Câmpus fortalece acessibilidade com implantação de sinalização em Libras

INSTITUCIONAL Data de Publicação: 04 ago 2026 13:53 Data de Atualização: 04 ago 2026 14:16

 

Os ambientes do IFSC Câmpus Palhoça Bilíngue passaram a contar, no mês de julho, com um novo recurso de acessibilidade: placas de sinalização em Língua Brasileira de Sinais (Libras), instaladas nas portas dos setores, espaços e das demais áreas da instituição. A iniciativa amplia a acessibilidade para a comunidade surda e fortalece a presença da Libras no cotidiano institucional, em consonância com a proposta de educação bilíngue do câmpus.

As placas identificam os espaços por meio de ilustrações dos sinais, facilitando a orientação das pessoas surdas. Além de beneficiar estudantes, servidores e visitantes surdos, a sinalização também estimula a curiosidade da comunidade acadêmica e incentiva o aprendizado da língua de sinais. “Eu vi sinais que eu não conhecia, como o do meu novo local de trabalho. Acredito que foi uma ótima forma de mostrar a representatividade da Libras no nosso câmpus”, reconhece a estudante ouvinte do curso técnico integrado de Design Gráfico e estagiária do Almoxarifado Técnico, Laura Baum.

O projeto foi desenvolvido de forma colaborativa por servidores da Comunicação, do Núcleo de Produção Bilíngue (NPB) e por professores surdos de Libras. A iniciativa também contou com a colaboração dos professores do Departamento de Eletrotécnica do IFSC Florianópolis, Adriano de Andrade Bresolin e André Luiz Fuerback, que viabilizaram a produção das peças em MDF na cortadora a laser do Laboratório de Mobilidade Elétrica, onde foram gravadas e cortadas. Na etapa final, as placas receberam acabamento, limpeza e aplicação de verniz para garantir mais durabilidade.

Os sinais utilizados foram debatidos e registrados em vídeo por docentes surdos do câmpus, Fábio Silva, Fabrício Mahler Ramos, Paulo Roberto Gauto e Saulo Zulmar Vieira, garantindo a fidelidade linguística das representações. “Após assistir os sinais em vídeo, os próximos passos foram: reproduzir os sinais em vários ângulos diferentes, decidir o melhor ângulo para as ilustrações, produzir fotografias de referência para cada configuração de mão e, por fim, fazer os desenhos de fato”, explica o técnico em ilustração e animação bilíngue, Diego Urrutia.

Segundo ele, o maior desafio do projeto foi representar um sinal em Libras por meio de uma única ilustração. Diego explica que desenhar mãos é, por si só, uma das tarefas mais complexas da profissão, devido à quantidade de articulações e às inúmeras posições que os dedos podem assumir. Representar o movimento, no entanto, é ainda mais desafiador. “Os sinais de Proeja e Palco das Artes exigiram várias versões porque eles mudam completamente a configuração das mãos durante o movimento”, conta. 

Para a aluna surda do curso de Comunicação Visual, Gabriele Rosa, a implantação da sinalização em Libras representa um marco, já que, durante a sua trajetória escolar, não teve contato com esse tipo de recurso. Segundo ela, a iniciativa amplia a acessibilidade para as pessoas surdas, especialmente para aquelas que não dominam o português, e também contribui para que as pessoas ouvintes ampliem seu vocabulário em Libras.

A diretora-geral do câmpus, Simone Gonçalves de Lima da Silva, destaca que a implantação da sinalização representa mais um passo na consolidação de uma cultura inclusiva. "Ainda temos muito a fazer e melhorar, mas é importante celebrar cada conquista ao longo do caminho. Esse é mais um passo na construção de um ambiente cada vez mais bilíngue e acolhedor para todas as pessoas", comemora Simone. 

O projeto já prevê uma nova etapa: a inclusão de um QR Code em cada placa. Ao ser escaneado, o código direcionará o usuário para um vídeo com o sinal correspondente em Libras e uma breve apresentação da função do setor, da área ou do espaço sinalizado. "Mais do que identificar os espaços, a nova sinalização representa um convite à convivência, ao respeito à diversidade linguística e ao fortalecimento da cultura inclusiva no ambiente acadêmico", enfatiza a relações-públicas e responsável pela Comunicação do câmpus, Sônia Santos.

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