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Câmpus Palhoça Bilíngue organiza seminário e fórum para debater a educação bilíngue Libras-português

CÂMPUS PALHOÇA BILÍNGUE Data de Publicação: 28 set 2022 23:07 Data de Atualização: 29 set 2022 00:32

O Câmpus Palhoça Bilíngue organiza, com apoio do Instituto Federal de Goiás (IFG) e do Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines), o 1º Seminário Nacional de Educação Bilíngue e o 1º Fórum de Educação Bilíngue (Libras-Português), que começaram na terça-feira, dia 27, e terminam na quinta, dia 29. A programação tem palestras, mesas-redondas, oficinas e outras atividades como mostras de vídeos, materiais bilíngues e visitações aos laboratório do câmpus. Na abertura, o professor André Ribeiro Reichert, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), falou sobre os desafios para a modalidade educação bilíngue no Brasil.

André, que é surdo, só teve o primeiro contato com a Língua Brasileira de Sinais (Libras) aos 12 anos e contou algumas passagens de sua vida para mostrar a realidade vivida por muitos surdos no Brasil e as dificuldades pelas quais passam. “O surdo nasce em uma família ouvinte e são poucas que dominam a Libras. Com isso, o surdo cresce sem entender muitas coisas”, contou. Ele lembrou que, a partir do momento em que teve contato com a língua de sinais, ampliou seu conhecimento sobre o mundo e passou a entender mais também sobre a cultura surda.

O professor da UFSC destacou que na comunidade surda ainda há diferentes níveis de conhecimento no uso da Libras - há desde os fluentes até aqueles que não a dominam. Isso traz mais desafios para a educação bilíngue, pois muitos surdos não sabem usar nem a Libras nem a língua portuguesa. 

Realidade dos estudantes surdos no Brasil

Na palestra, realizada no centro de eventos do Câmpus Florianópolis-Continente (onde também vai ocorrer o encerramento do Seminário), André Reichert traçou o panorama estudante surdo encontra nas escolas brasileiras, que inclui: professores com pouca proficiência em Libras, falta de acesso ao português como segunda língua, metodologias que não atendem as necessidades de comunicação do estudante surdo e currículos voltados para o estudante ouvinte.

Para ilustrar essa realidade, André chamou ao palco alguns estudantes surdos do Câmpus Palhoça Bilíngue e fez perguntas a eles sobre suas experiências de aprendizado na escola. A partir disso, falou sobre a importância do vídeo para que o surdo domine a sinalização das palavras em línguas de sinais desde o início do letramento. “O ouvinte escuta a palavra e aprende a falar certo. Para o surdo, o meio de aprender é assistindo vídeo. O professor mostra a gravação pra ele pra ver se está sinalizando corretamente”, explicou. No entanto, destacou o professor da UFSC, nem todas as escolas fazem esse trabalho.

Na visão dele, as instituições de ensino superior (IES), embora ainda tenham muito a avançar, estão “melhores que as escolas” nesses quesitos. Nessa comparação, André considera que nas IES há mais conhecimento sobre a língua de sinais e materiais e currículos voltados para os surdos. Ainda assim, as opções de cursos voltados para esse público não são muitas e ele citou o Letras-Libras (curso da UFSC onde ele leciona) como um exemplo. “O surdo vai lá e pensa: “ah, no Letras-Libras eu consigo me comunicar. É um local onde tem valorização da minha língua’. Mas em outros cursos, como numa engenharia, isso ainda não acontece”, comentou.

O acesso dos surdos à universidade e o aumento do número de professores surdos tem um efeito positivo para a comunidade surda, ressaltou André, fazendo uma curiosa comparação: “É igual gasolina. A gente vê um professor surdo e se abastece disso como referência”.

Participantes

Participam do 1º Seminário Nacional de Educação Bilíngue e do 1º Fórum de Educação Bilíngue (Libras-Português) estudantes e profissionais do Câmpus Palhoça Bilíngue, do Câmpus Aparecida de Goiânia do IFG e do Ines, instituição com sede no Rio de Janeiro que recentemente completou 165 anos - essas são as três únicas instituições do Brasil que oferecem o curso de licenciatura em Pedagogia Bilíngue (Libras-Português), formando professores para atuar com crianças surdas e ouvintes. O Câmpus Palhoça Bilíngue é o local onde ocorre a maior parte da programação, enquanto o Câmpus Florianópolis-Continente recebe as palestras de abertura e encerramento.

A diretora-geral do Câmpus Palhoça Bilíngue, Eliana Cristina Bär, considera os eventos importantes para destacar a educação bilíngue (Libras-Português) no iFSC e reunir as instituições que trabalham com ela no Brasil. “Essa articulação para nós é muito importante”, afirma. Para Eliana, as discussões sobre currículos e metodologias de ensino estão entre as mais relevantes do evento.

Palestrante na abertura, André Reichert acrescenta que, além das discussões, os eventos são uma oportunidade de desenvolver na prática algumas metodologias e debater políticas que melhorem a educação dos surdos.

O seminário e o fórum são realizados em setembro como forma de comemorar o aniversário de entrega do Câmpus Palhoça Bilíngue à comunidade e o Dia Nacional do Surdo, ambos celebrados em 26 de setembro. Confira a programação e mais informações (em Libras e em língua portuguesa) no site dos eventos.

 

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