SNCT Data de Publicação: 05 nov 2026 20:50 Data de Atualização: 05 nov 2026 20:54
A pesquisa entrou por acaso na vida da professora Neusa Aparecida Munhak Beltrame. Formada em Engenharia Civil, começou a vida profissional na elaboração de projetos, acompanhamento de obras e orçamento de empreendimentos. A pesquisa só apareceu muito tempo depois, quando se rendeu às insistentes propostas para trabalhar como professora em uma universidade particular.
“Foi a partir desse momento que descobri uma nova vocação profissional. Dois meses depois, passei a me dedicar integralmente ao ensino e à pesquisa. A partir daí, senti a necessidade de aprofundar meus conhecimentos, ingressando no mestrado e, em seguida, no doutorado, ambos voltados para a área de cimentos especiais”, conta a professora que atualmente trabalha nos cursos de Edificações do Câmpus Canoinhas do IFSC.
Professora Neusa contou sua trajetória na abertura da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) do Câmpus Canoinhas, em 19 de outubro. A roda de conversa “Ciência Delas: trajetórias que inspiram, ciência que transforma” apostou na participação de servidoras mulheres do próprio câmpus para debater o tema: professoras Claudia Kuns, Cleoci Beninca e Eliziane Luiza Benedetti e a técnica de laboratório Josiéli de Oliveira dos Santos Veiga, além da própria Neusa.
Conforme a professora de Edificações, este tipo de debate permite a valorização e reconhecimento das mulheres na ciência, além de ser essencial para corrigir injustiças históricas, ampliar a diversidade e desenvolver soluções mais abrangentes para os problemas sociais. “A discussão também dá visibilidade às descobertas femininas apagadas ao longo da história e desconstrói, desde a infância, a ideia de que existem profissões exclusivamente masculinas ou femininas. A inclusão de diferentes experiências fortalece as pesquisas, enquanto a perda de talentos femininos representa um desperdício de importantes contribuições científicas e tecnológicas”, defende.
Ela reforça que a atuação de mulheres na ciência, em especial na engenharia, amplia perspectivas sobre planejamento, segurança e sustentabilidade, além de fortalecer redes de apoio e incentivar novas profissionais. “Sua presença também contribui para criar infraestruturas mais inclusivas, combater estereótipos e reduzir o isolamento e a desistência de estudantes, servindo de inspiração para que mais mulheres alcancem posições de liderança, historicamente ocupadas por homens.”
Avaliação positiva da SNCT
A SNCT 2026 do Câmpus Canoinhas aconteceu de 19 a 21 de outubro, em sintonia com o tema nacional “Ciência Delas”. Além da roda de conversa e palestras, a programação teve salas temáticas sobre mulheres nas engenharias, linguagens e tecnologias, história, biologia e análise sensorial, apresentação literária, campeonatos esportivos e oficinas de diversas áreas.
A Mostra de Trabalhos Científicos da SNCT deste ano bateu recorde de apresentações: 54 trabalhos científicos e relatos de experiência, que serão publicados no Caderno de Resumos da SNCT do IFSC. Os trabalhos divulgaram as experiências práticas e os resultados das atividades de ensino, pesquisa, extensão e inovação, desenvolvidos entre 2024 e 2026, em todos os níveis de ensino ofertados no Câmpus Canoinhas.
A SNCT contou ainda com a Feira de Economia Solidária “Protagonismo Feminino na Ciência e Economia Solidária”, com projeto aprovado pelo Edital PROEX N° 05/2026 - Apoio a Projetos de Economia Solidária no IFSC.
Outros dois grandes eventos que fizeram parte da programação foram o 8º Workshop de Informática, com palestras, troca de conhecimentos e discussões sobre tecnologia e inovação, e o 10º Workshop de Ciência e Tecnologia de Alimentos, com oficinas práticas realizadas nos laboratórios.
“Foi muito gratificante ver nosso câmpus movimentado, recebendo a comunidade, as escolas municipais e os visitantes, além de acompanhar o protagonismo dos nossos estudantes e a diversidade de atividades desenvolvidas. A SNCT é uma oportunidade de mostrar a força do IFSC na promoção do ensino, da pesquisa e da extensão, e acredito que conseguimos cumprir esse propósito com excelência”, avalia o diretor-geral do Câmpus Canoinhas, Douglas André Würz.