâmbio estudantil.

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