EVENTOS Data de Publicação: 14 jul 2026 10:09 Data de Atualização: 14 jul 2026 10:52
Enquanto a nova unidade ainda está em fase de implantação, o Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) já começou a construir sua história em Tijucas pelas pessoas. Na noite da última segunda-feira, 13 de julho, 24 mulheres receberam os certificados de conclusão do curso de Agente de Desenvolvimento Socioambiental, tornando-se as primeiras estudantes formadas pelo futuro Câmpus Tijucas.
Realizada no Anfiteatro Leda Regina, a solenidade reuniu familiares, servidores docentes e técnico-administrativos, representantes das instituições parceiras e autoridades locais. Mais do que uma cerimônia de formatura, o evento simbolizou o início da presença efetiva da instituição no município e a concretização de um projeto que nasce conectado às demandas da comunidade.
Ao longo de quatro meses, entre março e julho deste ano, as aulas ocorreram no auditório da Secretaria Municipal de Pesca e Aquicultura de Tijucas e na Colônia dos Pescadores Z-25. A formação foi destinada a mulheres em situação de vulnerabilidade social, aliando qualificação profissional, fortalecimento da cidadania, inclusão social e incentivo ao protagonismo feminino.
Representando o reitor do IFSC, a diretora executiva Ana Paula Kuczmynda da Silveira destacou que a cerimônia representa um marco para a instituição e para o município. "Para a instituição é uma grande vitória porque todo processo de implantação exige muita disciplina. Ainda estamos estruturando equipe e espaços físicos, mas concluir a primeira oferta de curso mostra que o IFSC já chegou à comunidade. É um passo importante para quem trabalha na implantação do câmpus e também para as pessoas que acreditaram nesse projeto desde o início", afirmou.
Outro dado comemorado pela diretora foi a permanência das estudantes. Das 25 mulheres matriculadas, 24 concluíram o curso. A única desistência ocorreu por motivo de mudança de município. Segundo Ana Paula, esse resultado demonstra que a formação atendeu às necessidades da comunidade.
Formação conectada aos desafios da região
Para a diretora executiva do IFSC, esse propósito ganha ainda mais importância em uma região que recebe grande fluxo migratório e vive intenso crescimento econômico. "No entorno de Florianópolis, os municípios estão recebendo um número expressivo de migrantes e imigrantes, de pessoas que vieram de diferentes lugares e vêm se assentando por aqui em busca de oportunidades. No entanto, não adianta termos as oportunidades de emprego se não sabemos, muitas vezes, como acessar essas vagas ou estarmos qualificados. E o IFSC trabalha para que essas mulheres que vieram de diferentes espaços possam se qualificar e se sentirem mais preparadas para inserção no mundo do trabalho", ressaltou.
A experiência também antecipa as áreas que deverão orientar a atuação do Câmpus Tijucas. Segundo a diretora executiva do IFSC, o planejamento considera as características econômicas e ambientais da região, com destaque para os eixos de Ambiente e Saúde, Construção Civil e Informação e Comunicação.
"Todo o litoral de Santa Catarina é marcado por diferentes empreendimentos que tratam do aproveitamento dos recursos que o mar e que os rios nos trazem. Assim, vamos ter muitas iniciativas no campo da maricultura e da piscicultura, olhando para necessidade da mudança de concepção de mundo a partir de uma lógica mais sustentável", revelou Ana Paula.
O curso de Agente de Desenvolvimento Socioambiental foi pensado para dialogar diretamente com os problemas concretos vivenciados pela comunidade. De acordo com o presidente da Comissão de Implantação do Câmpus Tijucas, professor Cícero Santiago de Oliveira, a proposta foi aproximar o conhecimento científico dos desafios enfrentados diariamente pela população.
"O território do Vale do Rio Tijucas e a região da Costa Esmeralda têm uma série de desafios ambientais, frutos dos processos de alterações climáticas e da rápida expansão do mercado imobiliário. Por isso, discutir desenvolvimento socioambiental é fundamental para pensar um crescimento mais qualificado da região", avaliou.
Segundo Santiago, a formação extrapolou os conteúdos trabalhados em sala de aula. Além da formação técnica, a expectativa é que os vínculos construídos durante o curso permaneçam ativos. "O curso termina, mas esperamos que continue uma rede de mulheres fortalecidas, articuladas entre si, com o poder público e com outras organizações da sociedade civil, capazes de desenvolver novas ações em benefício da comunidade".
Trabalho coletivo entre câmpus
O coordenador do curso, professor Alessandro Eleutério de Oliveira, explica que a oferta só foi possível graças à atuação conjunta entre a equipe responsável pela implantação da nova unidade e o Câmpus Florianópolis-Continente, na ocasião representado pela servidora Gleicy Corrêa Nunes Marques. Como o IFSC Tijucas ainda não possui autonomia administrativa, etapas como processo seletivo, matrículas, registros acadêmicos e demais procedimentos foram realizadas pelo câmpus padrinho.
"O processo de implantação exige cooperação entre diferentes setores e unidades do IFSC. Enquanto a comissão local realizou o trabalho de busca ativa para mobilização da comunidade, o Câmpus Florianópolis-Continente ofereceu suporte administrativo e acadêmico para viabilizar a oferta", explicou.
De acordo com Alessandro, o curso buscou formar multiplicadoras aptas para atuarem na identificação e enfrentamento de problemas ambientais. "É uma iniciativa que alia educação profissional, cidadania, inclusão social e empoderamento feminino. E, dentro da temática do curso, essas mulheres passaram por um processo formativo ligado à necessidade de se constituir esferas de discussão, de identificação e de resolução de problemas socioambientais na cidade e na região".
Primeiros passos de uma nova história
Para as formandas, o significado da noite da última segunda-feira vai muito além da obtenção de um certificado. A aposentada Marli Terezinha da Silva Costa contou que procurava novos saberes e oportunidades de convivência quando encontrou o curso. "O maior aprendizado foi a convivência com as colegas. No final, percebemos o quanto crescemos como pessoas. Receber esse certificado mostra que ainda sou capaz de aprender e que conhecimento não tem idade".
Ela também destacou o acolhimento recebido durante a formação. "O IFSC se preocupa não somente com a transmissão do conhecimento, mas também com as pessoas. Recomendo para qualquer um que tenha vontade de estudar", destacou.
Silvana Felix Machado considera que a chegada do Instituto representa um novo momento para o município. "Tenho mais de 60 anos e acredito que esse conhecimento vai contribuir para minha realização pessoal e profissional. E acho que o IFSC chegou no momento certo em Tijucas, que vai crescer muito com a presença da instituição".
Já Julia Kazuko Sakamoto afirmou que o curso ampliou sua forma de enxergar o mundo. "O maior aprendizado foi a união da turma e tudo aquilo que passamos a compreender sobre nossa realidade. Receber esse certificado hoje representa sucesso e realização. Espero que mais pessoas conheçam o IFSC e tragam novos horizontes para suas vidas", disse Julia.
"Celebramos mulheres que decidiram recomeçar"
Em nome da turma, a oradora Lisiane Silva dos Santos Rodrigues lembrou que a formatura representa muito mais do que a conclusão de uma capacitação profissional. "Hoje encerramos um ciclo muito importante das nossas vidas. Mais do que a conclusão de um curso, celebramos histórias de mulheres que decidiram recomeçar."
Ela destacou que, durante a trajetória, cada participante enfrentou desafios pessoais, mas encontrou apoio nas colegas. "Aprendemos a ressignificar nossa história, transformando dificuldades em aprendizado, medos em coragem e sonhos em novos caminhos". Ao final, resumiu o sentimento das formandas. "Levaremos conosco não apenas os conhecimentos adquiridos, mas também as amizades, os momentos compartilhados e a certeza de que este não é o ponto final, e sim o início de uma nova etapa das nossas vidas", finalizou.