Semana da África: Câmpus Florianópolis realiza atividades alusivas à data

EVENTOS Data de Publicação: 08 jun 2026 15:19 Data de Atualização: 08 jun 2026 15:55

O Câmpus Florianópolis promoveu, entre os dias 25 e 29 de maio, uma programação especial em alusão ao Dia da África, data instituída pela ONU em 1972. As atividades marcaram a consolidação do recém-criado Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (NEABI) na instituição, que atualmente acolhe 65 alunos de nações como Angola, Guiné-Bissau e Moçambique. O evento mobilizou a comunidade acadêmica com ações imersivas como ciranda africana, jogos tradicionais e rodas de conversa.

A coordenadora do NEABI, Mirian Colonna, destacou a importância de manter vivas as discussões iniciadas durante os quatro dias de ações culturais, palestras e trocas de saberes. Segundo a servidora, o núcleo e a comunidade escolar firmaram o compromisso de dar continuidade às práticas de conscientização étnico-racial no câmpus. "A Semana da África se encerra, mas o legado não, porque a África que habita em nós não tem data para ir embora", celebrou Mirian.

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Podcast Cidadania e Ciência

A programação de encerramento contou com o relato de Maria Zola Pedro, estudante angolana do curso de Desenvolvimento de Sistemas, que compartilhou suas experiências de adaptação no estado. Ela mencionou que o clima de Florianópolis e o comportamento mais contido dos catarinenses exigiram grande esforço e paciência. "Quando começou a esfriar, foi o maior frio que eu peguei na minha vida; além disso, a forma das pessoas serem aqui é muito diferente, o pessoal é mais reservado", explicou a aluna.

Durante o debate, Maria relatou que o choque mais profundo no Brasil ocorreu em relação ao racismo e à necessidade de desenvolver seu letramento racial. Ela explicou que, por ter nascido em um país com população de ampla maioria negra e total representatividade na política e na publicidade, a cor da pele não carregava os mesmos estigmas sociais. "Antes de eu chegar aqui, eu não sabia o conceito de raça; no dia a dia, às vezes o racismo acontece de forma explícita, às vezes você nem se dá conta", desabafou a estudante sobre as situações que os africanos enfrentam no Brasil.

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Em texto, Neabi comemora e contextualiza a data

Quem nunca ouviu o refrão da música do cantor Chico César “Mama África/A minha mãe/É mãe solteira/E tem que//Fazer mamadeira/Todo dia/Além de trabalhar/Como empacotadeira/Nas Casas Bahia”. Tal parte cita o continente africano como forma de reconhecer as origens da “mãe” e da ancestralidade do eu-lírico da composição. Além disso, esses poucos versos também denunciam uma realidade brasileira: o protagonismo feminino, sobretudo, o feminino negro, no cuidado doméstico e dos filhos.

Geralmente sem rede de apoio. Segundo dados do IBGE, do último Censo de 2022, as mulheres pretas e pardas formaram o maior grupo populacional no país. E são a base de quase metade dos lares brasileiros. As principais provedoras, pois aproximadamente 62% dos lares são comandados por mães solo. E elas enfrentam maior vulnerabilidade socioeconômica e social.

Olhar com atenção essas mulheres é urgente, bem como valorizar a ancestralidade do povo brasileiro a partir do reconhecimento das contribuições da África. Tal como fez Chico César ao lançar a canção. Chamar a atenção tanto para esse público feminino tão peculiar e importante para a sociedade brasileira bem como valorizar a ancestralidade africana. Afinal, o país se formou e se constituiu pelos braços, pernas e corpos africanos. É sabido de todos.

Deste modo, valorizar a África é valorizar e homenagear todos os africanos, afrodescendentes e brasileiros que fazem parte deste país. Muito da nossa cultura é fruto da influência da cultura africana. Podemos citar, entre outros, o samba e a capoeira. A percussão brasileira é herança africana tais como os instrumentos como o atabaque, a cuíca, o agogô, etc. Na culinária brasileira os povos africanos trouxeram contribuições para os mais diversos pratos tais como o acarajé, o vatapá, o caruru, a famosa feijoada, etc.

Na parte religiosa, temos a contribuição e formação das religiões do Candomblé e Umbanda. E claro, na língua, o português falado no país é profundamente influenciado pelas línguas africanas. Principalmente a banto e iorubá. O continente africano está no Brasil em todos os sentidos. E os africanos também.

No IFSC, atualmente, há 65 alunos africanos cursando, sobretudo os cursos técnicos que a instituição oferece. A maioria advindos da Angola (44), Benin (01), Guiné (01), Guiné Bissau (12), Marrocos (01), Moçambique (05) e São Tomé e Príncipe (01). Assim, o dia 25 de maio, que celebra o “Dia da África”, é muito significativo. É um dia que marca o Dia da Libertação Africana. Data instituída pela ONU em 1972. Simboliza a luta dos países africanos pela liberdade e independência já que foram por muito tempos colonizados. Explorados.

E para celebrar este dia especial a comunidade acadêmica do IFSC a prestigiou a semana em alusão a este dia especial com uma programação divulgada nos canais do IFSC. E informamos que está se formando no campus (a exemplo de outros)- o NEABI- Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas. Que possamos celebrar ! E cantar a importância da África. Sempre.

 

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