Evento no Câmpus Florianópolis debate blockchain para além das criptomoedas

EVENTOS Data de Publicação: 09 abr 2026 15:39 Data de Atualização: 09 abr 2026 16:34

O Câmpus Florianópolis sediou nesta quarta-feira (8) o evento “Blockchain além das criptomoedas”, apresentado pelo Tech Floripa e realizado com apoio do IFSC, da Python Floripa, da Fundação Branas, da Solana e da Superteam Brasil. A proposta do encontro foi aproximar academia e mercado em torno de uma tecnologia que ainda costuma ser associada quase exclusivamente ao universo das moedas digitais, mas que já desperta interesse em áreas como educação, contratos, rastreabilidade e registro de ativos.

Na abertura, os organizadores destacaram que o objetivo era criar pontes entre pesquisa, formação acadêmica e demandas reais do setor produtivo, reunindo estudantes, profissionais e interessados em inovação em uma mesma conversa. O evento também procurou mostrar que o blockchain pode ser aplicado a situações concretas, como prontuários com maior controle do usuário, diplomas com proteção contra adulteração, rastreamento de recursos públicos e contratos autoexecutáveis.

A primeira palestra foi conduzida por Rodrigo Branas, que apresentou uma abordagem técnica e conceitual sobre o funcionamento das redes blockchain, explicando desde a lógica dos blocos encadeados por hashes até os mecanismos de validação distribuída e os custos computacionais envolvidos nesse processo. Ao longo da fala, Branas insistiu que o ponto central da tecnologia não está no apelo do nome, mas na arquitetura descentralizada que sustenta sua confiabilidade. “O fator mais relevante não é a blockchain pela blockchain, a ideia de descentralização”, afirmou o palestrante, ao explicar que uma rede centralizada perde justamente a característica que diferencia esse tipo de sistema das bases de dados convencionais.

Branas também procurou desmontar a noção de que blockchain serve apenas para comprar e vender criptoativos. Segundo ele, uma das forças da tecnologia está na possibilidade de executar código em rede, viabilizando aplicações programáveis sem depender de intermediários tradicionais. “Você consegue rodar software, rodar uma aplicação que faz alguma coisa útil e interessante”, disse, ao introduzir o conceito de contratos inteligentes e mencionar usos possíveis em operações de garantia, transferência de bens e outros serviços digitais.

Outro ponto de destaque na apresentação foi a explicação sobre mineração, segurança e consumo energético, especialmente no caso do Bitcoin. Branas mostrou que a validação por prova de trabalho exige capacidade computacional crescente e, por isso, envolve estruturas muito maiores do que um computador doméstico. “Isso consome tanta energia que daria para você alimentar um país inteiro, cidades inteiras”, observou, ao comentar o alto custo operacional dos sistemas baseados em mineração. Na mesma linha, ele ressaltou que a robustez de redes como Bitcoin e Ethereum está ligada ao grande número de participantes validando as operações e mantendo cópias distribuídas do histórico de transações.

A segunda palestra voltou o olhar para aplicações contemporâneas do setor e para o ecossistema Solana, tema apresentado por Kauê Cano. De acordo com a proposta divulgada para o encontro, a fala abordou uma rede voltada a baixo custo, alta velocidade e aplicações viáveis em escala, ampliando o debate para além dos fundamentos teóricos e aproximando o público das soluções que hoje atraem desenvolvedores e empreendedores do mercado. Em sua participação, Cano destacou o potencial da infraestrutura para usos institucionais e para a digitalização de ativos ligados à economia real. “A Solana tem um fit muito grande com essa parte institucional. Dá para você trazer ativos do mundo real, tokenizar eles dentro da Solana, com título de crédito, com recebíveis”, afirmou.

Ao reunir uma exposição mais conceitual com uma abordagem voltada a aplicações práticas, o evento reforçou o papel do Câmpus Florianópolis como espaço de circulação de temas contemporâneos da tecnologia e de diálogo entre formação acadêmica e transformação digital. A iniciativa também ajudou a apresentar aos estudantes um panorama mais amplo sobre blockchain, mostrando que o debate passa por descentralização, segurança, infraestrutura, regulação, escalabilidade e novos modelos de negócio.

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