ENSINO Data de Publicação: 19 jun 2026 16:44 Data de Atualização: 19 jun 2026 16:56
Com o objetivo de conscientizar os jovens sobre os perigos da internet, o Câmpus Florianópolis do IFSC, com a promoção da Coordenadoria Pedagógica, recebeu nesta quinta-feira (18), a palestra "Conhecer para se proteger – uma mudança comportamental no âmbito digital". O evento foi conduzido pelo policial civil Fábio Volpato e ocorreu nos turnos matutino e vespertino, voltado especificamente para os alunos dos cursos técnicos integrados.
A iniciativa faz parte de um programa conjunto entre o Poder Judiciário de Santa Catarina, a Polícia Civil e a Secretaria de Estado da Educação. Durante a apresentação, Volpato apresentou dados indicando que os brasileiros passam, em média, mais de nove horas diárias conectados. Com base em uma pesquisa da Microsoft, o palestrante revelou que 74% dos adolescentes no país relatam já ter sofrido algum tipo de risco no meio digital.
Ele explicou que fatores biológicos contribuem para essa exposição constante, já que o córtex pré-frontal, área do cérebro responsável pelo julgamento, só termina de se desenvolver por volta dos 25 anos. "Um adolescente ele é muito impulsivo. Ele quer as recompensas de imediato, ele age de forma emocional, não na razão. Então, quase sempre, vocês são fragilizados, são vulneráveis para criminosos", alertou o policial.
Riscos em jogos online e promessas falsas
O palestrante destacou que os criminosos estudam suas vítimas e usam iscas atrativas, especialmente em jogos online e redes sociais, que são os ambientes onde os jovens passam a maior parte do tempo. É comum que predadores ofereçam moedas virtuais para ganhar a confiança dos estudantes ou enviem links maliciosos com falsas promessas de ganhos financeiros fáceis. Ao clicar e baixar aplicativos desconhecidos, os alunos podem ter seus dispositivos infectados e suas senhas roubadas, facilitando crimes de extorsão. "Atrás daquele computador, eu posso ser quem eu quiser. Então, tem criminosos se passando por criança, tem gente se passando por adultos", ressaltou Volpato, comparando o anonimato digital a uma máscara que facilita a manipulação.
Outro ponto de alerta abordado no encontro foi a falsa sensação de impunidade no mundo virtual. O policial advertiu que a internet deixa rastros e que os atos de violência digital, como o cyberbullying, geram sérias consequências legais. Jovens de 12 a 18 anos incompletos respondem por atos infracionais na esfera penal, mas os prejuízos financeiros em casos de processos recaem sobre a família. "Quem vai pagar os danos a outra pessoa são os responsáveis de vocês. O pai, a mãe, os responsáveis que estão lá trabalhando, guardando dinheiro, e vão ter que devolver esse dinheiro para a vítima", explicou.
Literacia digital como forma de defesa
Para evitar cair em golpes, a principal recomendação de segurança apresentada foi o desenvolvimento do que o agente chamou de literacia digital, que envolve manter perfis de redes sociais privados e adotar uma postura questionadora. Volpato orientou que, ao menor sinal de risco, chantagem ou extorsão, os adolescentes devem parar de interagir com o criminoso e buscar imediatamente a ajuda de um adulto de confiança.
"Literacia digital é a capacidade de autorregulação do sujeito no ambiente digital. Eu analiso e vou em outro site para certificar, para validar se aquilo dali é verdadeiro ou não", concluiu o palestrante sobre a importância do pensamento crítico na rede.