IFSC participa de entrega da revisão do Plano Estadual de Resíduos Sólidos

PESQUISA Data de Publicação: 18 ago 2026 15:10 Data de Atualização: 18 ago 2026 15:20

A Rede Cooperativa Estadual de Pesquisa em Resíduos Sólidos (RCEPRS), composta por instituições de ensino do estado, dentre elas o IFSC, a UFSC, a Udesc e a UFFS, entregou os resultados do diagnóstico, proposições e cenários para revisão do Plano Estadual de Resíduos Sólidos de Santa Catarina (PERS/SC). 

Agora, o documento está em fase de consulta pública até dia 20 de agosto, na página da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e da Economia Verde (Semae)

O documento está dividido em quatro cadernos temáticos e o formulário para registro das contribuições. Podem participar cidadãos, órgãos públicos, entidades representativas, instituições de ensino e pesquisa, organizações da sociedade civil interessados em aprimorar o PERS/SC.

As instituições foram contratadas pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação de Santa Catarina (Fapesc) e chancelada pelo grupo de sustentação do projeto, composto por membros da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), Federação Catarinense dos Municípios (Fecam), Instituto do Meio Ambiente (IMA) e Secretaria de Estado do Meio Ambiente e da Economia Verde (Semae) com o objetivo de atualizar o PERS/SC. “O último plano estadual foi publicado em 2018, tendo como referência o ano de 2016 e era necessário atualizá-lo. Pela primeira vez, as instituições de ensino do estado atuaram diretamente na revisão do plano”, explica o professor Cássio Aurélio Suski, do Câmpus Itajaí, um dos envolvidos na pesquisa.  

Para o levantamento dos dados, o estado foi dividido em seis mesorregiões, sendo que pesquisadores do IFSC atuaram no estudo referente à mesorregião Sul, com 46 municípios em estudo coordenado pelo professor Juliano Gomes, do Câmpus Garopaba, e no Vale do Itajaí, com 54 municípios, com participação do professor Cássio Suski e estudantes do Câmpus Itajaí junto à equipe coordenada pela Furb. “No caso do Câmpus Itajaí, nós fizemos o levantamento a partir de Vidal Ramos, Botuverá até parte do litoral Norte. Coletamos desde dados primários, junto às prefeituras dos municípios, a dados secundários a partir do Manifesto de Transporte de Resíduos (MTR) viabilizado pelo IMA e pelo Ministério do Meio Ambiente, que é um documento obrigatório que serve para rastrear, monitorar e controlar a geração, o transporte e a destinação final de resíduos sólidos (industriais, de saúde, da construção civil, entre outros), em que conseguimos verificar o volume, a classe do resíduo, de onde saiu e para onde foi”, explica o professor Cássio Suski. 

A pesquisa tem como referência o ano de 2024 em que foram coletados, por exemplo, mais de 2.471 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos no estado, sendo que o maior gerador é a unidade de Florianópolis, com mais de 544 mil toneladas, seguida de Itajaí, com 340 mil toneladas anuais. Segundo o estudo, quando se analisa a composição gravimétrica, ou seja, quando se separa, classifica e pesa os materiais, chega-se a um volume total de 42,7% resíduos orgânicos, 34,8% de recicláveis e 22,6% de rejeitos. 

O estudo também mostrou que mais de 94% da população de Santa Catarina tem acesso à coleta convencional de resíduos, o que supera a média nacional que é de 92,6%. Quando se avalia a coleta seletiva, 132 municípios do estado ofertam esse serviço, o que corresponde a 44,7% do total. Isso significa que 162 municípios declararam não possuir um sistema de coleta seletiva estruturada. Dos materiais reciclados, o maior volume foi de fragmentos de rocha, o equivalente a 105 mil toneladas, que costumam ser reutilizados pela construção civil como agregado para tijolos e concreto, seguido de papel com 61 mil toneladas e metal com 52 mil toneladas.

A pesquisa analisa ainda resíduos de logística reversa, serviço de saúde, industriais, agrosilvopastoris, saneamento básico, serviço de transporte, construção civil, mineração e lixo no mar. No caso do Câmpus Itajaí, além dos dados de aparte da mesorregião do litoral Vale do Itajaí, a equipe do IFSC ficou responsável por sistematizar as informações referentes aos resíduos da construção civil do estado. Segundo o levantamento as unidades de Joinville e Itajaí respondem por mais de 75% do total que é de mais de 1,371 milhões de toneladas por ano. Do total de resíduos gerados, a maior parte vai para reciclagem onde costuma ser utilizada para a confecção de blocos. A parte não aproveitada é depositada em aterros.  

O estudo também faz um prognóstico com cenários a curto prazo de 2027 a 2030, médio prazo de 2031 a 2037 e a longo prazo de 2038 a 2044. Dentre as metas a longo prazo estão garantir que todos as cidades tenham planos municipais ou intermunicipais de gestão de resíduos sólidos, que cada município tenha ao menos um servidor municipal permanente ou de associação capacitado formalmente em gestão de resíduos ou quadro técnico e que seja feita a criação de uma gerência estadual atribuída ao órgão gestor dos resíduos. 

O professor Juliano Gomes, do Câmpus Garopaba, explica que após a consulta pública, as sugestões serão sistematizadas e as que forem pertinentes serão incorporadas ao PERS/SC. As instituições integrantes da Rede Cooperativa terão até o dia 19 de setembro para realizar esta análise e encaminhar o documento atualizado para a empresa que fará o relatório final. Este documento será entregue ao Governo do Estado em cerimônia pública, com data a ser marcada, sinalizando o encerramento do trabalho da Rede.

Segundo o professor Juliano, foi importante para o IFSC participar da elaboração deste documento, que representa a implementação da Política Estadual de Resíduos Sólidos. “Foi uma oportunidade de trabalharmos com uma pesquisa em rede, com profissionais qualificados, o que eleva o nível das pesquisas na nossa instituição. Também foi uma oportunidade para os estudantes e profissionais bolsistas contratados”, destaca.

Rede Cooperativa Estadual de Pesquisa em Resíduos Sólidos (RCEPRS)

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