ENSINO Data de Publicação: 18 nov 2025 09:22 Data de Atualização: 18 nov 2025 12:38
Iniciativa da assistente social Luciana Magarão, do Câmpus Jaraguá do Sul-Centro, é resultante da pesquisa de mestrado e busca fortalecer a rede de proteção e o acolhimento no ambiente escolar.
Estudantes dos cursos do ensino médio técnico do Câmpus Jaraguá do Sul-Centro participaram, em outubro e novembro, de um ciclo de oficinas sobre prevenção e enfrentamento às violências. A atividade, intitulada “(Re)Conhecendo redes que protegem”, foi conduzida pela assistente social Luciana Magarão e teve o objetivo de promover espaços de acolhimento, escuta e diálogo, fortalecendo a formação integral e cidadã dos estudantes.
As oficinas são estruturadas em três encontros e foram desenvolvidas junto às turmas da segunda fase dos cursos técnicos integrados em Química e em Modelagem do Vestuário. Cada encontro teve um tema específico: “É direito!”, “Tá na rede!” e “Construindo uma cultura em direitos humanos”.
A motivação para o projeto veio da experiência profissional de Luciana e dos dados coletados em sua pesquisa de mestrado, durante a qual acabou criando a sequência de encontros e transformando a oficina num produto educacional. “Todos os estudantes entrevistados por mim relataram que sofreram algum tipo de violência aqui na escola”, revela a assistente social.
Esse diagnóstico apontou a necessidade de ações contínuas de prevenção, dentre as quais se encaixam a oficinas realizadas com as segundas fases. “A gente precisa falar mais sobre isso na escola, porque eles [os estudantes] precisam ter esse ambiente acolhedor, eles precisam trazer as questões”, complementa.
Segundo o estudante Manoel Alves de Andrade Neto, de 16 anos e que participou dos encontros realizados no curso técnico em Química, a troca de ideias durante as oficinas chamou a atenção. “Foi interessante a assistente social ter passado essas atividades em grupo, já que é possível perceber a visão de cada pessoa sobre o respectivo assunto e, assim, conversar e aprender mais”, destaca.
Os encontros
No primeiro encontro, o foco é o reconhecimento dos direitos de crianças e adolescentes, com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e na Lei Maria da Penha, além da identificação dos diferentes tipos de violência.
O segundo encontro aprofunda o conceito de rede de proteção social. Uma das atividades mais impactantes é o “Iceberg das Violências”, que estimula os estudantes a refletirem sobre as causas invisíveis por trás das agressões mais evidentes.
Nesta etapa, também é promovido um diálogo direto com representantes do Conselho Tutelar para desmistificar o papel do órgão. “Trouxemos uma conselheira aqui e isso ajudou a tirar aquela visão muito comum de que qualquer denúncia vai tirar o adolescente da minha família dele, numa situações de violência”, explica Luciana.
O terceiro e último encontro é dedicado à construção de uma cultura em direitos humanos no cotidiano escolar, inspirando-se no pensamento do educador Paulo Freire. “E também dou espaço para que os estudantes avaliem a oficina, já que devemos repetir essa iniciativa nos próximos semestres”, conta.
A importância da realização de novas oficinas também é compartilhada por Manoel, do curso técnico em Química. “A maioria das pessoas tem um conhecimento breve sobre assuntos como a prevenção e o enfrentamento de violências. Por isso, na minha opinião, esses debates devem sempre ocorrer com os estudantes, para que eles possam aprimorar seus conhecimentos e se conscientizar a respeito”, afirma o estudante.
Canais de ajuda
Um dos eixos centrais das oficinas é mostrar que a escola é um lugar seguro e faz parte da rede de proteção disponível para os adolescentes. A assistente social também destaca que os estudantes precisam identificar adultos de confiança e conhecer os canais de denúncia e apoio. “Os jovens até sabem da existência de alguns canais, mas dizem que não sabem como acionar. Na oficina explicamos a função de cada um”, diz.
Em todo caso, a primeira coisa que um adolescente precisa fazer ao sofrer qualquer tipo de violência é procurar um adulto de confiança. “Quem é esse adulto? Ele [adolescente] vai ver a rede dele. Quem é a sua rede hoje? É a família, é um parente? É um tio, é uma tia?”, exemplifica Luciana.
Prática recorrente
A expectativa é que a oficina se torne uma prática recorrente no câmpus, sendo ofertada semestralmente para as segundas fases de cada curso do ensino médio técnico. “Eu conversei com o nosso Departamento de Assuntos Estudantis a respeito disso e pretendemos colocar a oficina em fluxo contínuo”, comemora Luciana.
O produto educacional criado por Luciana é resultado do Mestrado Profissional em Educação Profissional e Tecnológica (ProfEPT) concluído pela assistente social neste ano.
Para conhecer o roteiro completo da oficina “(Re)Conhecendo redes que protegem”, clique aqui e acesse o material no repositório da EduCapes.
O Disque 100 (Direitos Humanos) é um canal de denúncia nacional, gratuito e anônimo. As denúncias podem ser feitas a qualquer dia, durante 24 horas, incluindo sábados, domingos e feriários. Saiba mais sobre o Disque 100 no site do governo federal.