ESTUDE NO IFSC Data de Publicação: 09 abr 2026 15:13 Data de Atualização: 09 abr 2026 15:14
Aos 19 anos, a recém-formada Gabriela Albuquerque Macedo já vive uma conquista que muitos estudantes levam tempo para alcançar: ingressar no mercado de trabalho na própria área de formação, e mais do que isso, no mesmo lugar onde construiu sua trajetória acadêmica, o Câmpus Palhoça Bilíngue do IFSC.
A cerimônia de formatura no curso técnico integrado de Tradução e Interpretação de Libras-Português ocorreu em 6 de março e, na semana seguinte, ela já havia sido contratada como tradutora e intérprete de Libras na instituição. A oportunidade surgiu após atuar como freelancer na área, há mais ou menos um ano, e se preparar previamente para processos seletivos. “Em janeiro, eu havia organizado e enviado o meu currículo, quando soube que abririam vagas. Em março, surgiu a necessidade de mais uma contratação e eu fui chamada”, conta.
A escolha pelo curso aconteceu quase por acaso. Aos 15 anos, Gabriela descobriu o câmpus por meio de uma colega e decidiu tentar uma vaga. “Era o curso que eu achava que mais combinava comigo. Eu ainda não tinha dimensão de toda a parte profissional, mas tinha um forte interesse pela língua de sinais”, relembra.
O primeiro contato com a Libras, no entanto, ocorreu ainda na infância, quando estudou com uma colega surda, aos 9 anos. Apesar disso, o aprendizado mais aprofundado só aconteceu durante o curso. “Quando cheguei ao IFSC, precisei aprender e reaprender tudo”, afirma.
Formação além da sala de aula
Durante os quatro anos de curso, Gabriela participou de diversas atividades que contribuíram para sua formação, como projetos institucionais, eventos e experiências práticas. Ela atuou como monitora e estagiária na área de tradução e interpretação, além de integrar iniciativas como o Seminário de Ensino, Pesquisa e Extensão (Sepei) e a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT).
Para ela, a formação vai além do aspecto técnico. “O contato com as pessoas, a língua de sinais e a história do sujeito surdo ajudaram a construir melhor a minha visão de mundo e contribuíram para a minha empatia com o outro”, destaca.
A coordenadora do curso, professora Silvana Nicoloso, explica que essa integração entre teoria e prática é um dos diferenciais da formação. “O curso prepara os estudantes de forma direta e aplicada, com simulações de situações reais, uso de laboratórios e produção de conteúdos acessíveis. Isso faz com que o aluno saia com experiência prática, algo muito valorizado pelo mercado”, afirma.
Segundo ela, há uma demanda crescente por profissionais qualificados na área, especialmente em contextos que exigem acessibilidade comunicacional. “O profissional formado pode atuar em escolas, eventos, empresas, serviços de saúde, produção audiovisual e diversos outros espaços”, explica a coordenadora.
Inserção no mercado e novos planos
Gabriela acredita que a formação técnica foi essencial para conquistar a vaga. “Eu tinha uma qualificação reconhecida e todos os conhecimentos teóricos e práticos adquiridos ao longo do curso, que me prepararam para o trabalho”, diz.
No dia a dia profissional, ela destaca os desafios positivos da atuação no ambiente acadêmico e o aprendizado constante ao lado de profissionais mais experientes. “Tenho contato direto com pessoas surdas, e isso tem me acrescentado muito profissionalmente”, relata.
Além de iniciar a carreira, Gabriela também deu continuidade aos estudos e ingressou no ensino superior na área. Para o futuro, ela pretende seguir se especializando. “Espero estar formada na graduação de Letras-Libras e iniciar uma pós-graduação, seguindo com os estudos e trabalhando como intérprete, quem sabe como concursada”, projeta.
Um curso que transforma
A trajetória de Gabriela também é lembrada pela coordenadora do curso como exemplo de dedicação. “Ela sempre foi uma estudante exemplar, com postura ética, autonomia e comprometimento. Desde o início dizia que queria ser intérprete e levou o curso muito a sério”, destaca Silvana.
Para quem pensa em seguir o mesmo caminho, Gabriela deixa um conselho: persistência. “É um curso cheio de oportunidades e que agrega conhecimento para a vida. Entendam que tudo é um processo e cada um tem o seu tempo. Sejam humildes”, orienta.
Ao resumir sua experiência, ela não hesita: “É um curso transformador, que muda seu jeito de ver o mundo”.
O vídeo sinalizado dessa notícia foi traduzido por Gabriela.