SEPEI Data de Publicação: 27 ago 2025 19:31 Data de Atualização: 05 set 2025 19:25
A frase “temos a falsa ilusão de que podemos fazer duas coisas ao mesmo tempo”, dita pelo professor Bruno de Azevedo, do Câmpus São José, resume a palestra dele no Seminário de Ensino, Pesquisa, Extensão e Inovação do IFSC (Sepei) na manhã de quarta-feira, 27 de agosto. O tema foi “O que a ciência cognitiva nos diz sobre o uso de smartfones em tarefas de estudos?”.
Bruno é professor de inglês e estudou em seu doutorado o processamento da leitura em ambiente multitarefas. Na palestra, ele explicou que a nossa memória de trabalho fica sobrecarregada quando fazemos várias coisas ao mesmo tempo e, ao contrário do que o senso comum pode fazer crer, somos menos produtivos quando somos exigidos a ser “multitarefas”.
Conforme explicou o professor do IFSC, nossa memória de trabalho fica sobrecarregada quando executamos muitas tarefas e o nosso desempenho cai. A memória de trabalho é o sistema responsável pela execução de informações para realizar tarefas complexas - como ler, fazer cálculos e resolver problemas.
“Quando fazemos duas tarefas ao mesmo tempo, uma delas é desacelerada ou completamente esquecida. Então, quando fazemos mais do que uma tarefa simultaneamente, o tempo de execução aumenta”, afirma. Isso vale mesmo para as gerações mais novas, que são chamadas de “nativos digitais”.
Na palestra, Bruno abordou ainda o impacto da restrição do uso de telefones celulares em escolas do ensino básico, que entrou em vigor em janeiro deste ano em todo o Brasil por meio da Lei 15.100 - iniciativas semelhantes foram adotadas também em outros países. O professor comentou que o nosso córtex pré-frontal - região do cérebro associada a tomada de decisões, emoções, reações e também à atenção - só acaba de se formar por volta dos 25 anos. Por isso, crianças, adolescentes e até adultos mais jovens têm dificuldade em manter o controle inibitório, que é a capacidade de ignorar fatores de distração, como o celular e redes sociais, e manter o foco.
O professor defende um uso racional do celular. “Não advogo pelo fim do uso do celular. Temos que ter um uso crítico”, opina. Uma das estratégias para isso pode ser o “método pomodoro”, uma técnica de gestão do tempo que ajuda a melhorar a produtividade e a concentração. Ela consiste em, a cada meia hora, concentrar-se por 25 minutos em uma tarefa, sem distrações, e depois fazer um intervalo de cinco minutos para outras atividades e relaxamento.
A palestra completa está disponível no canal do IFSC no YouTube.
-> Ouça reportagem sobre esse tema no podcast IFSC em Pauta