SEPEI Data de Publicação: 28 ago 2025 11:15 Data de Atualização: 28 ago 2025 11:30
A mesa-redonda “Lideranças femininas e protagonismo em comunidades” reuniu três lideranças comunitárias: Hélia Alice dos Santos, pedagoga, professora e fundadora da Associação Pro-Crep - Criar, Reciclar, Educar e Preservar; Cíntia Beatriz da Silveira Amaral, idealizadora do Projeto Dorcas, na comunidade de Frei Damião, em Palhoça; e a egressa do Câmpus Palhoça Bilíngue, recicladora, atriz e voluntária de movimentos sociais Marilde de Fátima Sousa de Andrade. Todas colocaram a educação como necessidade para a independência e o empoderamento femininos.
O depoimento que emocionou os participantes foi da egressa do IFSC Marilde de Fátima Sousa de Andrade. Ela contou que sofria de depressão quando, em 2022, conheceu o movimento social Marcha das Margaridas e, a partir do encontro com outras mulheres, deu um novo propósito à sua vida. “Eu fui para Brasília com a Marcha das Margaridas e voltei me amando. Eu não olhava no espelho há quatro anos”, conta. Depois disso, ela passou a participar do programa Mulheres Mil, do Teatro das Oprimidas e do Câmpus Palhoça Bilíngue do IFSC. Hoje ela tem orgulho em se dizer recicladora e em contar a sua história. Sobre a liderança feminina, descobriu que “nós temos uma voz potente e poderosa, nós podemos mudar o mundo, não podemos fazer o papel de vítima”.
Helia contou que começou a trabalhar como professora em uma escola multisseriada na Guarda do Embaú na década de 90. Na época não havia coleta seletiva regular de lixo e ela teve a ideia de começar a vender o material reciclável para obter recursos para a escola. Foi assim que surgiu a Associação Pro-Crep, que hoje é fonte de renda para 68 famílias com coleta seletiva, produção de sabão a partir do reaproveitamento do óleo de cozinha, brechó, loja de cacarecos, entre outras ações. “Não reciclamos apenas materiais, mas reciclamos a vida das pessoas”, conta Hélia, que trouxe um grupo de associadas para acompanhar o debate. Ela destacou o papel da mulher como resistência e o poder de fazer diferente.
Cíntia tem formação em Relações Internacionais e mestrado em Administração. Ela conta que foi “picada pelo bichinho de trabalhar pelo social”. Ela conheceu o marido em um projeto social e, juntos, criaram uma casa de apoio para moradores de rua e perceberam que todas as pessoas em situação de vulnerabilidade tinham histórias de negligência na infância. Foi assim que, em 2014, criaram um projeto na maior favela de Santa Catarina, a comunidade de Frei Damião, em Palhoça, e que hoje atende 130 crianças de cinco a 16 anos no contraturno escolar. O objetivo do Projeto Dorcas não é o assistencialismo, mas dar mais oportunidades aos jovens, transformando vidas. Cintia observa a vulnerabilidade especialmente entre as meninas, muitas abandonando os estudos devido à gravidez precoce ou a falta de perspectiva de estudo ou trabalho.
Veja a gravação da mesa-redonda:
Mães querem condições para continuar estudando
A venezuelana Nanci Uchoa conheceu os cursos ofertados pelo Câmpus São José no Círculo de Hospitalidade para Imigrantes. Ela ingressou no Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos (Proeja) do Câmpus São José, quando a filha Naomi tinha apenas três meses. Ela sempre contou com o apoio dos colegas e professores para levar a filha às aulas. “É muito bom ter um espaço que a gente fica mais confortável, sabe que nosso filho está por perto”, conta. Nanci quer terminar o Proeja e continuar os estudos.
Ela e a filha, agora com um ano e nove meses, estiveram na roda de conversa sobre a criação de políticas de apoio às mães estudantes durante o Sepei 2025 na quarta-feira (27). A conversa foi conduzida pelas professoras Kênia Mara Gaedtke, do Câmpus Florianópolis, Maria Helena Romani Mosquen, do Câmpus São Miguel do Oeste, e Ana Cláudia de Lima, do Câmpus São José.
As participantes do encontro decidiram pela criação de um coletivo de mães do IFSC, para que sejam implementadas propostas em toda a instituição. As mães estudantes querem garantias como licença maternidade, possibilidade de justificar faltas com atestado médico dos filhos e mais tempo para concluir o curso. Além disso, trazem outras reivindicações que envolvem recursos financeiros, como a criação de espaços onde as crianças poderiam ficar durante as aulas ou nos eventos institucionais, pagamento de bolsas, entre outros.
As alunas de Engenharia Elétrica do Câmpus Joinville, Pâmela Lídia dos Santos da Silva e Jéssica Louise da Silva, falaram sobre o projeto Mater Ciência, que reúne mães estudantes do câmpus e realiza pesquisas na área, como levantamento de quantas mães estudantes há no câmpus. A ideia é levar a experiência para os demais câmpus e construir propostas coletivas.
Segundo Kênia, o principal fator de abandono escolar por mulheres jovens é a maternidade. Ela acredita que, além de garantir políticas de permanência e êxito a essas mulheres, é importante sensibilizá-las sobre seus direitos.
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