Curricularização da Extensão

Entenda como funciona o processo no IFSC

Implantar a extensão nos currículos significa afirmar que, em algum momento da vida acadêmica, o estudante precisa se envolver com atividades de extensão relacionadas aos componentes curriculares do curso.

Essa demanda de adequação curricular é emergente no contexto de implantação e cumprimento do Plano Nacional de Educação – PNE e da resolução do Conselho Nacional de Educação – CNE, nº 07 de 2018, que aponta as diretrizes nacionais para a extensão. O PNE 2014 – 2024 apresenta 20 metas para a educação brasileira a serem cumpridas durante a vigência do plano. Dentre elas, destaca-se a meta 12, que tem como objetivo elevar a taxa bruta de matrículas na educação superior para 50%. Para atingir a meta 12, são descritas 21 estratégias, cabendo aqui ressaltar a estratégia 12.7 que indica que se deve “assegurar, no mínimo, 10% do total de créditos curriculares exigidos para a graduação em programas e projetos de extensão universitária, orientando sua ação, prioritariamente, para áreas de grande pertinência social”.

A Resolução CNE nº 7/2018 apresenta as diretrizes nacionais para a Extensão na Educação Superior Brasileira e também uma regulamentação sobre o disposto na Meta 12.7 do PNE de 2014. Segue a definição de extensão que foi trazida pela Resolução:

“A Extensão na Educação Superior Brasileira é a atividade que se integra à matriz curricular e à organização da pesquisa, constituindo-se em processo interdisciplinar, político educacional, cultural, científico, tecnológico, que promove a interação transformadora entre as instituições de ensino superior e os outros setores da sociedade, por meio da produção e da aplicação do conhecimento, em articulação permanente com o ensino e a pesquisa”.

Para concretizar a curricularização da extensão, de acordo com o Fórum de Pró-Reitores de Extensão (2006), a construção e alteração dos currículos deve ser focada no impacto e transformação dos discentes do curso a ser elaborado ou revisado.

O currículo passa a ser concebido como um processo não-linear e rotineiro, onde as disciplinas deixam de ser verdades acabadas a serem repassadas e transmitidas. Torna-se um espaço de produção coletiva e de ação crítica. Os conteúdos das disciplinas não são mais a “essência” de um curso, tornando-se referência para novas buscas, novas descobertas, novos questionamentos, oferecendo aos estudantes um sólido e crítico processo de formação.

Quando a universidade utiliza tais possibilidades, efetiva-se a Flexibilização Curricular, na perspectiva de um currículo que rompe com a predominância de disciplinas, tendo a transdisciplinaridade como eixo de referência. (FORPROEX, 2006, p. 41-42).

*O conteúdo desta página teve origem o tema da dissertação do pesquisador Tomé de Pádua, sob orientação do professor Dr. Douglas Paulesky Juliani, submetido ao Programa de Pós-Graduação stricto sensu, Mestrado Profissional em Educação Profissional e Tecnológica em Rede Nacional realizado pelo Centro de Referência em Formação e EaD (Cerfead) do IFSC.

Histórico no IFSC

O processo de atualização dos Projetos Pedagógicos de Curso para atender ao Plano Nacional de Educação 2014-2024, no IFSC, teve início logo após a sua publicação. Esse processo apresenta as dificuldades em seu início, tornando-se mais ameno à medida que a instituição ganha experiência com seus erros e acertos.

Confira algumas ações que foram realizadas no IFSC:

Ação 1 – Sensibilização ao processo de curricularização da extensão (2016):

  • Criação da comissão de curricularização da extensão no IFSC;
  • Início da campanha de curricularização da extensão no IFSC;
  • Encontro sobre curricularização da extensão no IFSC com as coordenadorias de cursos superiores de tecnologia, licenciaturas e bacharelados;
  • Formações regionalizadas com Núcleos Docentes Estruturantes (NDE) dos câmpus e Direx/Proex;
  • Oferta do FIC – Formação de extensionistas em parceria com o Cerfead;
  • Oficinas de formação regionalizadas.

Ação 2 – Revisão dos Projetos Pedagógicos de Curso (PPC)

A partir da formação com os respectivos Núcleos Docentes Estruturantes, foi definido um período para a elaboração da seção dedicada às Atividades de Extensão nos projetos pedagógicos dos cursos superiores de tecnologia, licenciaturas e bacharelados.

Ação 3 – Oferta dos cursos com previsão de 10% da carga horária em atividades de extensão (2018)

Primeira possibilidade de campanha de ingresso IFSC com oferta de alguns cursos superiores de tecnologia, licenciaturas e bacharelados com creditação curricular de atividades de extensão.

Ação 4 – Fomento de propostas e capacitação dos Núcleos Docentes Estruturantes (2018)

  • Edital PROEX 21/2018 Apoio à curricularização da extensão. Doze propostas contempladas.
  • Análise de Projetos Pedagógicos de Curso – PPC, visando adequação às normas vigentes quanto ao processo de curricularização da extensão.
  • Oficinas de Curricularização ao longo do ano.

Ação 5 – Continuidade na capacitação (2019)

  • I Seminário de Curricularização do IFSC.
  • Atualização de Projetos Pedagógicos de Curso – PPC, visando adequação às normas vigentes quanto ao processo de curricularização da extensão.

Como fazer?

As principais ações que foram tomadas para atingir o objetivo da estratégia 12.7 do Plano Nacional de Educação, dedicar 10% da carga horária total dos cursos de graduação para atividades de extensão.

Nesse sentido, essas ações foram divididas em quatro passos – Regulamentação e possibilidades, Atualização dos Projetos de Curso, Avaliação dos Projetos e Monitoramento. Esses passos formam um ciclo que se retroalimenta, esse ciclo se assemelha ao de implementação de uma política pública, como descrito por Frey (2000).

1º passo: Regulamentação e possibilidades

Em setembro de 2015 foi publicada pelo Conselho Superior do IFSC – Consup a resolução 35/2015, que trata da curricularização. A resolução traz “diretrizes para a inclusão de atividades de extensão nos currículos de cursos de graduação do IFSC” (IFSC, 2015) e foi atualizada um ano após a sua publicação, sendo substituída pela resolução CONSUP 40/2016.

2º Passo: Atualização do PPC

Após a publicação da resolução da curricularização, a Pró-Reitoria de Extensão e Relações Externas do IFSC – Proex promoveu diversos encontros e capacitações com os Núcleos Docentes Estruturantes – NDE. As reuniões de capacitação visavam apresentar as possibilidades de inclusão da Extensão nos PPCs e também capacitava sobre as definições do próprio conceito de extensão.

Cada NDE tem autonomia para construir o PPC e descrever como a extensão será executada no curso em questão, desde que atenda as resoluções vigentes, tanto a da curricularização quanto a que apresenta os conceitos de extensão no IFSC. Para garantir que o PPC atenda às regulamentações vigentes, ele é apreciado pelo Colegiado de Ensino, Pesquisa e Extensão – Cepe.

3º Passo: Avaliação do PPC

Após a criação ou atualização do PPC, o documento será aprovado pelo Cepe somente se obtiver parecer favorável da Proex. O documento passa por avaliação da equipe técnica da extensão para checar se os critérios elencados nas resoluções foram atendidos. Caso o PPC descumpra algum item da legislação vigente, ele é devolvido para que o NDE faça os ajustes necessários, de acordo com as indicações do parecerista. Após essa etapa o curso pode ser ofertado, já com a previsão das atividades de extensão.

4º Passo: Monitoramento do PPCs – Avaliação dos resultados

Somente com os cursos em oferta que será possível verificar a efetividade de toda essa movimentação institucional. Cabe a instituição de ensino verificar se as suas resoluções internas atendem às leis maiores e se isso tem se traduzido nos projetos de curso e, além disso, na prática docente e discente. Este último passo pode dar início a uma nova atualização de resoluções e projetos de curso, em um processo que é cíclico.

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