Estudante do IFSC é destaque estadual na Olimpíada Brasileira do Ensino Superior de Química

INSTITUCIONAL Data de Publicação: 09 dez 2025 17:35 Data de Atualização: 10 dez 2025 10:19

A dedicação aos estudos e a curiosidade científica que o acompanham desde a adolescência renderam ao estudante Murilo Colombo de Souza, da licenciatura em Química do Câmpus Criciúma do IFSC, o título de destaque estadual na Olimpíada Brasileira do Ensino Superior de Química (Obesq) 2025.

A conquista surpreendeu até o próprio estudante, que encarou a participação como uma preparação para o Exame Unificado de Química (EUQ), avaliação nacional que serve como porta de entrada para programas de pós-graduação em diversas universidades.

O resultado foi divulgado no dia 27 de novembro. A Obesq é composta por duas fases e exige sólido domínio teórico e capacidade de resolver problemas complexos. Na primeira etapa, com cerca de 30 questões objetivas, Murilo saiu confiante. Já a segunda fase, aplicada na Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), em Tubarão, trouxe o maior desafio: questões discursivas extensas envolvendo química quântica, orgânica e outros conteúdos avançados.

“Eu não esperava um desempenho tão positivo. A prova estava muito difícil, mas eu estava num ritmo intenso de estudo por causa do EUQ. Acho que as duas coisas acabaram se encaixando”, relata. Murilo alcançou a melhor nota do estado, garantindo seu reconhecimento como destaque catarinense.

A conquista chega em um momento decisivo: o estudante concorre a vagas em programas de pós-graduação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), também em São Paulo. Em um deles, o EUQ representa 80% da nota final, enquanto resultados em olimpíadas científicas reforçam o currículo. “Na prova eu fui muito bem, mas no currículo a gente sempre fica inseguro. Então, esse reconhecimento ajuda muito”, completa.

Da curiosidade juvenil ao laboratório

A relação de Murilo com a Química começou cedo. Aos 15 anos, aprovado para o curso técnico em Química do Câmpus Criciúma, encontrou nas dúvidas que sempre o acompanhavam - “Por que isso reage?”, “por que muda de cor?”, “por que é verde e não vermelho?” - o impulso para seguir carreira na área.

Durante a licenciatura, aprofundou o interesse tanto pela pesquisa quanto pelo ensino. “Eu sempre tive paixão por laboratório. Trabalhei como responsável técnico e sempre gostei dessa rotina”, conta. A afinidade com a experimentação o levou ao desenvolvimento de um trabalho de conclusão de curso (TCC) voltado à educação, com foco em práticas experimentais aplicadas em uma escola sem laboratório.

Na escola, ministrou aulas sobre álcoois e demonstrou a oxidação de compostos primários e secundários com materiais simples, aproximando fenômenos abstratos da realidade dos estudantes.

A experiência se soma ao trabalho de pesquisa desenvolvido há dois anos sob orientação do professor Eduardo Alberton Ribeiro, com participação do professor Alisson Rodrigues Rosário. Juntos, já sintetizaram dezenas de moléculas inéditas - um feito que inspira Murilo a trilhar o mesmo caminho. “Quando tu tens professores desse nível ao teu lado, tu acaba sendo motivado. E ainda mais para mim, que amo laboratório e síntese, é algo fenomenal”, destaca.

Da pesquisa à inspiração

Ao longo da graduação, Murilo Colombo de Souza construiu uma trajetória marcada pela pesquisa e pelo contato direto com a prática laboratorial. Sob orientação do professor Eduardo Ribeiro, participou de projetos de iniciação científica na área de química orgânica, com foco no desenvolvimento de quimiossensores cromogênicos voltados à identificação de cátions e ânions em meio aquoso, trabalho no qual sintetizou suas primeiras moléculas inéditas.

Enquanto Eduardo estruturava as rotas sintéticas com base em sua experiência de doutorado, Murilo era responsável pela execução no laboratório. “Era de minha responsabilidade também verificar a pureza do composto sintetizado com colunas de cromatografia e com o infravermelho (FTIR) e realizar os testes em meio aquoso ou até mesmo orgânico com dezenas de cloretos e aminas no espectrofotômetro UV-Vis”, relembra.

Mesmo sem ter desenvolvido projetos de pesquisa com o professor Alisson Rodrigues, Murilo ressalta que ele teve um papel importante ao longo da formação, oferecendo apoio e contribuindo com seus conhecimentos sempre que necessário.

Assim como ocorre em diferentes áreas de estudo, a trajetória acadêmica de Murilo também foi marcada pela influência de docentes que contribuíram para seu crescimento. Tanto o professor Eduardo quanto o professor Alisson se consolidaram como referências ao longo de sua formação, assim como tantos outros, cada um contribuindo de maneira distinta para sua experiência na graduação.

Murilo defendeu na última quinta-feira, 5 de dezembro, seu TCC, intitulado “Explorando funções orgânicas por meio da experimentação: Identificação das principais funções dos álcoois”. O projeto integrou ensino, experimentação e estratégias didáticas aplicadas em sala de aula.

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