Visita técnica à UFSC qualifica projeto de boias de monitoramento da água em Florianópolis

EXTENSÃO Data de Publicação: 22 set 2026 14:24 Data de Atualização: 22 set 2026 14:27
Visita técnica à UFSC qualifica projeto de boias de monitoramento da água em Florianópolis

No último dia 3, estudantes da disciplina Projeto Integrador 2 do curso de Engenharia Eletrônica do Câmpus Florianópolis realizaram uma visita técnica ao Laboratório de Ficologia, no Departamento de Botânica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A comitiva, coordenada pelos professores Maurício Gariba Júnior e Luiz Alberto de Azevedo, integra o Projeto Águas Vivas do Departamento Acadêmico de Eletrônica (DAELN) e tem como foco o desenvolvimento do Dashboard Hydra, um sistema de telemetria georreferenciada para monitoramento da qualidade da água.

O encontro teve como propósito estabelecer um diálogo técnico e metodológico com o professor Paulo Horta, especialista em ficologia e ecossistemas marinhos, visando qualificar o planejamento e a identificação de pontos críticos de descarte de efluentes nas Baías Norte e Sul de Florianópolis.

Recebidos pelo professor Paulo Horta, os alunos conheceram as instalações do laboratório e as linhas de pesquisa conduzidas pela equipe, que incluem o monitoramento biológico por macroalgas como indicador da saúde ambiental da região. O ponto alto da visita, segundo os participantes, foi um diagnóstico detalhado apresentado pelo docente da UFSC sobre a situação das duas baías. O professor explicou como a hidrodinâmica local, circulação da água, regimes de marés e padrões de correntes, dita a dispersão ou concentração dos poluentes, oferecendo uma aula prática de oceanografia costeira essencial para a calibração dos sensores e definição dos locais ótimos de instalação das boias de telemetria.

O professor Maurício Gariba Júnior destacou que a visita teve como objetivo principal "conhecer de perto o professor Paulo Horta, que é um expert na matéria, principalmente nas questões relacionadas ao meio ambiente e à sustentabilidade da água", disse. Segundo Gariba, a visita ajuda os estudantes que trabalham no projeto das boias, e aí incluem alunos de Engenharia Eletrônica e do CST de Eletrônica Industrial, a monitorar a qualidade da água de Florianópolis e têm a tarefa de identificar, por intermédio de GPS, os pontos críticos de saída de água da Ilha de Florianópolis.

Gariba exemplificou o processo com exemplo do Rio da Bulha, que passa sob o câmpus do IFSC e deságua na Passarela Nego Querido. "Nesta quinta-feira (24), inclusive, nós iremos até lá para levantar as coordenadas desse ponto crítico e de outros pontos críticos ali da Beira-Mar, da Baía Norte, para exatamente colocar em um software que está fazendo esse monitoramento", complementa.

Ainda, o professor do IFSC ressaltou que Paulo Horta "deu uma aula, não só relacionada à Baía Sul e à Baía Norte, mas também às lagoas, às condições delas e dos lagos de Florianópolis". Horta também mostrou os experimentos em andamento no laboratório, que serviu bem ao propósito da formação dos estudantes. "Foi interessante e motivou os alunos a continuar desenvolvendo esse trabalho relacionado à boia. Eu achei importante esse contato dos alunos com o laboratório e com a realidade de Florianópolis em relação à qualidade da água", finaliza Gariba.

Responsabilidade profissional e impacto social

O aluno Gabriel Jampietro de Mello Franco, da quinta fase de Engenharia Eletrônica, classificou a atividade como "extremamente positiva". "Foi uma experiência incrível poder conhecer e conversar com Paulo Horta, uma pessoa extremamente atenciosa e humilde, nos mostrou seu laboratório e alguns experimentos que estão sendo realizados, como o mangue flutuante, que é uma ótima alternativa para a balneabilidade das águas de Florianópolis", relata o aluno.

Gabriel destacou que o que mais lhe chamou atenção foi a constatação de que os problemas sanitários e ambientais de Florianópolis já são conhecidos e que já tem alternativas e soluções, que esbarram na falta interesse do poder público. Para o estudante, a visita contribuiu para sua formação. “Ampliou minha visão sobre a responsabilidade profissional na busca por soluções que possam gerar impactos positivos para a sociedade e para o meio ambiente", complementa.

Projeto Águas Vivas e o futuro do monitoramento

A transferência de conhecimento durante a visita transformou o rigor técnico do desenvolvimento do Hydra, que envolve linhas de código, imageamento aéreo por drones e computação móvel, em um propósito claro de cidadania: impulsionar o Projeto Águas Vivas do IFSC para entregar uma contribuição real, robusta e georreferenciada que proteja o ecossistema, salvaguarde a maricultura e garanta um futuro sustentável para a comunidade florianopolitana.

O cenário apresentado na visita reforçou a urgência e o valor do projeto, diante dos desafios severos de balneabilidade que as baías enfrentam em decorrência do descarte irregular de efluentes brutos e da pressão urbana.

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