Agosto Dourado: Especialistas do IFSC desmistificam a amamentação e explicam a "mágica" do leite materno

INSTITUCIONAL Data de Publicação: 19 ago 2026 12:55 Data de Atualização: 19 ago 2026 13:03

O aleitamento materno é um tema de saúde pública que envolve não apenas a mãe e o bebê, mas toda a sociedade. Durante o Agosto Dourado, mês dedicado à promoção, à proteção e ao apoio à amamentação, professoras especialistas do Câmpus Florianópolis do IFSC reforçam a importância da informação qualificada e da criação de redes de apoio para as famílias.

O assunto foi debatido no episódio 18 do podcast Cidadania & Ciência, produção do Câmpus Florianópolis do IFSC. Participaram do programa as professoras Juliana Jacques da Costa Monguilhott e Juliana Fernandes da Nóbrega, ambas do Câmpus Florianópolis. Doutora em Enfermagem pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Juliana Monguilhott atua na área de atenção à saúde da mulher e do recém-nascido. Juliana Nóbrega também é formada pela UFSC, é especialista em Saúde Pública e mestre e doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da universidade.

Segundo as professoras, embora a amamentação seja frequentemente apresentada como um processo natural, ela envolve desafios e requer orientação e acompanhamento. “A gente precisa trazer para a sociedade esses temas que são tão relevantes e, às vezes, acabam sendo banalizados, por ser algo visto como natural, como se toda mulher soubesse amamentar e como se o bebê já nascesse sabendo mamar”, explica Juliana Monguilhott.

A professora Juliana Nóbrega destaca que o Agosto Dourado é um período de celebração, mas também de alerta. O leite materno é considerado o alimento padrão-ouro para o bebê e oferece fatores de proteção à saúde da mãe e da criança, com efeitos a curto, médio e longo prazo. A recomendação é que o aleitamento materno seja exclusivo até os seis meses de vida. Depois desse período, a amamentação deve continuar, de forma complementar, até os dois anos ou mais, conforme orientação dos órgãos de saúde e as condições de cada família. As especialistas ressaltam que o leite materno é um alimento vivo e personalizado, cuja composição se adapta às necessidades do bebê. O colostro, produzido nos primeiros dias após o parto, é rico em anticorpos e contribui para a proteção inicial da criança.

Além dos benefícios para o bebê, a amamentação também protege a saúde da mulher. Entre os efeitos apontados pelas professoras estão a redução do risco de hemorragia pós-parto e a contribuição para a prevenção do câncer de mama. O aleitamento também está relacionado à redução de doenças e internações infantis, especialmente por problemas respiratórios. As professoras explicam que as dificuldades para amamentar são multifatoriais e podem estar relacionadas à pega, à posição do bebê, à produção de leite, ao cansaço, ao estresse e à falta de apoio. Por isso, cada dupla formada pela mãe e pelo bebê deve ser acompanhada de maneira individualizada. “A informação e o suporte definem muita coisa. Fisiologicamente, a grande maioria das mulheres poderia amamentar, mas, na primeira semana, quando ela já teve alta da maternidade, o bebê muitas vezes ainda não consegue abrir bem a boca, a mulher pode ter dificuldade, se machucar e, sem suporte, é muito fácil desistir”, afirma Juliana Monguilhott.

As especialistas também reforçam que não existe “leite fraco”. De acordo com Juliana Nóbrega, o leite produzido por cada mulher é adequado para o próprio bebê. Quando surgem dificuldades, é necessário avaliar a situação e fazer os ajustes necessários, com o apoio de profissionais de saúde. A rede de apoio é outro fator fundamental. Companheiros, familiares, colegas de trabalho, instituições de ensino e empregadores podem contribuir para que a mulher tenha condições de descansar, alimentar-se, buscar atendimento e manter a amamentação pelo tempo desejado.

“A amamentação não é da mulher e do bebê. A amamentação é do parceiro, do vizinho, do colega de trabalho”, observa Juliana Nóbrega. Para as professoras, o retorno ao trabalho é um dos principais fatores associados ao desmame precoce, especialmente quando não há estrutura adequada para a continuidade do aleitamento.

Projetos do IFSC

No Câmpus Florianópolis, o IFSC desenvolve ações relacionadas à saúde materno-infantil por meio do ensino, da pesquisa e da extensão. Entre elas está o projeto de extensão Gestar em Família, que há mais de 12 anos promove encontros gratuitos para gestantes e acompanhantes. As atividades abordam temas relacionados à gestação, ao parto, ao pós-parto e à amamentação. Os encontros são realizados no período noturno para facilitar a participação dos acompanhantes. Uma nova turma deve ser aberta no final de agosto. Outro destaque é o Ambulatório de Amamentação, coordenado pela professora Juliana Fernandes da Nóbrega.

O projeto surgiu durante a pandemia de Covid-19, inicialmente com atendimento on-line e gratuito para mulheres de todo o país. Atualmente, a iniciativa atua em parceria com a rede pública de saúde de Florianópolis, incluindo unidades básicas e a Policlínica da Mulher e da Criança. O ambulatório oferece atendimento especializado e apoio em situações como dificuldades na amamentação e lesões mamárias. A equipe também utiliza laserterapia em casos indicados e busca ampliar a oferta de atendimento à comunidade.

As professoras defendem ainda a criação de uma sala de apoio à amamentação no câmpus. O espaço poderia atender estudantes, servidoras e trabalhadoras terceirizadas, permitindo a amamentação ou a ordenha e o armazenamento adequado do leite materno.

Ensino e pesquisa

O IFSC também oferece o Curso Técnico em Enfermagem, que prepara profissionais para atuar em diferentes áreas da saúde. Durante a formação, os estudantes têm contato com conteúdos relacionados à saúde da mulher e da criança, além de experiências práticas desde a primeira fase do curso. “A amamentação é multifatorial e é uma questão da sociedade. Às vezes, esse técnico de enfermagem não vai trabalhar diretamente com amamentação, mas pode encontrar uma puérpera com dificuldade no seu local de trabalho e saber orientar e identificar que existe um problema”, explica Juliana Nóbrega.

Na área da pesquisa, o câmpus participa de um estudo fomentado pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc). A pesquisa acompanha crianças nascidas em 2026, com coleta de dados em maternidades catarinenses, para identificar fatores que podem interferir no aleitamento materno. O acompanhamento prevê avaliações no nascimento e aproximadamente aos como um, três e seis meses e um ano de vida. Os resultados poderão contribuir para o planejamento de ações e políticas públicas de saúde no estado.

O episódio do podcast Cidadania & Ciência com as professoras Juliana Monguilhott e Juliana Nóbrega está disponível na internet e também é veiculado pela Udesc FM às terças-feiras pela manhã.

Veja o episódio completo:



 

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