ENSINO Data de Publicação: 02 out 2025 15:16 Data de Atualização: 03 out 2025 16:59
A Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) promoveu o Seminário “Formação de Professores para a Educação Bilíngue de Surdos do Brasil e em Santa Catarina: Desafios e Perspectivas”. A iniciativa foi da Comissão de Educação e Cultura, com apoio o Câmpus Palhoça Bilíngue do IFSC, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Escola do Legislativo. Foram mais de 400 pessoas no Auditório Antonieta de Barros, na Alesc, nos dias 30 de setembro e 1º de outubro.
O evento representou um marco para a educação de surdos no Brasil, ao reunir, pela primeira vez, gestores federais, estaduais e municipais, pesquisadores, representantes da comunidade surda e educadores.
A programação incluiu palestras de especialistas, como Patrícia Luiza Ferreira Rezende-Curione, diretora de Educação Bilíngue de Surdos do Ministério da Educação (MEC), e mesas protagonizadas pela comunidade surda e a apresentação de experiências exitosas de Santa Catarina e de outros estados. Representantes de instituições como a Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (Feneis), a Associação de Surdos da Grande Florianópolis (ASGF) e a Associação de Surdos da Região de Laguna (Assul), além de gestores surdos em cargos públicos, marcaram presença no encontro.
Santa Catarina destacou-se no evento por suas iniciativas pioneiras, como o curso de Letras Libras da UFSC, referência nacional na formação de professores, e o Câmpus Palhoça Bilíngue do IFSC, único da rede federal com essa característica. Além disso, o estado conta com escolas especializadas, programas de apoio consolidados e experiências exitosas em diversos municípios.
"Nós precisamos garantir que os professores de diferentes espaços, seja da escola municipal, estadual, pública, privada, do ensino superior, que os educadores estejam preparados com essa formação, não só com a Língua Brasileira de Sinais (Libras), mas compreendendo o mundo da comunidade surda", afirmou a deputada Luciane Carminatti, presidente da comissão de Educação e Cultura.
Patrícia Luiza Ferreira Rezende-Curion abriu o primeiro dia de debates e destacou a preocupação com a construção de políticas públicas de educação bilíngue de surdos e a qualidade para esta modalidade de educação. "Temos pensado em como fazer funcionar essa área educacional. Questões didáticas, curriculares, e também o monitoramento das práticas, a avaliação do trabalho, de como vem sendo desenvolvido. Nossa principal preocupação é com as crianças, os jovens e os adultos surdos. Isso é muito importante porque é a prioridade é buscar essa qualidade no ensino", explicou Patrícia.
Os palestrantes ressaltaram a importância de ter currículos específicos para valorizar a língua de sinais e a formação contínua dos profissionais para atuarem o contexto educacional e de inclusão. "Pensar em todo um contexto que a gente chama de um ambiente bilíngue, para surdos que a escola precisa favorecer", disse Felipe de Almeida Coura, doutor em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Dionísio Schmitt, outro palestrante do seminário, revisitou a história da educação de surdos em Santa Catarina, destacando o papel central de Francisco, conhecido como Chiquito, na criação da Associação de Surdos de Santa Catarina nos anos 1950. Dionísio ressaltou o impacto do trabalho pioneiro de Francisco, que mapeou a comunidade surda, criou redes de apoio e disseminou a língua de sinais. “Se ele não estivesse nesse momento da história desenvolvendo todo o trabalho que desenvolveu, nós não estaríamos aqui”, afirmou.
Ele também relembrou a criação da primeira escola para surdos em Florianópolis, liderada por Francisco, e os desafios enfrentados com o surgimento do Instituto de Audição e Terapia da Linguagem (Iatel), que defendia o método oralista. Apesar das dificuldades, Francisco foi responsável por criar as bases que fortaleceram as associações e os movimentos surdos ao longo das décadas.
O seminário foi encerrado com um chamado à continuidade da luta por uma educação inclusiva e bilíngue, que valorize a língua de sinais e amplie as oportunidades para as futuras gerações da comunidade surda.
A gravação do seminário está disponivel no canal da Alesc no Youtube: