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Voltar Estudante do IFSC vivencia a rotina de um laboratório de solos em Portugal

Estudante do IFSC vivencia a rotina de um laboratório de solos em Portugal

BLOG DOS INTERCAMBISTAS Data de Publicação: 21 jul 2026 11:30 Data de Atualização: 21 jul 2026 11:34

Sidiane Carla Barth é estudante do curso técnico integrado em Agropecuária do Câmpus São Miguel do Oeste e passou três meses participando de uma pesquisa no Instituto Politécnico de Beja (IPBEJA), em Portugal, pelo nosso programa de intercâmbio, o Propicie. Ela atuou no projeto “Avaliação da Fertilidade do Solo”.

Leia seu relato abaixo sobre os últimos dias desta experiência:

A internacionalização do estudo antecipa experiências com situações que só nos são apresentadas em jornadas futuras de trabalho. Dessa forma, o laboratório de solos do Instituto Politécnico de Beja - IPBEJA, em Portugal, me apresentou o dia a dia das determinações que são solicitadas por nós, técnicos e agricultores, em laboratórios, bem como seus desafios. No decorrer de todo o intercâmbio, tive a oportunidade de realizar determinações sobre pH, textura manual, análise granulométrica, cor do solo, matéria orgânica, densidade aparente, porcentagem de terra fina e o teor de fósforo, potássio e nitrogênio em amostras de solos enviadas por agricultores de toda a região. Com certeza, a experiência de ter acesso ao que acontece nos bastidores entre o processo de coleta e envio de amostras de solos e de interpretação dos dados e recomendação de adubação (serviços prestados por nós, técnicos em agropecuária) foi auspiciosa e de grande valia.  

Em meio à rotina laboratorial do meu projeto, ainda tive a oportunidade de experienciar práticas relacionadas aos projetos dos meus colegas de agrárias, principalmente no laboratório de análise de sementes e matérias-primas vegetais, que me permitiu acompanhar determinações sobre glúten úmido, glúten seco, umidade, proteínas, cinzas, alveógrafos, índice de queda de sêmolas e farinhas de diferentes variedades de trigo mole e trigo duro de Portugal. Ademais, consegui participar de palestras ocorridas em eventos agrários da região, como a Ovibeja, além de dias de campo com demonstrações das práticas agrícolas utilizadas na agricultura portuguesa. 

Pude visitar a propriedade Monte do Outeiro do IPBEJA e a vacaria da Sociedade Agrícola Sagovaras LTDA em Água Derramada, pertencente aos holandeses de Setúbal. Todas essas práticas foram possíveis pela audácia e interesse que apliquei em todo o decorrer do intercâmbio, já que compreendi essa experiência internacional como uma oportunidade de evoluir meus conhecimentos técnicos sobre minha área de atuação. Para tanto, dediquei-me em aproveitar todas as ocasiões e busquei sempre a intensificação do meu aprendizado, com pesquisas extras, aulas extras com professores da graduação e com o desenvolvimento de materiais explicativos e de relato próprios.  

Trabalhei com duas técnicas de laboratório, uma técnica para o laboratório de solos e outra para o laboratório de sementes e também tive a oportunidade de ter aulas particulares com a minha professora do projeto, a professora Isabel Guerreiro. Em geral, a metodologia de todas estas é semelhante com a metodologia do Brasil, pois as técnicas explicam o passo a passo de todas as análises e justificam o que é que nós estamos fazendo, qual o objetivo final e funcionalidade de cada reagente. A professora do projeto se mostrou bem interessada em explicar coisas que vão além das práticas laboratoriais, tirando minhas dúvidas sobre o entendimento do conteúdo e trazendo curiosidades e pesquisas recentes sobre conteúdos que se conectam com aquilo que realizamos no laboratório. 

Entretanto, o intercâmbio vai muito além do que acontece dentro dos laboratórios. Conhecer a Europa, mesmo Portugal, é uma experiência que muda a forma de ver o mundo e mesmo sem perceber você acaba se apaixonando pela cultura deles, pelo Português bué fixe que fala frigorífico, autocarro, comboio, pequeno almoço e se calhar até mesmo pelo pastel de nata. 

Conhecer a Europa é o sonho de muitas pessoas e posso afirmar que é realmente gratificante. Estar em outro continente é uma ótima oportunidade para conhecer diferentes culturas, experienciar diferentes costumes, alimentação e formas de viver. Ao me deparar com a facilidade de ir para outros países membros da UE, viajei para Itália e estive em Roma por alguns dias, que foi a realização de mais um sonho já que venho de uma família com descendência italiana. Experimentar as massas diretamente de Roma, a carbonara, lasanha, os gelatos e conhecer monumentos que eu via na capa dos meus livros de história desde o fundamental, como o Coliseu, a Fontana di Trevi, o Panteão foi estupendo. 

Estive também no Vaticano e em seus museus, na Basílica de São Pedro, visitas pela qual meus pais inflam os pulmões e lacrimejam seus olhos de orgulho. Na mesma viagem, conheci Madrid, na Espanha, onde tive a oportunidade de entrar no majestoso Palácio Real, onde desbravei um pouco sobre o povo que tanto participou na formação de Portugal e de outros países, inclusive do Brasil. Em Madrid, conheci o estádio do Real Madrid, time pelo qual eu tenho muito apreço.  

Nesses meses também pude “desbravar quem nos desbravou” e fiz passeios por Portugal. Visitei Portimão, no litoral, com suas belas praias (memória que guardo no meu coração, pois foi a primeira interação em grupo com amigos intercambistas, que por curiosidade são brasileiros), além de Évora, cidade encantadora, típica europeia, com Capela de Ossos e Templo Romano. Nesse final do intercâmbio estarei em Porto, Lisboa, Fátima, Faro, Portimão, Viana do Castelo, Guimarães e Braga, que são cidades em que quero contemplar a cultura portuguesa e experimentar novos pratos, alguns pelos quais eu anseio, como os pastéis de bacalhau e a famosa francesinha, que nos recomendaram muito. Já pude perceber que Portugal tem muita autenticidade em quase tudo, mas ainda existem muitas ligações com a cultura brasileira que, modéstia à parte, é muito apreciada.  

Por fim, posso dizer que todas as minhas expectativas foram atendidas com sucesso e afirmo que é necessário ter coragem, força de vontade e muita organização e planejamento. A burocracia para entrar na Europa é enorme e costuma ser ainda pior para menores de idade emancipados, como é o meu caso. Portanto, ter diversos comprovantes do que estamos fazendo e contratos que alegam onde vamos residir durante o intercâmbio é inegociável. As coisas ocorrem de forma dura, somos expostos a uma rotina que exige muita autonomia e responsabilidade, portanto, a organização e a tomada de decisão com planejamento é imprescindível. Calcular gastos, planejar alimentação, ler mapas, saber se instruir em locais públicos e em outros idiomas são habilidades que precisamos desenvolver. Mas, com confiança em si e coragem (muita coragem), vamos longe, 8.610 km mais especificamente. 

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