O que o Ensino Médio do IFSC tem de diferente?

BLOG DO IFSC Data de Publicação: 25 nov 2020 09:09 Data de Atualização: 16 dec 2020 09:25

Na semana passada, abrimos as inscrições para o nosso Ensino Médio Técnico com início no primeiro semestre de 2021. São 1,4 mil vagas em 16 cidades de Santa Catarina. 

-> Veja as vagas disponíveis e como fazer a inscrição

Mas, afinal, qual é a diferença entre o Ensino Médio do IFSC e o Ensino Médio regular que é oferecido nas escolas públicas e particulares?

Neste post, vamos explicar tudo isso. 

-> Assista também à live que fizemos esclarecendo dúvidas sobre nosso Ensino Médio Técnico

Quais os tipos de cursos técnicos do IFSC?

Conforme a lei nº 11.892/2008 que criou os Institutos Federais, metade das nossas vagas devem ser destinadas à educação profissional técnica de nível médio, prioritariamente na forma de cursos integrados, para os concluintes do ensino fundamental e para o público da educação de jovens e adultos.

Entre os cursos técnicos que oferecemos, portanto, temos os cursos integrados, concomitantes e subsequentes ao Ensino Médio. Qual a diferença entre cada um?

No curso técnico integrado ao Ensino Médio, o aluno faz o Ensino Médio junto com um curso técnico no IFSC. No curso técnico concomitante ao Ensino Médio, o aluno faz só o curso técnico no IFSC ao mesmo tempo em que cursa o Ensino Médio em outra escola. Já o curso técnico subsequente ao Ensino Médio, o aluno faz só o curso técnico no IFSC após ter concluído o Ensino Médio.

Curso técnico integrado: também conhecido como “Ensino Médio Técnico”

Os cursos técnicos integrados ao Ensino Médio são aqueles cuja formação técnica e básica ocorrem de forma integrada, numa perspectiva de formação humana integral. E o que isso significa?

Primeiro, integrar formação técnica e básica significa possibilitar ao estudante, com uma mesma matrícula no IFSC, cursar, ao mesmo tempo, um curso técnico e o Ensino Médio, ambos no IFSC. 

E isso não ocorre de forma desarticulada, por exemplo, realizando as unidades curriculares do Ensino Médio primeiro e depois as do técnico. O grande diferencial é, justamente, integrar os conhecimentos de um determinado curso técnico aos conhecimentos do ensino médio.

Uma observação: há algumas pessoas que, no passado, chegaram a fazer só o Ensino Médio no IFSC (na época, ainda éramos Escola Técnica e Cefet-SC - a gente conta sobre nossa história neste outro post aqui). Na verdade, elas entraram em cursos técnicos integrados, mas, durante um período o currículo era separado - o que permitia que cursassem as disciplinas de cultura geral em três anos e recebessem o certificado de conclusão do Ensino Médio. Aí alguns acabam fazendo só isso sem cursar as disciplinas do curso técnico. O decreto 5154/2004 reintegrou a modalidade profissionalizante e o Ensino Médio, que é o que temos até hoje.

Portanto, hoje, não tem como você fazer só disciplinas do Ensino Médio com a gente. Ou você faz todo o curso e sai com o diploma de conclusão de Ensino Médio mais o certificado de curso técnico ou, caso desista no meio, sai sem nenhum dos dois. Não faça isso com a gente! 🥺 E se você quiser fazer só o curso técnico, aí temos as outras modalidades que já citamos ali em cima - concomitante e subsequente.

O bacana é que, no nosso curso integrado, as disciplinas de Ensino Médio acabam sendo direcionadas ao aprendizado do curso técnico, o que dá ainda mais sentido para o conhecimento. Quer um exemplo?

Temos a disciplina de Física, comum ao Ensino Médio. Quem faz nosso curso técnico integrado em Edificações terá o conteúdo de corrente e resistências elétricas articulado à unidade curricular de Projeto e Instalações elétricas. Portanto, o estudante poderá aplicar os conhecimentos da Física para projetar e construir um quadro de distribuição de energia de uma casa, inclusive realizando atividades práticas nos laboratórios.Não é bacana?! Aquela pergunta básica que muitos se fazem “pra que eu tô aprendendo isso?” já é explicada nas aulas práticas. 

Veja que divertida esta competição de pontes feitas com macarrão da qual participaram alunos do curso técnico integrado em Edificações do Câmpus Criciúma:


Como é possível integrar os currículos?

O pedagogo Igor Guterres Faria, que atualmente é nosso coordenador de cursos técnicos, destacou alguns princípios importantes para o desenvolvimento dos currículos dos nossos cursos técnicos integrados ao Ensino Médio:

- Assegurar, nos projetos pedagógicos de cursos técnicos integrados, atividades didático-pedagógicas que articulem ensino, pesquisa e extensão;
- Garantir a realização de práticas profissionais que possibilitem ao estudante o contato com o mundo do trabalho e assegurem a formação teórico-prática intrínseca ao perfil de formação técnica, por meio de atividades profissionais, projetos de intervenção, experimentos e atividades em ambientes especiais, tais como: laboratórios, oficinas, empresas pedagógicas, ateliês, dentre outras.
- Prever, nos projetos pedagógicos de cursos técnicos integrados, carga horária específica para Prática Profissional Integrada (PPI), a ser desenvolvida ao longo do curso, a fim de promover o contato real e/ou simulado com a prática profissional pretendida pela habilitação específica. Além disso, articular a integração horizontal e vertical entre os conhecimentos da formação geral e da formação específica com foco no trabalho como princípio educativo.
- Garantir, nos projetos pedagógicos de cursos técnicos integrados, o Estágio Curricular Supervisionado não Obrigatório como forma de oportunizar aos estudantes a possibilidade de contato com o mundo do trabalho.

O currículo construído e desenvolvido nestes cursos tem como base a ciência, a cultura, o trabalho e a tecnologia, fundamentos importantes para a formação humana integral do estudante. Aliás, a formação integral que tanto falamos por aqui pressupõe a articulação de todas as dimensões da vida do estudante. Assim, com a integração da formação técnica à básica, as finalidades educacionais se amplificaram, pois, além de formar nossos alunos para uma determinada profissão, possibilita que eles compreendam o mundo do trabalho articulando ciência, cultura, trabalho e tecnologia, posicionando-se diante destas dimensões de forma mais crítica e autônoma, sendo capaz de intervir e (re)construir a sua realidade.

Esse tipo de curso pode levar o estudante a ir além. E não é só maneira de dizer não. Sabia que um projeto feito por alunos do nosso curso técnico integrado de Informática do Câmpus Xanxerê já foi parar no espaço? 😱 Leia aqui sobre o experimento que permitiu aos estudantes conhecerem a Nasa.

Alunos do IFSC num laboratório

Qual a duração do curso técnico integrado do IFSC?

Os Ensino Médios regulares têm duração de três anos: o primeiro ano, o segundo ano e o famoso terceirão. No caso do IFSC, a maioria dos cursos técnicos também têm uma duração de três anos, no entanto, os projetos pedagógicos de alguns cursos preveem uma duração maior, com quatro anos. 

O que muda também é a carga horária dos nossos cursos. Como as disciplinas do Ensino Médio e os da formação técnica ocorrem de forma integrada, nossa carga horária pode ser maior e,  por isso, alguns cursos possuem atividades em dois turnos em alguns dias da semana.

O aluno pode fazer só o Médio no IFSC? 

Não. Como falamos lá em cima, conforme a Lei 11.892/2008, o IFSC não oferta cursos de Ensino Médio regular, apenas cursos técnicos integrados ao Ensino Médio. Portanto, ao se matricular no IFSC o aluno deverá cumprir o que é planejado no projeto pedagógico de cada curso. 

Existe algum tipo de certificação parcial?

Já explicamos que não tem como alguém atualmente sair só com o diploma de Ensino Médio do IFSC sem finalizar todo o curso técnico integrado. Porém, para as disciplinas técnicas é um pouco diferente. A instituição estimula que os projetos pedagógicos de curso prevejam o que chamamos de certificações intermediárias. Desta maneira, caso o estudante desista de alguma etapa, ele poderá ter direito ao certificado em algumas qualificações, seguindo alguns critérios, se assim estiver planejado no projeto pedagógico

Tomando novamente como exemplo o curso Técnico em Edificações, se o aluno conclui o 1º e o 2º ano do curso, ele terá a certificação intermediária de Almoxarife de Obras. Para saber se o curso que você quer fazer tem essa previsão, você pode consultar as informações disponíveis em nosso Guia de Cursos ou entrar em contato com a coordenação do curso.

Qual a certificação final?

Ao concluir nosso curso técnico integrado, o(a) aluno(a) será certificado(a) como técnico em determinada área. E aí temos nossos diversos cursos: técnico em Química, técnico em Edificações e por aí vai. Essa certificação também comprova a conclusão do Ensino Médio.

Veja o exemplo de diploma que quem conclui nosso curso recebe:

Exemplo de diploma de Ensino Médio Técnico do IFSC

Quais os cursos técnicos integrados do IFSC?

Em 2019, ofertamos 57 cursos técnicos integrados nos seguintes câmpus: Araranguá, Caçador, Canoinhas, Chapecó, Criciúma, Florianópolis, Garopaba, Gaspar, Itajaí, Jaraguá do Sul, Joinville, Palhoça, São Carlos, São José, São Miguel do Oeste e Xanxerê.

No nosso Guia de Cursos, é possível ver todos os cursos técnicos integrados que temos. 

-> Clique aqui para visualizar nossos cursos técnicos integrados
 
Neste momento, estamos com vagas abertas para 39 cursos desse tipo - que chamamos também de Ensino Médio Técnico - em 16 cidades.

-> Veja as vagas disponíveis para o Ensino Médio Técnico do IFSC com início em 2021.1

Post de divulgação do Ensino Médio Técnico do IFSC 2021 - Inscrições abertas

Todos o nossos cursos técnicos integrados são presenciais. Em função da pandemia, no entanto, os alunos tiveram aulas de forma remota, o que pode ainda se manter para quem iniciar os cursos no primeiro semestre de 2021. Neste caso, os alunos desses cursos - como de todo o IFSC - terão atividades não-presenciais (ANP)

Novo Ensino Médio: como ficam nossos cursos técnicos integrados?

Não sei se você já leu algo a respeito, mas está em discussão em âmbito nacional o novo Ensino Médio. A Lei nº 13.415/2017 alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e estabeleceu uma mudança na estrutura do Ensino Médio, ampliando o tempo mínimo do estudante na escola de 800 horas para 1.000 horas anuais e definindo uma nova organização curricular, mais flexível, que contemple uma Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e a oferta de diferentes possibilidades de escolhas aos estudantes, os itinerários formativos, com foco nas áreas de conhecimento e na formação técnica e profissional.

-> Acesse o site oficial sobre o Novo Ensino Médio

Como isso irá afetar nossos cursos ainda é um ponto bastante sensível e que está em discussão na Rede Federal, que inclui os Institutos Federais de todo o país. O Fórum de Dirigentes de Ensino do Conif, composto pelos pró-reitores de Ensino de todos os Institutos Federais, inclusive, produziu um documento, em 2018, chamado Diretrizes Indutoras para a oferta de cursos técnicos integrados ao Ensino Médio na Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica

Resumidamente, este documento tem por objetivo a defesa do Ensino Médio integrado nos moldes como ele é ofertado hoje. Os integrantes do Fórum entendem que o novo Ensino Médio, materializado pela BNCC, traria prejuízos à ideia de currículo integrado e, por conseguinte, à formação humana integral. 

Após a divulgação deste documento foi proposta a sua discussão nos Institutos Federais. O objetivo é fortalecer ou criar diretrizes de orientação de oferta do Ensino Médio integrado, como base nas diretrizes indutoras, sendo devidamente debatidas e regulamentadas pelos Conselhos Superiores de cada instituição. O IFSC tem um grupo de trabalho dedicado a  essas diretrizes e ainda não tem previsão para conclusão das atividades.

Gostou deste post? Ficou com alguma dúvida? Escreve pra gente no e-mail blog@ifsc.edu.br.

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