Estudantes do Câmpus Itajaí são destaque da região Sul em Olimpíada Brasileira de Sociologia e receberão bolsa do CNPq

EVENTOS Data de Publicação: 26 jun 2026 15:59 Data de Atualização: 26 jun 2026 16:22

Os estudantes do Câmpus Itajaí Carolyne Santos, Nicholas Montibeller e Lorenzo Bonett receberam menção honrosa de destaque da região Sul na final da Olimpíada Brasileira de Sociologia (OBS), realizada no Rio de Janeiro nos dias 19 e 20 de junho. Com isso, eles receberão uma bolsa de iniciação científica do CNPq durante um ano no valor de R$ 300,00 por mês para desenvolverem uma pesquisa na área. “Eles representaram a instituição com muita excelência. Eu vejo o potencial dessa geração e de como eles desenvolveram diversas habilidades para participar da Olimpíada. Em todo momento, eles precisavam debater ideias e sempre fizeram isso de uma forma muito respeitosa”, avalia a professora de Sociologia do Câmpus Itajaí Márcia Schaefer, que é a professora mentora do grupo. 

A equipe de Itajaí optou por abordar a luta antirracista na Olimpíada e por conta disso escolheu como nome Maria Batayo, em alusão à Maria Batayo de Nanã, mulher escravizada que se tornou mãe de santo da nação omolokô do Brasil, cultuada pelas religiões e práticas de matriz afro-indígenas. Na etapa presencial da Olimpíada, eles precisaram apresentar uma carta petição de um projeto de lei que, no caso da equipe de Itajaí, foi a proposta de uma feira de saberes afro no município. “Nós pensamos em um evento anual com ênfase na educação para popularizar as heranças afro-culturais”, explica o estudante Lorenzo Bonett.   

Além de apresentar a proposta de projeto de lei, a equipe precisava também participar de competições de jogos de tabuleiro que envolviam questões referentes a conceitos da Sociologia. Em um deles, por exemplo, as equipes deveriam criar soluções para problemas de infraestrutura das cidades e em outro deveriam responder levando em consideração conceitos da Antropologia. Durante essa etapa, foi o momento também de cada equipe apresentar o jogo que desenvolveu e conhecer os demais jogos. “Nós desenvolvemos um jogo inspirado no perfil em que são dadas dicas norteadoras para que o jogador descubra figuras históricas negras que foram invisibilizadas por conta do racismo estrutural como foi o caso da Maria Batayo. A maior parte dos participantes não sabia quem era Maria Batayo e para mim, que sou de uma religião de matriz africana, poder falar dela é como se eu honrasse à ancestralidade. Eu já sofri por conta do racismo religioso e muitas vezes tive que esconder a minha religião, fico muito feliz em poder transmitir esse conhecimento livremente”, afirma Lorenzo.

Durante a etapa nacional, os estudantes também puderam conhecer um pouco mais de diferentes realidades do Brasil. “Uma equipe de Parintins viajou um dia de barco para chegar até o evento e em conversa com outras equipes descobrimos que em muitas regiões do país o ensino de Sociologia ainda não está sistematizado como é aqui”, explica Lorenzo.

Durante a premiação, os estudantes também puderam acompanhar uma apresentação da bateria mirim do Salgueiro e de ouvir o relato de outros participantes. “Uma das falas que mais me marcou foi de uma mulher negra trans que começou a sua graduação aos 35 anos. Nós escolhemos falar de uma mulher negra invisibilizada que foi a Maria Batayo na Olimpíada e ver que neste evento nós estávamos dando voz a uma mulher negra para mim foi muito impactante. Eu sou uma mulher negra que não tem muitas referências na família ou entre amigos de pessoas que fizeram graduação e a fala dela me fez entender que aquele também é um lugar para mulher negra”, explica a estudante Carolyne Santos.

A ida ao evento também significou novas experiências para os estudantes. “Foi a primeira vez que viajei de avião e que fui ao Rio de Janeiro, pude conhecer pessoas de diferentes regiões do país e tive a honra de poder falar em público naquele palco. O que foi muito importante não só para o meu desenvolvimento enquanto estudante, mas como pessoa”, avalia o estudante Nicholas Montibeller.

Equipe de Araranguá recebe menção honrosa na Olimpíada 
  
Das quatro equipes finalistas da região Sul, duas delas eram do IFSC. Além da equipe de Itajaí, a instituição estava representada pela equipe Bizarras, formada pelos estudantes Amabily Pereira, João Burin Pinto e Penélope Schlickmann Borges, do técnico em Produção de Moda do câmpus Araranguá e que foi orientada pelo professor de Sociologia do IFSC Rodrigo Lima. Eles receberam menção honrosa pela participação na Olimpíada.  Na etapa presencial, eles apresentaram um projeto de lei que tinha como proposta articular o IFSC com a comunidade do UCCA, vizinha do câmpus e em situação de vulnerabilidade, com ações que buscassem a formação crítica e profissional de meninas entre 12 e 18 anos para transformação social e o combate à violência de gênero. “A primeira edição da Olimpíada Brasileira de Sociologia foi extraordinária. No câmpus Araranguá tivemos cinco equipes inscritas, que se dedicaram muito às tarefas e ao estudo de temas das Ciências Sociais. A ida da equipe Bizarras para a final foi resultado de um trabalho coletivo e da dedicação dos estudantes. Uma experiência que vai marcar a vida e a formação escolar deles. Como orientador fiquei muito orgulhoso e feliz pelo prêmio recebido e por termos conseguido representar tão bem o nosso câmpus e o IFSC. Queremos agora entrar em contato com a Câmara de Vereadores de Araranguá para verificarmos a viabilidade de apresentação do projeto,” explica o professor.


Por Beatrice Gonçalves | Jornalista do IFSC
 

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