E o bambu? Pesquisa do Câmpus São Carlos mostra as possibilidades de uso da planta

SEPEI Data de Publicação: 29 ago 2026 10:34 Data de Atualização: 29 ago 2026 11:28

Popularizar o bambu como um produto de alto valor comercial é um dos objetivos de duas pesquisas em andamento no Câmpus São Carlos. Os dois projetos - mais um de extensão sobre o mesmo tema - foram uma das novidades da Vitrine de Projetos do Sepei 2026.

Sob a coordenação do professor Israel Mota, as pesquisas estão avaliando os diversos usos da planta: decoração, alimentação, propriedades medicinais e, especialmente, na construção civil, e também como fazer o cultivo e o tratamento do bambu.

“Em alguns lugares, o bambu é visto até mesmo como uma praga. Com nossas pesquisas, queremos desmistificar a ideia de que o bambu é fraco ou inferior em relação às outras madeiras”, afirma Israel.

De acordo com o professor, apesar de ser amplamente utilizado na Ásia, no Brasil a falta de conhecimento acaba por deixar o bambu estigmatizado como uma madeira de baixo valor. “E dá pra questionar também se essa falta de conhecimento não é proposital. Imagina pensar que qualquer pessoa pode aprender a fazer sua própria casa, com um material de baixíssimo custo e impacto ambiental? Não seria a primeira vez que a indústria da construção civil interferiria nesse sentido”, explica, citando o caso dos mutirões de construções de casas populares com a técnica solo-cimento no Amazonas, nas décadas de 1980 e 1990. Segundo Israel, com a popularização da técnica, houve interferência da indústria para burocratizar essas construções.

“Estamos atuando em três projetos simultâneos: pesquisa sobre a resistência estrutural do bambu Dendrocalamus asper para aplicações em construção civil; pesquisa sobre o cultivo educativo para utilização na construção civil - onde vemos as melhores formas de cultivar e os tratamentos necessários para evitar fungos, insetos, etc - e, por último, um projeto de extensão em comunidades de São Carlos, Palmitos e Águas de Chapecó justamente para espalhar esse conhecimento e ir diminuindo o preconceito contra o bambu”, explica o professor.

No estande da Vitrine de Projetos, os visitantes eram convidados a tentar envergar arcos feitos de bambu. “Alguns bem fortes até conseguem mexer um pouco, mas, de maneira geral, é muito difícil. Já um vergalhão de ferro, daqueles usados em construções, a maioria consegue envergar”, exemplifica Israel ao explicar que o bambu pode ter uma resistência maior que muitas madeiras e até mesmo em relação ao aço.

Os projetos hoje envolvem o professor, três bolsistas e a colaboração de dois professores do IFSC e um arquiteto e urbanista. Iniciado em junho de 2026, a ideia também é integrar ao um outro projeto apresentado em edições anteriores do Sepei, da taipa de pilão. “Vamos cobrir a construção feita de taipa com telhas de bambu”, conta Israel.

Outros usos

Apesar de não serem o foco das pesquisas no câmpus, no estande também era possível conhecer outros usos do bambu: decoração, uso como amplificador de som, alimentação, com degustação do broto do bambu - que lembra um palmito, chá e o carvão ativado.

Interesse vem de oito anos

A ideia de trazer os projetos do IFSC surgiu das experiências pessoais do professor com o tema. Israel cultiva bambu há oito anos e, em 2023, fez um curso com o arquiteto colombiano John Vasquez. “O John tem um projeto ousado na Colômbia. Ele está construindo residências de alto padrão lá e, ao mesmo tempo, plantando mudas de bambu em locais de fácil acesso, na beira de estradas, e disseminando o conhecimento sobre o uso do bambu na construção civil. O objetivo é que, no futuro, todo colombiano tenha a possibilidade de construir sua própria casa a partir de um material disponível de forma gratuita”.

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