INSTITUCIONAL Data de Publicação: 26 ago 2026 08:45 Data de Atualização: 26 ago 2026 10:44
O 19º episódio do podcast Cidadania & Ciência, produzido pelo Câmpus Florianópolis, abordou a influência do fenômeno El Niño e a importância da meteorologia na sociedade. O entrevistado da edição foi o professor Daniel Sampaio Calearo, docente do curso Técnico em Meteorologia e professor colaborador do Mestrado Profissional em Clima e Ambiente da instituição. Durante a entrevista, o pesquisador detalhou a dinâmica oceânica e atmosférica do El Niño, esclareceu equívocos comuns veiculados na imprensa e ressaltou o papel da educação científica na prevenção de desastres naturais.
O professor explicou que o fenômeno se caracteriza pelo aquecimento anormal das águas na faixa equatorial do Oceano Pacífico, gerando alterações na circulação dos ventos em escala global. No caso do Sul do Brasil, essa dinâmica intensifica o aporte de calor e umidade, potencializando frentes frias, ciclones e tempestades. Para ilustrar o efeito do fenômeno sobre os sistemas meteorológicos rotineiros, o docente utilizou uma analogia musical. "Os sistemas meteorológicos que atuam, as frentes frias e ciclones que geram as chuvas, normalmente são como uma música tocando. O que acontece quando nós temos o El Niño é que esses sistemas meteorológicos vão acabar recebendo mais alimento, mais umidade, mais calor. É como se fosse aumentar o volume dessa música", exemplifica.
Veja o episódio completo no Youtube do Câmpus Florianópolis:
Calearo também destacou que, embora os períodos de El Niño favoreçam chuvas acima da média, os volumes ocorrem em pulsos alternados com períodos secos. Além disso, desmistificou a ideia de que o fenômeno "se desloca" fisicamente como uma tempestade ou que atua isolado de outros fatores climáticos. Ao analisar a vulnerabilidade do Sul do Brasil a tempestades severas e tornados, o professor ressaltou a evolução dos modelos numéricos e supercomputadores, que hoje oferecem alta confiabilidade em previsões de até 72 horas. Contudo, ele apontou que ainda existe um gargalo entre o alerta técnico emitido e a interpretação do público. "Tem algum passo no meio que não está fechando esse elo da corrente entre como a informação é passada e como ela chega à população em geral. Então, talvez tenha que ter mais essa questão de educação em relação a esses termos meteorológicos", complementa.
O professor alertou para os perigos de pessoas se arriscarem ao ar livre para gravar vídeos de vendavais e tornados em busca de repercussão em redes sociais. Ele defendeu que as cidades invistam no mapeamento de áreas seguras, em construções mais resistentes e na cultura de autoproteção e respeito aos avisos da Defesa Civil.
No âmbito institucional, Calearo destacou o projeto de extensão "Meteorologia na palma da mão", que instala estações meteorológicas de monitoramento em escolas públicas e parceiros comunitários da Grande Florianópolis. O objetivo é aproximar estudantes da ciência prática e ampliar a rede de coleta de dados locais. "As escolas, por exemplo, utilizam os dados das estações nos seus clubes de ciência, nas aulas de geografia e de matemática. Para nós, a ideia é ampliar a rede de monitoramento e começar a entender as particularidades da nossa cidade", finaliza.
O docente lembrou que o Câmpus Florianópolis oferta o curso Técnico Subsequente em Meteorologia (com duração regular de um ano e meio no período matutino), além de cursos de Formação Inicial e Continuada (FIC) a distância e pós-graduação no Mestrado Profissional em Clima e Ambiente, qualificando profissionais para atuar em setores como agricultura, energia, aviação, defesa civil e infraestrutura.
O episódio completo também está disponível no spotify e vai ao ar nas terças-feiras, às 7h, na Udesc FM.