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Câmpus Tubarão forma 160 alunas no programa Qualifica Mulher

EXTENSÃO Data de Publicação: 09 mai 2022 15:03 Data de Atualização: 09 mai 2022 16:47

O Câmpus Tubarão do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) forma nos próximos dias 160 mulheres em cinco cursos do programa Qualifica Mulher realizados nos municípios de Capivari de Baixo, Laguna e Tubarão. Elas se somam a outras 190 mulheres já formadas em seis cursos realizados desde dezembro do ano passado em municípios das regiões de Tubarão e Criciúma.

Na quinta-feira (12), receberão seus certificados 30 mulheres de Laguna, alunas do curso Geração de renda, Tecnologia e Valorização do Trabalho Feminino, com foco em produção de crochê. Já na sexta-feira (13), às 15h, na Arena Multiuso, um grande evento marca a formatura de 90 mulheres de Tubarão, alunas dos cursos de Instalações Elétricas, Inclusão Digital e Cidadania, Alfabetização e Letramento. A formatura de Capivari de Baixo, com 40 mulheres, que estava marcada para esta terça, foi transferida para a semana que vem.

O projeto “Autonomia social e econômica: gerando renda e valorizando o trabalho feminino” é resultado de uma parceria entre os câmpus Tubarão e Criciúma do IFSC, com recursos da Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres (SNPM), do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Até o fim do projeto, serão ofertadas vagas para 490 mulheres em situação de vulnerabilidade social no sul catarinense, por meio de cursos de Formação Inicial e Continuada (FIC) em áreas como Geração de Renda, Tecnologia e Valorização do Trabalho Feminino; Empreendedorismo Feminino; Comunicação e Atendimento ao Cliente; Inovação e Criatividade; Inclusão Digital; Instalações e Serviços de Eletricidade; Cidadania, Alfabetização e Letramento.

Mais do que o número de alunas e municípios envolvidos, o Qualifica Mulher se destaca pelas mudanças positivas que, em pouco tempo, tem provocado na vida das mulheres. 

“Não tenho palavras para transmitir o que foi a conclusão destas turmas. Tivemos relatos de muitas mulheres que pela primeira vez tiveram a oportunidade de receber uma formação, de estudar em uma instituição, ou que nunca tiveram acesso e oportunidades para desenvolver alguma formação, entender sobre o processo formativo e sobre o mundo do trabalho”, explica Leonardo Cardoso Gomes, coordenador do Qualifica Mulher.

Entre as alunas dos diferentes cursos do projeto, muitas mulheres arrumaram um emprego, começaram a trabalhar por conta própria ou decidiram retomar os estudos - no curso de Orleans, das 30 alunas formadas, cinco se inscreveram na Educação de Jovens e Adultos (EJA). Mas a emancipação foi além da capacitação profissional. As aulas contemplaram diversos temas relacionados à cidadania e ao cotidiano das mulheres.

“O IFSC tem como missão atender a este objetivo de desenvolvimento social. E quando um programa como o Qualifica Mulher chega a alguns lugares, cumprimos com o nosso propósito. Algumas mulheres, por exemplo, viram através da formação que receberam que também eram vítimas de violência, e entenderam o que é uma medida protetiva”, relata Leonardo.

Vontade de buscar sempre mais

Os relatos das pessoas envolvidas no projeto, tanto alunas quanto professores que atuaram nos cursos, reforça o sentimento de que o trabalho foi bem feito e provocou pequenas e grandes mudanças nas vidas das mulheres.

Os primeiros cursos da vida de Valmira da Silva Medeiros foram os de Elétrica e Alfabetização, em Tubarão. Suas duas irmãs também participaram das aulas. Valmira tem 54 anos. Para ela, a experiência foi única. “Foi ótimo. Nas primeiras horas, dá aquela tremidinha, será que vou conseguir? Mas a gente encontrou gente humilde, todos foram para aprender. Os professores foram muito atenciosos. Eu amei. Se tiver de novo, estarei lá. Estou cuidando do meu netinho, mas vou dar um jeitinho e fazer de novo”, afirma. “Aprendi as cores dos fios e até ferramentas que não uso no cotidiano como uma parafusadeira. Não vou seguir carreira. Vou usar como um aprendizado para a vida”

A aposentada Marilene Bosa Nogaredo, de 63 anos, não sabia como usar um computador e com o curso de Inclusão Digital em Tubarão, conseguiu se desenvolver.  “Eu aprendi lá. O celular também. Algumas coisas não sabia. Eu e as minhas amigas ficamos muito contentes. A gente se sentia em família”, relata. “Ficamos bem empoderadas nesse curso. Foi muito pouco, mas valeu a pena”, complementa. Ela vai começar a usar um notebook agora. “Minha filha vai trazer para mim”, conta. Marilene também avalia o ensino dos professores. “Foram muito atenciosos. Eles incentivaram muito para nós irmos até o final do curso. Só tenho a agradecer”.

Já Maria José Cargnin foi professora do curso de Artesanato em Laguna e ensinou as alunas a técnica do crochê. “Fiquei preocupada por muitas não saberem o que é uma agulha de crochê, mas hoje sinto um orgulho muito grande de cada uma delas. Poucas não conseguiram finalizar seus trabalhos, mas isso é esperado, pois cada uma tem seus limites e temos que respeitar e valorizar o pouco que conseguiram”, afirma Maria José, contando também que muitas mulheres que concluíram o curso já saíram empreendendo. “Acho que vai ajudar. Já estão procurando encomendas, querendo fazer para vender. Isso é gratificante”, relata.

É o caso de Graziela Ramos da Cruz, de 25 anos, que fez o curso em Laguna. “Com o conhecimento que adquiri no curso. Estou planejando me aperfeiçoar ainda mais nesse mundo. Ainda estou estruturando o meu negócio, mas quero fazer bolsas e carteiras em crochê inicialmente”, explica. “O curso me motivou a ser curiosa, estar sempre em busca de novos conhecimentos, me proporcionou uma nova fonte de renda, tendo em vista que até este momento eu estava sem emprego”, conclui.

Ângela Alves, também aluna do curso de Artesanato realizado em Laguna, encerrou sua participação no Qualifica Mulher com vontade de aprender e empreender. “Esse curso chegou no momento certo, na hora certa. Foi um desafio pra mim a coordenação motora, de pegar a agulha. Estou muito feliz que consegui. Vai ser através do artesanato que eu vou expandir cada vez mais, ter força de vontade. Artesanato é arte. É cultura. Isso pode nos levar para frente e ser uma grande empreendedora. Gostei das aulas, tanto as práticas quanto as teóricas. As aulas me deram essa vontade de querer sempre mais. É um curso que nos fez acordar, sair da rotina de casa. Que a gente chegue cada vez mais à frente do nosso objetivo”, conta.

Servidor do Câmpus Tubarão, Augusto César Garcia atuou como professor do curso de Inclusão Digital para mulheres de Tubarão. O curso ocorreu no próprio Câmpus. Ele destaca que o público do curso era bem diversificado em relação à idade e que cada aluna aproveitou os conhecimentos adquiridos para sua própria realidade.

“Eu considero que foi uma experiência muito boa para todas. Para umas, elas conseguiram aprender mais, outras já tinham um certo conhecimento. Por mais que o foco do projeto é buscar uma capacitação, algumas delas somente buscavam um aperfeiçoamento em smartphones mais pessoal que profissional, embora existiam mulheres que queriam a capacitação para se inserir no mercado de trabalho”, diz.

Parcerias entre instituições

Além da capacidade de levar a qualidade do ensino do IFSC para mulheres em situação de vulnerabilidade nos municípios em que elas moram, o Qualifica Mulher tem outra característica importante. Para que um programa desse tipo dê certo, é preciso uma grande articulação entre as diferentes instituições envolvidas. Para o diretor do Câmpus Tubarão, Henri Belan, o fortalecimento da parceria entre o Câmpus e as prefeituras fica como um grande legado do programa.

“Tudo isso só foi possível com o vínculo e a inter-relação entre os entes envolvidos. As prefeituras, as secretarias de Assistência Social, vereadores e vereadoras que atuaram na execução dos projetos, os CRAS [Centros de Referência em Assistência Social], que colocaram uma força significativa para motivar as mulheres a entrarem e permanecerem nos cursos. E obviamente a execução do IFSC, que sempre coloca sua qualidade nos projetos. Tudo isso possibilitou o alcance do resultado que tivemos, que superou as expectativas da comunidade, do IFSC e das próprias mulheres”, afirma. 

Coordenador do projeto, Leonardo explica que na maioria dos cursos houve baixa evasão. Em alguns casos, todas as mulheres que se inscreveram concluíram o curso. E a capacidade de trabalho em conjunto de todas as instituições envolvidas é apontada como um dos motivos para o êxito do projeto. 

“Os municípios cederam o local, fizeram a busca ativa, deram o transporte e a alimentação para as meninas. Também teve a parceria com a Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres, que ofereceu o recurso, os materiais e os insumos para os cursos, além da bolsa permanência. E a capacitação oferecida pelo IFSC, com a competência das professoras que trabalharam. Toda essa parceria nos deu um resultado muito promissor. A evasão é mínima. Muito porque elas estão tendo uma oportunidade ímpar de participar e se desenvolver”, destaca.

EXTENSÃO CÂMPUS TUBARÃO

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