EVENTOS Data de Publicação: 30 out 2026 13:52 Data de Atualização: 30 out 2026 15:36
O Câmpus São José do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) realizou, nos dias 26, 27, 29 e 30 de outubro a Mostra Científica e Cultural, uma programação especial em comemoração à Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT). Foram mais de 80 atrações, entre palestras, oficinas, exposições e outras atividades abertas à comunidade. O evento permitiu que estudantes e servidores apresentassem projetos de ensino, pesquisa e extensão desenvolvidos no câmpus.
Em 2026, a SNCT teve como tema “Ciência Delas”, com o objetivo de destacar a contribuição das mulheres para a ciência. A iniciativa é promovida desde 2004, em todo o país, pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
Entre os projetos apresentados no Câmpus São José esteve uma picoleteira didática, desenvolvida por estudantes do curso técnico integrado em Refrigeração e Climatização. O equipamento foi construído para investigar, na prática, a ciência envolvida no congelamento de picolés, no resfriamento de motores e no funcionamento de um ciclo de refrigeração.
Orientador do projeto, o professor Jorge Luiz Pereira explica que a montagem envolveu a adaptação de uma unidade condensadora, a impermeabilização de uma caixa térmica e a instalação dos componentes do sistema de refrigeração. A picoleteira tem capacidade para congelar até 28 picolés em 25 minutos.
O equipamento possibilitou aos estudantes observar conceitos trabalhados em sala de aula, como superaquecimento, sub-resfriamento e troca de calor. Para Jorge, a experiência prática ajuda a dar significado aos conteúdos teóricos. “Uma coisa é tu explicares isso teoricamente e outra coisa é tu fazeres isso na prática. Então, dessa forma, a gente consegue integrar tanto o conhecimento teórico quanto o prático, dando mais sentido, mais significado para aquele conhecimento teórico”, destaca.
A prática ensina
O estudante Adulai Djaló, de 36 anos, está concluindo o curso técnico em Refrigeração e Climatização. Natural de Guiné-Bissau, ele mora em Florianópolis há 14 anos e já é graduado em Engenharia de Energia. Mesmo com a formação anterior, considera que a participação no projeto ampliou seus conhecimentos. “Eu pude colocar na prática o que eu aprendi no curso. Tive a oportunidade de fazer a brasagem do sistema, fazer o vácuo, fazer a carga de fluido e verificar todos esses parâmetros que eu aprendi no curso”, relata.
A estudante Mariah Almeida, de 17 anos, que está na sexta fase do curso, destaca o aprendizado sobre calorimetria. “Na picoleteira a gente vê isso na prática, porque a gente consegue ver o calor saindo da forma de picolé, indo para o fluido, que acaba roubando calor do picolé em si, vai para a evaporadora e dela vai para a condensadora”, explica.
Enquanto uns aprendem, outros ensinam. Estudantes da quarta fase do curso de Refrigeração e Climatização, criaram uma família de equipamentos para explicar o funcionamento do curso para os visitantes. Kelvin, Frigoswaldo, Eva e Gotilde (um frigobar, dois refrigeradores e um bebedouro) ganharam nome, história e ficha técnica completa. Surgiu, assim, a Família Frigolina.
"Queíramos explicar de forma lúdica o que nosso curso aborda", conta a estudante Olga Kohn, de 17 anos. Com os quatro equipamentos, a equipe de alunos supervisionada pelo professor Fernando da Silva Osório explicou aos visitantes os conteúdos vistos no curso.
Outra ferramenta usada para explicar a área de refrigeração e climatização foi um óculos 3D com um jogo em que o usuário tinha que executar tarefas de um trabalhador da área. "A Família Frigolino e o óculos são maneiras menos maçantes de entender a RAC [siga usada para designar a área de refrigeração e climatização]. Vejo que as pessoas estão gostando e estão aprendendo", afirma Juliana Goetz, 16 anos, também estudante do curso.
Feira de Jogos
Outra atividade apresentada durante a SNCT foi uma prévia - ou spoiler, como dizem os mais modernos - da Feira de Jogos, evento organizado a cada semestre por estudantes da oitava fase do curso técnico integado em Telecomunicações, com orientação de professores. A iniciativa envolve o desenvolvimento de jogos on-line e do estilo arcade (também conhecido como "fliperama"), que são disponibilizados para a comunidade interna do câmpus e convidados. Durante a Semana, uma máquina de fliperama foi instalada no hall de entrada, e cartazes com QR Codes deram acesso aos jogos on-line. A próxima edição da feira está prevista para novembro.
Para a estudante Kétlin Araújo dos Santos, de 18 anos, participar da organização e do desenvolvimento dos jogos contribui tanto para a formação técnica quanto para o trabalho em equipe. “É algo que pode unir mais a turma, eu acredito. E, na minha formação, acho que me deixou mais disciplinada e me deu mais vontade de colaborar, contribuir”, afirma.
O colega dela Miguel Kraus Trindade, também de 18 anos e estudante, ressalta a responsabilidade envolvida na organização da feira e o aprendizado proporcionado pelo desenvolvimento dos jogos. “A parte mais fascinante é todo o ensino que é levado por trás disso daí, como um ensino forte de programação, de tu teres que aprender com os erros. Então, eu acho que seria nessa pegada: é aprender com os erros e se aprimorar a partir disso”, avalia.
A Feira de Jogos também mobiliza conhecimentos de programação, servidores e comunicação entre dispositivos. Segundo Kétlin, o desenvolvimento dos jogos permite aprofundar conteúdos trabalhados ao longo do curso. Miguel acrescenta que a programação é a base de praticamente todos os jogos e que a atividade exige a integração de diferentes conhecimentos técnicos.
Mulheres na ciência
A temática “Ciência Delas” também foi destacada pelas estudantes entrevistadas durante a programação. Kétlin Araújo considera importante dar visibilidade às mulheres e reconhecer sua participação na produção científica. “Muitas mulheres são desvalorizadas, então são deixadas de lado ou não são escutadas. Então é importante para essas mulheres verem que elas têm o seu lugar e que elas podem participar disso”, afirma.
Mariah Almeida observa que o curso técnico em Telecomunicações ainda tem predominância masculina, embora perceba um aumento da presença de mulheres nas turmas mais recentes. Para ela, iniciativas como a SNCT ajudam a incentivar a participação feminina. “Ainda assim, é uma área muito masculina e eu acho importante a gente divulgar e influenciar mais mulheres na ciência”, destaca.
Juliana Goetz, por sua vez, avalia que o seu curso, de Refrigeração e Climatização ainda é visto como "masculino". Ela espera que eventos como a SNCT ajudem a mudar essa visão, com mulheres produzindo e falando sobre ciência. "Explicamos para os visitantes como funciona nosso curso. Acho que as gurias até gostam mais quando somos nós [estudantes mulheres] que falamos", opina.