As emoções da pandemia e como lidar com elas

BLOG DO IFSC Data de Publicação: 24 mar 2021 08:52 Data de Atualização: 24 mar 2021 09:40

Desde o início da pandemia, há um ano, nossas vidas estão bem diferentes. Sentimos medo do desconhecido, raiva do isolamento social, tristeza em perder pessoas próximas. As emoções ficaram mais intensas, parecendo até um “trem desgovernado” em alguns momentos. 

Gif de mulher alternando rapidamente as emoções

E a necessidade de saber o que fazer com cada um desses sentimentos também se intensificou. Nunca se falou tanto sobre saúde mental e inteligência emocional. E que bom! 

Entre tantos grandes nomes que estudam a mente humana, o psicólogo Paul Ekman é um dos profissionais que se dedica ao estudo das emoções. Seu trabalho apresenta seis emoções básicas: raiva, repulsa, medo, alegria, tristeza e surpresa.

As seis emoções básicas. Imagem em “O livro da Psicologia”

No livro “A linguagem das emoções”, Paul afirma que as emoções podem ter a força de um “trem desgovernado” e compreendê-las melhor pode ajudar a superar distúrbios mentais. 

Ok! Mas e agora? O que fazer com nossas emoções? Como compreendê-las e conseguir modificar o que elas despertam e os comportamentos que provocam? 

Para nos dar uma orientação, conversamos com o psicólogo do Câmpus Chapecó do IFSC, Alan Panizzi. Veja o que ele nos recomendou:

Primeiro passo: não fuja das emoções

Sim, exige um grande esforço compreender e administrar nossas emoções. O primeiro passo é perceber a si próprio de uma maneira mais sensível, sem tentar fugir dos sentimentos.

-> Veja esta série de rodas de conversa que rolou com estudantes do Câmpus Chapecó sobre as emoções básicas a partir dos estudos de Paul Ekman

Quer um exemplo? Alan conta que a queixa mais comum dos estudantes do Câmpus Chapecó tem sido a falta de concentração para estudar e fazer trabalhos. Aqui entra a importância de compreender as emoções, já que a falta de concentração está atrelada à falta de organização que, por sua vez, pode estar atrelada, por exemplo, à emoção do medo.

E aí vem a avaliação de Alan: “Na medida que a gente conversa com mais calma e avalia a rotina deles, eu tenho percebido que essa pessoa (não só os estudantes) está muito desorganizada a nível pessoal também, está machucada, com medo. Isso também ocorre devido a dificuldade de adaptação às mudanças."

Outra consequência de emoções como medo, raiva e tristeza pode ser a anestesia de si e dos outros. Porém, ao anestesiar os sentimentos, não deixamos de senti-los, mas, ao contrário, os vivemos de uma forma menos saudável.

Leia outro exemplo do nosso psicólogo sobre isso: se estou com muita raiva pela maneira como minha vida está organizada e eu engulo essa raiva, o mais provável é que isso vá balançar outras coisas da vida de uma maneira não intencional. Daqui a pouco, não vou estar dormindo, vou começar a ter rigidez no meu corpo, sentir mais necessidade de comer e por aí vai.

Segundo passo: reflita sobre suas ações

Quando começamos a compreender nossas emoções conseguimos pensar o porquê das nossas ações e refletimos se elas estão sendo causadas em razão de sentimentos como o medo, a raiva, a tristeza ou outro. Afinal, quando as coisas ao nosso redor se desorganizam, internamente também ocorrem mudanças e começamos a acionar alguns mecanismos de defesa em relação ao que sentimos. Nesse momento, é natural a busca por atividades prazerosas, que tragam algum tipo de conforto - como comer doces, fazer compras e ingerir bebidas alcoólicas. 

Só que esse comportamento em excesso pode trazer prejuízos para a vida pessoal, acadêmica e profissional. Isso porque você pode buscar aliviar uma tensão sem conseguir perceber a sua origem.

Para evitar isso, uma sugestão é refletir sobre como estava sua rotina, sua casa e seu corpo antes da pandemia e como estão agora (fazer isso usando lápis e papel ao invés de só pensar pode ajudar). O objetivo é tentar reorganizar esses eixos de uma forma mais respeitosa consigo mesmo. 

Terceiro passo: inicie uma reorganização

Como percebemos acima, iniciar uma reorganização na vida pessoal, nos estudos e no trabalho requer observação. Quando observamos nossa rotina, nosso lar e nosso corpo, nós temos elementos importantes para perceber que mudanças estamos vivendo e que emoções vão surgindo ao longo do nosso dia. A auto-observação é um convite para nos sensibilizarmos e, quem sabe, desacelerarmos para ter mais liberdade de decidir o que fazer com essas emoções que surgem e o que fazer com nossos comportamentos diante dessas situações que nos desorganizam.

Após tomar essa consciência, procure reorganizar sua rotina para que seja mais respeitosa consigo mesmo. Aí vão algumas dicas:

- Mude os lugares e horários de trabalho/estudo
- Organize sua alimentação e seu descanso
- Faça atividades agradáveis que contribuam com sua saúde física e mental, como caminhadas ao ar livre e meditação
- Mantenha contato com familiares e amigos, mesmo que por videochamada
- Não tenha medo ou vergonha de falar de suas emoções
- Não se cobre em estar bem o tempo todo, afinal todos estamos passando por um momento muito difícil
- E, se precisar, busque ajuda psicológica profissional

Leia mais dicas sobre isso em outros posts que já fizemos aqui no Blog do IFSC:

-> Como se manter ativo durante o distanciamento social?
-> Como não pirar com o coronavírus?
-> Como manter a saúde mental nesta pandemia?
-> Como organizar sua rotina de estudos?

Vamos, inclusive, relembrar esta orientação que a psicóloga do IFSC Milena Garcia da Silva nos deu no ano passado sobre como enfrentar este momento da pandemia e que continua valendo:

Quarto passo: Encontre a sua maneira

Por fim, é importante dizer que não existe uma fórmula universal. Observe você mesmo, suas emoções e suas ações. Ache a sua maneira de se sentir bem. 

Precisa de ajuda?

Está precisando de ajuda? O IFSC dispõe de acolhimentos psicológicos individuais e em grupo para nossos estudantes. Veja aqui o contato do Núcleo Pedagógico do seu câmpus e entre em contato. 

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