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Projeto integrador destaca importância do trabalho da enfermagem na prevenção da depressão pós-parto

ENSINO Data de Publicação: 23 nov 2020 11:43 Data de Atualização: 23 nov 2020 14:08

A depressão pós-parto vem sendo reconhecida como um problema de saúde pública e não afeta só a mãe, mas também o bebê, o companheiro, familiares e a sociedade como um todo. Para entender o papel da enfermagem nesta relação, os alunos Flavio Augusto Azevedo Dias, Gislaine de Paula, Letícia Lehm Dietrich e Sheila Dias escolheram o tema para sua pesquisa no projeto integrador (PI) de conclusão do curso técnico em Enfermagem do Câmpus Joinville.

O trabalho “Os impactos dos aspectos psicológicos e fisiológicos na gestação: orientações de Enfermagem”, orientado pela professora Joanara Rozane da Fontoura Winters, abordou os aspectos psicológicos e fisiológicos que envolvem a gestação e o pós-parto, pré-natal, desenvolvimento da gestação, empoderamento no período gravídico e no puerpério, depressão pós-parto e blues no puerpério.

“A mulher pode se sentir vulnerável física e emocionalmente frente às transformações sofridas ao longo da gestação e puerpério”, explica Sheila. Além de todas as alterações físicas e hormonais, que já causam um impacto bastante significativo, ela enfatiza que ainda existem os aspectos psicológicos. “Sensação de incapacidade, ansiedade, nervosismo, sensibilidade, insegurança, medo do parto e das complicações são muito comuns. Algumas podem apresentar tristeza profunda quase contínua, que pode ser provisória ou se tornar crônica.”

A necessidade brusca de reorganização do papel da mulher tem um peso muito grande nesta condição. Conforme pesquisa da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, vinculada à Fiocruz, aproximadamente 26,3% das mulheres desencadeiam depressão pós-parto no Brasil. “Uma nova responsabilidade recai sobre a mulher, que passa a ser referência de cuidado sobre uma pessoa totalmente indefesa”, lembra Flavio.

Segundo Letícia, mães com depressão tendem a interromper mais facilmente a amamentação e têm dificuldade de cumprir o calendário de vacinação. Além disso, seus companheiros tendem a desenvolver depressão posteriormente, cerca de um ano após o nascimento do bebê. Neste contexto, o papel da enfermagem seria proporcionar às gestantes e primigestas orientações sobre as mudanças físicas e psicológicas e sobre a importância do acompanhamento com equipe multidisciplinar no pré e perinatal e do tratamento psicológico.

De acordo com o grupo, os desafios da equipe de saúde no pré-natal são ouvir e esclarecer as dúvidas trazidas pelas mulheres; não se colocar na posição de detentor do conhecimento; tratá-las não apenas nos seus aspectos biológicos e patológicos; esclarecer os direitos das gestantes no trabalho de parto (como acompanhante e direito de ser informada sobre todos os procedimentos e porque serão realizados); desenvolver uma relação de confiança e respeito com a mulher; e incentivar e orientar grupos de gestantes para troca de informações entre profissionais e outras gestantes.

“O preparo físico e psicológico da gestante promove um comportamento seguro durante o parto. Conhecer antecipadamente todas as etapas que o corpo vai passar contribui para que ela tenha confiança frente aos desafios da maternidade, autoestima com relação às mudanças físicas, autoconfiança e autorrealização no papel da maternidade e no feminino”, ressaltam os futuros técnicos em enfermagem.

Em função das medidas de enfrentamento à pandemia de Covid-19, a aplicação do projeto na comunidade, por meio de rodas de conversa com gestantes, não foi concretizada. “Mesmo não podendo ser aplicado, o trabalho teve parte fundamental na nossa formação acadêmica, para podermos atuar como profissionais da área de saúde e prestarmos cuidados humanizados a gestantes e puérperas”, destaca Gislaine.

Para professora Joanara, que também é a coordenadora do curso técnico em Enfermagem, a adaptação da metodologia não tirou a relevância do projeto integrador, que é uma parte importante da formação dos técnicos em enfermagem. “É uma porta que se abre no ramo de pesquisa, um conhecimento que se agrega”, enfatiza a professora.

Assista à apresentação pública do projeto integrador “Os impactos dos aspectos psicológicos e fisiológicos na gestação: orientações de Enfermagem”, realizada pelo grupo como etapa conclusiva do trabalho:

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