EVENTOS Data de Publicação: 11 ago 2026 09:39 Data de Atualização: 11 ago 2026 10:53
Cinco estudantes do Câmpus Araranguá do IFSC apresentaram os resultados de uma pesquisa sobre a resistência quilombola no Vale do Araranguá, durante a Mostra Científica do Dia da Educação para as Relações Étnico-Raciais, realizada em julho na Universidade de Brasília (UnB). A atividade integrou a programação do 14º Congresso Nacional de Pesquisadores/as Negros/as (Copene).
Participaram da atividade os estudantes Davi Américo, Ícaro Melo e Maria Alice Acordi, do curso técnico integrado em Eletromecânica, e Ana Beatriz Penasso e Ana Clara Penasso, do curso técnico integrado em Têxtil. O grupo foi orientado pelo professor Rodrigo Lima.
A participação no evento foi resultado da conquista da equipe Botucatu, que alcançou o 8º lugar nacional na segunda edição da Olimpíada Brasileira de História e Cultura Afro-Brasileira, Africana e Indígena (Obereri), realizada em 2025. Como desdobramento da premiação, um dos estudantes recebeu bolsa do CNPq e os outros quatro passaram a integrar o Programa de Iniciação Científica Júnior da Obereri.
A partir da experiência na olimpíada, os estudantes desenvolveram a pesquisa “Resistência quilombola na região do Vale do Araranguá, Santa Catarina”, apresentada no Copene. O grupo também recebeu o selo de escola antirracista concedido pela organização da olimpíada.
Segundo os estudantes, a participação nos eventos contribuiu para a formação acadêmica e para o contato com pesquisadores e diferentes perspectivas sobre as relações étnico-raciais. “Participar da Obereri e do Copene foi uma experiência muito significativa e uma oportunidade de vivenciar um ambiente acadêmico e conhecer pessoas com interesses semelhantes aos meus”, afirma Ana Clara Penasso.
Para Ana Beatriz Penasso, a experiência durante a olimpíada foi fundamental para a definição do tema da pesquisa. “Durante a elaboração de um podcast na Obereri, tivemos a oportunidade de entrevistar duas lideranças da comunidade quilombola Maria Rosalina e conhecer, pelas lentes delas, os principais desafios que enfrentam atualmente. Essa experiência foi definitiva para escolhermos a resistência quilombola no Vale do Araranguá como tema para o trabalho apresentado no congresso”, relata.
A estudante Maria Alice Acordi destacou a importância da experiência para quem pretende seguir a carreira acadêmica. “A oportunidade de acompanhar mais de perto o debate científico e a produção de conhecimento torna a experiência ainda mais significativa. Com certeza foi um congresso que nos marcará para a vida toda”.
Ícaro Melo ressaltou o contato com pesquisadores durante o evento. “Minha experiência participando do Congresso foi sensacional! Foi especial por podermos conviver com uma realidade diferente e valiosa para nós, que era o ambiente da universidade e dos pesquisadores ali presentes”, afirma.
Para Davi Américo, a experiência também pode estimular outros estudantes a participar de atividades científicas. “Espero que essa experiência inspire mais alunos do IFSC a participarem de olimpíadas do conhecimento e a submeterem seus artigos em eventos. Ela mostra que não somos somente receptores de conhecimento, mas também produtores ativos”
Como próxima etapa, os estudantes pretendem apresentar a pesquisa às comunidades quilombolas do Vale do Araranguá, ampliando o diálogo entre a produção científica e as comunidades envolvidas no estudo. O artigo resultante da pesquisa também será publicado em um livro organizado pela Obereri.