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Oficina de grafite aberta ao público vai permitir acompanhar elaboração de mural gigante no IFSC Câmpus Florianópolis

EXTENSÃO Data de Publicação: 31 jan 2022 16:26 Data de Atualização: 01 fev 2022 09:03

Quem andou pelo centro de Florianópolis já reparou que, a cada ano, aumentam os painéis gigantes de grafite, colorindo e contando a história da cidade. Personagens históricos, pessoas desconhecidas – mas que representam o povo da capital catarinense. E, agora, o Câmpus Florianópolis do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) também terá o seu grafite em um grande mural – e uma oficina onde, além de aprender mais sobre a técnica e seu impacto social, os participantes poderão visitar a obra durante a sua realização.

As ações do projeto Grafite, visibilidades sociais e tecnologias da arte propõem a desenvolver e difundir conhecimentos científicos das artes visuais, por meio da pesquisa de processos de criação artísticos, especificamente neste caso, relacionados à técnica do grafite, com a artista Gugie Cavalcanti. Trata-se de uma oportunidade rara de experienciar os modos de criação e produção da técnica do graffiti. A ideia nasceu no projeto de extensão Atelier Livre, coordenado pela professora Valeska Bernardo Rangel, que também coordena o Grafite, visibilidades sociais e tecnologias da arte.

Esse contato por meio de uma palestra on-line no Compartilharte 2021, inclusive, já foi a primeira etapa do Grafite, visibilidades sociais e tecnologias da arte. A oficina será a segunda e a obra em si, a terceira – serão dois painéis de 5,65 x 11,81, retratando a temática das meninas/mulheres nas áreas científicas. A previsão é de que o grafite seja realizado entre 1 e 13 de fevereiro, caso não haja interferência das condições climáticas.

“A proposta é pensar a relação e a atuação das mulheres nas artes e nas ciências. A iniciativa surgiu do contato que tivemos com a Gugie na realização do evento Compartilharte 2021. A própria trajetória da artista é bastante representativa neste sentido, pois ela é formada no curso de Eletrotécnica do próprio câmpus”, justifica Valeska em seu projeto.

E Gugie destaca que sua passagem pelo câmpus tem impacto direto no seu trabalho hoje. “O curso técnico no IFSC me fez entender sobre responsabilidade, sobre autonomia, porque tem uma coisa do ensino técnico que exige da gente que façamos as coisas, que corramos atrás. Também são feitos muitos debates sobre pensamento social e responsabilidade social”, lembra. “Aprender como aplicar os projetos elétricos pensando em meio ambiente, em rentabilidade: isso tudo casa com a minha forma de pensar a arte e de projetá-la, com meu pensar de forma técnica e prática”, completa a grafiteira.

Segundo ela, ter a obra sendo realizada “in loco” em uma área central do câmpus (ainda que o acesso esteja restrito à presença de até 80% da comunidade acadêmica), é importante para provocar uma reflexão, uma sensação que é o foco do meu trabalho, que é a estética relacional, onde o contato e a interação com suas obras se traduzem em uma ativação de sensibilidade coletiva. “Como pessoa negra, mãe e mulher, busco um espaço de diálogo, fortalecendo a visibilidade de pessoas que são racializadas e excluídas na estrutura social”, diz, ressaltando que é preciso naturalizar no imaginário social a presença digna dessas pessoas, as quais ela se identifica, desconstruindo a cultura visual que estão condicionados no decorrer da história.

“Eu acho muito interessante quando a obra se completa na cabeça das pessoas. No IFSC, eu estou colocando duas informações: uma menina brincando com peças de montar e outra menina com um capacete de obras, como engenheira. Chamei de Realizar porque como diz uma frase famosa, a gente pode sonhar, mas tem que acordar para realizar; é sobre isso”, afirma Gugie.

A poética da obra refere-se à conexão que temos do aflorar das nossas aptidões, com o conhecimento adquirido e o empírico, que estão presentes na infância, no sonhar e brincar da criança, no que queremos ser quando crescemos, representado pelo primeiro painel. Posteriormente na concretização desses desejos de infância, já a partir da adolescência e na vida adulta através da construção de saberes e edificação de nossos sonhos, representados pelo segundo painel.

“Destacamos ainda que trata-se de uma menina e uma adolescente negras ali representadas, reforçando questões de visibilidade e representatividade, uma vez que nossa instituição é caracterizada por uma grande quantidade de estudantes homens, é importante que as meninas sintam-se representadas e amparadas, sintam que aquele ambiente também lhes pertence”, defende Valeska.

Sobre a oficina

Interessados em participar das oficinas devem se inscrever por este link. Mais informações podem ser obtidas  no Instagram da Coordenadoria de Atividades Artísticas do Câmpus Florianópolis.

Os encontros serão on-line, com exceção das visitas à elaboração da obra, que será organizada entre os dias de realização (entre 1 e 13 de fevereiro, dependendo das condições climáticas), conforme o número de participantes.

EXTENSÃO CÂMPUS FLORIANÓPOLIS

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