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SNCT do Câmpus Canoinhas apresenta campanha contra exploração de xisto e experiência com embalagens ecológicas

SNCT Data de Publicação: 24 out 2019 17:45 Data de Atualização: 07 nov 2019 13:03
Da substituição do plástico descartável por materiais biodegradáveis na rotina diária à luta coletiva pela preservação de todo um ecossistema, o desenvolvimento sustentável exige conhecimento, mudança de hábitos, trabalho em rede e persistência. Este foi o foco das palestras que marcaram o início da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) no Câmpus Canoinhas, que, neste ano, tem como tema “Bioeconomia: diversidade e riqueza para o desenvolvimento sustentável do Planalto Norte catarinense”.

Na noite de terça-feira, 22 de outubro, a agricultura, pedagoga e especialista em gestão e tecnologia ambiental na indústria, Suelita Röcker, da Coalizão Não Fracking Brasil (Coesus), falou sobre “Impactos socioambientais da exploração de xisto em Santa catarina”. Na quarta (23) de manhã, foi a vez da agrônoma e empresária Carla Viero, de Joinville, falar sobre negócios de impacto e apresentar a experiência da Keep Eco, uma embalagem ecológica que substitui o filme plástico na conservação de alimentos.

Confeccionada com tecido 100% algodão, cera de abelha, resina e óleo vegetais, a Keep Eco é um tecido encerado, maleável, aderente e lavável, usado para cobrir potes e pratos e envolver frutas e legumes, assim como o plástico ou papel-alumínio. Por ser biodegradável, ao final de sua vida útil de aproximadamente um ano, ele pode ser picado e usado como composto orgânico. Carla e o marido, Lucas Costa, foram os primeiros a desenvolver o produto no Brasil, após conhecerem a iniciativa durante um intercâmbio na Austrália.

“Meu cliente principal é o meio ambiente. Tenho que conhecer o ciclo todo, de onde vêm meus produtos e para onde vão”, falou Carla. Neste sentido, o tecido encerado é um estímulo para a mudança no estilo de vida e adoção do lixo zero, que propõe que apenas 10% do lixo vá para o aterro sanitário. O restante dos resíduos sólidos produzidos no dia a dia deve ser reciclado, reutilizado ou usado na compostagem.

Enquanto negócio, a iniciativa desenvolvida há dois anos atendeu à necessidade de Carla trabalhar de forma alternativa e resgatar o convívio, mesmo que indireto, com as abelhas e a apicultura – uma paixão herdada do pai ainda na infância, no interior do Rio Grande do Sul. “Trabalhamos com negócio de impacto, que propõe a resolução de questões de interesse coletivo, sejam elas sociais ou ambientais, através de modelos de negócio que se sustentem pela venda de produtos ou serviços”, explicou.

Atividades interligadas

Embora a longo prazo, a redução do uso do plástico pode implicar no uso moderado de derivados do petróleo. Os impactos da extração de combustíveis fósseis, especialmente do xisto e do gás de xisto, são estudados e divulgados pela Não Fracking Brasil, fundada em 2013. Formada por ambientalistas, cientistas, geólogos, hidrólogos, engenheiros, biólogos e gestores públicos, a coalizão tem o objetivo de impedir a exploração do gás de xisto por meio do fracking e evitar grandes danos ambientais.

“Precisamos de mobilização permanente para dizer que não queremos a exploração do xisto em Santa Catarina, no Brasil e em lugar nenhum”, ressaltou a palestrante de terça-feira, Suelita Röcker. A ambientalista explicou como funciona a extração do gás de xisto por fracking e suas consequências danosas para o meio ambiente, para a saúde da população e para as atividades sociais e econômicas do entorno das áreas de exploração.

Fracking, conforme explicou Suelita, é um método de extração que usa as fraturas produzidas pela alta pressão hidráulica e introdução de água, areia e uma mistura de cerca de 700 produtos químicos, sendo alguns tóxicos, no interior do reservatório, o que permite que o gás flua do subsolo. O fraturamento hidráulico permite perfurações entre 1.500 e 3.200 metros de profundidade.

Segundo a ativista, desde o ano passado o governo federal vem promovendo leilões públicos permanentes para empresas nacionais ou estrangeiras explorarem áreas potencialmente ricas em fósseis que podem ser transformados em petróleo. Em Santa Catarina, dois blocos exploratórios estão na lista, dos quais um é composto por cerca de 80% do território de Canoinhas e parte dos municípios vizinhos. Por enquanto, o processo está suspenso devido à sanção da Lei 17.766, de 13 de agosto de 2019, que proíbe a extração de gás de xisto no estado.

“A informação para as comunidades é essencial para as pessoas terem conhecimento e opinião”, destacou Suelita, ressaltando a importância do evento realizado pelo IFSC. Para o membro externo no Colegiado do Câmpus Canoinhas e representante da Assessoria da Juventude da Prefeitura de Canoinhas, Willian Godoy, e o colega Gustavo Henrique Ferreira dos Santos, a missão foi cumprida.

“Para quem não tinha conhecimento algum, poder se inteirar do assunto, conhecer a problemática e entender o porquê da luta, foi muito importante”, comentou Willian. “Foi muito interessante ter acesso aos dados, porque deu base para levar as informações para a comunidade. Temos que nos unir”, destacou Gustavo.

Programação

A SNCT do Câmpus Canoinhas segue até esta quinta-feira (24) com atividades culturais, apresentações de projetos de ensino, pesquisa e extensão, mostras científicas e mais de vinte oficinas voltadas aos alunos das escolas visitantes. Clique aqui para conferir a programação completa.

 “Tudo é trabalhado dentro da temática da sustentabilidade e em acordo com os 17 objetivos do desenvolvimento sustentável (ODS). É também uma forma de mostrar que estudante e achismo não combinam. Tudo tem que ter relação com a ciência. É por isto que investimos em pesquisas e queremos ampliar ainda mais”, declarou a diretora do câmpus, Maria Bertília Oss Giacomelli, durante a abertura oficial, que contou ainda com apresentações culturais da Banda do IFSC - Little Boat City Band e do Grupo de Dança Ifrequência.
 
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