Professores do IFSC participam de missão internacional de coleta de dados atmosféricos na Amazônia

INSTITUCIONAL Data de Publicação: 24 out 2025 18:06 Data de Atualização: 01 dez 2025 12:33

Os professores Caroline Bresciani e Mário Leal de Quadro, do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), Câmpus Florianópolis, participaram de uma missão internacional de coleta de dados atmosféricos na Amazônia (Santarém-PA). A expedição, realizada em setembro e outubro de 2025, integra o projeto CarbonARA-Brazil, que reúne instituições brasileiras e internacionais, como o Kings College de Londres, a British Antarctic Survey, a Agência Espacial Europeia (ESA) e o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

A missão teve como objetivo principal monitorar o carbono e os efeitos de queimadas na maior floresta tropical do mundo, utilizando avançados equipamentos de sensoriamento remoto em aeronaves e torres de solo. Foram cerca de 60 horas de sobrevoos dedicados à coleta de dados sobre gases de efeito estufa e o ciclo do carbono, num esforço conjunto para investigar como a vegetação amazônica responde a eventos extremos e incêndios ambientais.

“A gente pegou uma parceria entre o Kings College, da Inglaterra, a British Antarctic Survey, que tem esse avião que faz todas essas medições, e também a ESA, a empresa de aeronáutica europeia. Eles criaram essa parceria para fazer essas medições na Amazônia, principalmente para ver como a floresta está respondendo às emissões dos gases de efeito estufa, especialmente em períodos de queimadas”, explica Caroline Bresciani, que é professora visitante do Mestrado em Clima a Ambiente do IFSC e estudante de pós-doutorado. Caroline destaca ainda a importância do momento escolhido para os estudos: “Por isso foi escolhido esse período para fazer as medições, para entender como a floresta absorve ou emite carbono e os impactos das queimadas recentes”, completa.

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Participação do IFSC e impacto nos laboratórios e ensino

Os dados obtidos serão cruzados com medições feitas por torres instaladas no solo e imagens de satélite, gerando registros que vão subsidiar artigos científicos e o monitoramento climático da região. “A ideia é melhorar nossos modelos e o nosso monitoramento”, afirma Caroline.

O papel do IFSC na pesquisa foi destacado pelos professores, tanto nas atividades de campo quanto nas análises posteriores. “Esse laboratório do projeto Multilab é um laboratório de instrumentação meteorológica, aliado à parte computacional do supercomputador. A campanha em Santarém foi uma campanha de medidas meteorológicas usando equipamentos modernos que fazem uma varredura completa da atmosfera. Foi como trabalhar com equipamentos de ponta, que ainda nem foram lançados no Brasil”, relata o professor Mário Leal de Quadro, que é o coordenador do  Laboratório Multiusuário de Clima e Ambiente (LMCA) no Câmpus de Florianópolis.

Mário enfatiza que os resultados da missão terão reflexo direto nas atividades do IFSC: “Esses dados vão contribuir para estudarmos também a condição dentro do estado de Santa Catarina. Vamos utilizar os dados para calibrar modelos, melhorar a previsão aqui para o estado e para estudos no nosso laboratório”, complementa o professor.

Experiência internacional e valorização institucional

Ambos professores destacaram o caráter internacional e colaborativo da missão — a equipe envolveu pesquisadores do Brasil e do exterior. Mário enfatiza que o IFSC “está entrando no time das instituições do Brasil que estão trabalhando na ponta do conhecimento científico de medições e coletas de dados atmosféricos e suas aplicações. Nos tornamos referência nesse assunto”, comemora o professor.

A missão também se destaca pela oportunidade de formação e inspiração para estudantes e novos pesquisadores. “Ano que vem vai haver uma componente educacional, com treinamento, debates e apresentações de trabalho. Podemos levar nossos alunos para participar desta campanha, caso ela ocorra no mesmo período, e repetir essas medidas”, complementa Mário.

Participar de pesquisas em campo na Amazônia foi descrito como uma experiência marcante e motivadora. “Sobrevoar a Floresta Amazônica foi um sonho, é muito incrível poder ver de perto, um choque de realidade sobre a situação, mas muito emocionante”, relata Caroline.

Próximos passos e expectativas

O projeto tem duração de dois anos, com novas etapas previstas para o próximo ano. Os instrumentos instalados continuarão coletando dados, e os resultados serão processados nos próximos meses. “Ano que vem o avião retorna à região para novas medições. Nossa próxima etapa é analisar os dados e, se possível, retornar para novas coletas”, explica Caroline.

A participação do IFSC representa avanço para o Estado e para o desenvolvimento científico regional, mostrando o protagonismo dos professores e estudantes catarinenses em pesquisas de relevância internacional.
 

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