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Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígena publica carta à comunidade acadêmica

CÂMPUS GASPAR Data de Publicação: 22 fev 2021 20:01 Data de Atualização: 22 fev 2021 20:43
Diante dos casos de discriminação racial ocorridos, o Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígena (Neabi) do Câmpus Gaspar vem a público se manifestar através de uma carta aberta à comunidade.
 
Carta aberta do Neabi à comunidade acadêmica
 
O NEABI: Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígena do IFSC Câmpus Gaspar foi concebido com o objetivo de promover iniciativas diversas baseadas no cumprimento das leis 10.639/03 e 11.645/08, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, e das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. 
 
As atividades desenvolvidas pelo Núcleo estão pautadas também na missão firmada pelo Instituto Federal de Santa Catarina, de promover a inclusão, bem como também por sua concepção educativa histórico-crítica, democrática e emancipadora conforme preceitua nosso Projeto Pedagógico Institucional (PPI).
 
O NEABI atua de modo a produzir e desenvolver ações de ensino, pesquisa e extensão pautadas na promoção da igualdade étnico-racial e da valorização das populações de origem africanas, afro-brasileiras e indígenas. Desse modo, o NEABI construiu-se e tornou-se um espaço de referência para discussões e debates que se interseccionam com essas temáticas dentro e fora do IFSC Câmpus Gaspar.
Desde abril de 2015 o Núcleo se destaca como um lugar de acolhimento de servidores, estudantes e demais membros da comunidade externa na luta contra o racismo e a injúria racial, bem como o apagamento que está ligado às culturas afro-brasileiras e indígenas. Entendemos que a escola e o IFSC são espaços de poder e que, repletos de contradições, são também espaços de luta e de resistência à manutenção de lógicas, discursos e práticas hegemônicas atravessadas pela racialidade.
Por esse motivo, viemos a público repudiar todo e qualquer ato de preconceito e de violência física ou psicológica contra o corpo docente, técnicos, estudantes ou quaisquer membros da comunidade acadêmica e da comunidade externa. Nosso repúdio é somado e amparado pelas leis federais e os documentos norteadores do IFSC, que assim também repudiam esses atos. 
 
Cotidianamente travamos lutas para a construção de uma educação antirracista e que tenha como uma educação assentada nos direitos humanos. Tal orientação tem como princípio a promoção de um trabalho contínuo que tem sido feito ao longo desses cinco anos de existência do NEABI do Câmpus Gaspar.
 
As vozes que ecoam no e do NEABI são formadas de modo a criar um coro não para dissipar atos racistas, mas para reafirmar que essas práticas não podem ocupar os mesmos lugares os quais toda uma comunidade acadêmica nutre-se. Pela luz de saberes e competências embasadas na ciência e por um viés pedagógico, o racismo é contraproducente, invisibiliza parte da nossa história e contraria todos os princípios e valores que regem a nossa instituição. Segundo o IBGE, 56,10% dos brasileiros se declararam negros, esse grupo reúne pretos e pardos. Isso mostra que o ser racista é ter uma atitude contrária a construção identitária de boa parte da nossa população e por vezes contrária a si mesmo.
 
Entretanto sabemos que o legado deixado pelos 388 anos de um regime escravocrata e a ausência de políticas mais robustas para inclusão de negros e indígenas como cidadãos com direitos garantidos ainda é uma luta que perdura até os dias atuais devido às profundas marcas deste passado. Ora, e mesmo diante da evidência de crime contido na prática de racismo - crime este previsto na legislação nacional -, a quantidade de atos com objetivo de desqualificar, humilhar e apagar socialmente esses 56% do nosso povo, ocorre com frequência. Isso porque o racismo é estrutural e presente em toda nossa sociedade e suas instituições, em nossas relações sociais diárias, nos nossos valores que defendemos e em muitos dos comportamentos que manifestamos.
 
Por todas as razões apresentadas, o NEABI reforça de uma vez por todas, o seu papel de ser um espaço de promoção da inclusão, do acolhimento de pessoas e do desenvolvimento de ideias e ações humanizadas. O NEABI, e cada um dos membros que o compõem, coloca-se à disposição da comunidade interna e externa de modo contínuo para que, através do diálogo, construamos pontes que nos unam e não muros que nos separam.
 
 
Neabi - Câmpus Gaspar 
Fevereiro de 2021
 
 
CÂMPUS GASPAR

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