Desafio Caixa Misteriosa reúne alunos e egressos do curso de gastronomia em competição no IFSC

EXTENSÃO Data de Publicação: 19 jun 2026 10:55 Data de Atualização: 19 jun 2026 11:56

Criatividade, técnica e capacidade de improvisação foram os principais ingredientes da primeira edição do Desafio Caixa Misteriosa, que transformou a cozinha do Câmpus Florianópolis-Continente do IFSC em um espaço de aprendizagem prática na manhã da última quinta-feira, 18 de junho. A competição reuniu estudantes e egressos do curso superior de tecnologia em Gastronomia e marcou a abertura das comemorações pelo aniversário de duas décadas do câmpus. 

A ideia do desafio surgiu de um processo coletivo com a turma da unidade curricular de extensão. Segundo a professora Bruna Dorabiallo, responsável pela disciplina ao lado da professora Nicole Pelaez, a proposta foi construída em conjunto. “A gente busca envolver os alunos no momento criativo, no desenvolvimento de ideias. Eles queriam uma atividade diferente para concluir o semestre, e fomos construindo isso coletivamente até chegar à Caixa Misteriosa. O nome, o formato, tudo foi escolhido por eles”, destacou. 

Ainda de acordo com Bruna, a proposta também dialoga com a história do câmpus. “Desde o início, a gente quis algo que fosse para a nossa comunidade, que celebrasse esses 20 anos formando alunos na área de alimentos. É um momento de dar visibilidade ao que construímos aqui”, afirmou.   

Para a professora Nicole Pelaez, atividades como essa são essenciais na formação dos estudantes. “Quando o aluno trabalha com o processo criativo, ele consegue aplicar tudo o que foi construído ao longo de um processo de aprendizagem. Eles aplicam na prática, sem seguir uma instrução, sem seguir um modelo. É de extrema importância não somente para o aluno envolvido na criação do prato, mas também para aquele que está envolvido na construção desse evento. Então, todos os lados estão ganhando nessa dinâmica de hoje”, avalia. 

A ação realizada no Câmpus Florianópolis-Continente teve ainda caráter solidário. A participação estava condicionada à doação de alimentos ou produtos de higiene, que serão destinados à instituição Casa Lar Luz do Caminho, de Florianópolis, que atende crianças em situação de vulnerabilidade social (para conhecer o trabalho, acesse o perfil da Casa Lar Luz do Caminho).  

Talento contra o tempo 

Com o camarão como ingrediente obrigatório e uma seleção surpresa de insumos, os participantes assumiram o protagonismo desde a concepção da proposta até a execução final do prato. Além da proteína, a caixa continha ingredientes como mandioca, laranja, gengibre, tomate, limão, salsão e alga desidratada; também estavam disponíveis para uso livre alguns temperos e grãos. O camarão e a alga foram doados pelo Laboratório de Camarões Marinhos da Universidade Federal de Santa Catarina (LCM/UFSC). 

Os participantes tiveram 15 minutos para planejar o prato e organizar a bancada. Em seguida, contaram com 1 hora e 15 minutos para executar a receita e apresentá-la aos jurados. O grupo de avaliadores foi formado pelos professores Caio Monti (coordenador do curso), Janaína Peixer (jurada convidada) e Vini de Luca (diretor-geral do câmpus). Os critérios incluíram apresentação, uso do ingrediente obrigatório, criatividade, técnica e organização. 

Ao final, o primeiro lugar ficou com o egresso Henrique André Lazzarotto, formado em 2020, que apresentou um creme de mandioca com bisque de camarão e farofa de alga. Em segundo lugar ficou Micahel Figueiredo Rittl, com um crudo de camarão azul com espuma de hollandaise; e, em terceiro, Vitor Dortzbach, com um pirão de mandioca com gengibre e camarões.  

O campeão Henrique explicou que buscou explorar diferentes texturas e aproveitar ao máximo os ingredientes disponíveis. “Eu tentei trazer contrastes. O camarão estava levemente selado, mais crocante, enquanto a bisque aproveita os insumos para dar mais sabor e corpo. Já o creme de mandioca traz uma sensação mais aconchegante”, relatou. 

Para ele, o desafio também cumpre um papel importante na formação dos estudantes. “Esse tipo de evento motiva os alunos a buscarem processos fora da sala de aula, aproxima da realidade do mercado e traz visibilidade para a instituição”, destacou. 

 

Participação discente 

Um dos pilares do evento foi a atuação direta dos estudantes na organização. A aluna Bianca Zomer, integrante da equipe organizadora, conta que o desafio nasceu ainda na fase de planejamento da unidade curricular de extensão. “A proposta era criar uma ação que unisse prática gastronômica, integração entre alunos e egressos e, no fim, ainda ajudasse a comunidade”, contou. 

Segundo Bianca, a escolha do formato “caixa misteriosa” também foi estratégica para estimular competências fundamentais da área. “Muitos dos insumos do projeto são de parcerias e/ou doações. Assim, usamos como critério ingredientes que fossem versáteis, mas que também permitissem inovação. No fim, todos os participantes receberam exatamente os mesmos itens, garantindo igualdade de condições”, ressaltou. 

Ela ressalta que o principal objetivo das atividades foi ir além da técnica. “A principal motivação foi mostrar que a gastronomia vai além da produção de alimentos e pode ser uma ferramenta de transformação social. Queríamos proporcionar uma experiência enriquecedora para os participantes, estimulando criatividade, técnica e capacidade de adaptação, ao mesmo tempo em que promovíamos uma ação solidária por meio da arrecadação de alimentos e produtos de higiene destinados a uma instituição beneficente”, afirmou. 

Segundo a professora Bruna Dorabiallo, essa dimensão é central na proposta da disciplina. “A extensão não existe sem a comunidade. Demonstramos para os alunos que eles se constroem também nessas interações. É um momento de fortalecer esse vínculo, esse olhar social, através de ações como essa, em que eles conseguem colocar seus conhecimentos e habilidades à disposição da comunidade", finalizou.

Diante do êxito da primeira edição, a expectativa da organização é dar continuidade ao desafio nos próximos semestres, com possíveis adaptações no formato e na dinâmica da competição. A proposta é aperfeiçoar a experiência, incorporando novos elementos e ampliando a participação. Para isso, também há a intenção de buscar parcerias e patrocínios, além de projetar seu alcance para fora da instituição.

 

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