Curricularização da Extensão

Aproximando os estudantes da prática por meio de soluções para demandas reais da sociedade

Curricularizar a Extensão significa tornar as ações de Extensão parte integrante dos currículos dos cursos, e não apenas uma atividade opcional ou complementar para os estudantes. Assim, implantar a extensão nos currículos significa afirmar que, em algum momento da vida acadêmica, o estudante precisa se envolver com atividades de extensão relacionadas diretamente aos componentes curriculares.

Em 2018, a Resolução 07 do Conselho Nacional de Educação (CNE) definiu as bases para a curricularização da Extensão em cursos de graduação em todo o país. O documento define que 10% da carga horária total dos cursos de graduação deverá ser dedicada a atividades de Extensão, com previsão nos Projetos Pedagógicos de Cursos (PPCs). O prazo inicial para o cumprimento da meta era 2021, porém, em 2020, devido à pandemia de Covid-19, o prazo foi prorrogado até dezembro de 2022.

No IFSC, esse processo surgiu ainda em 2015, a partir da publicação do Plano Nacional de Educação (PNE) 2014 - 2024, que apresenta 20 metas para a educação brasileira a serem cumpridas durante a vigência do plano. Dentre elas, destaca-se a meta 12, que tem como objetivo elevar a taxa bruta de matrículas na educação superior para 50%. Para atingir , são descritas 21 estratégias, cabendo aqui ressaltar a estratégia 12.7, que indica que se deve “assegurar, no mínimo, 10% do total de créditos curriculares exigidos para a graduação em programas e projetos de extensão universitária, orientando sua ação, prioritariamente, para áreas de grande pertinência social”.

Atualmente, o IFSC tem 30 cursos de graduação (tecnologia, bacharelado e licenciatura) com a Extensão presente nos PPCs, o que representa 53% do total dos 57 cursos superiores ofertados pela instituição. 

Conheça o processo de curricularização no IFSC e veja o que esses números representam:

Histórico no IFSC

O processo de Curricularização da Extensão no IFSC teve início em 2015. Esse processo é constante e cíclico, pode apresentar dificuldades em seu início, e torna-se mais ameno à medida que a instituição ganha experiência com seus erros e acertos.

Como o processo de adequação e criação dos Cursos Superiores é de responsabilidade do seu respectivo Núcleo Docente Estruturante (NDE), cada câmpus e cada NDE pode estar em um momento diferente no processo de curricularização. Alguns cursos já tem turmas formadas com a extensão curricularizada, e outros cursos ainda estão no primeiro passo, que consiste em estudar as possibilidades de inserção da extensão nos PPCs.

Ter 53% dos cursos superiores curricularizados até agora pode parecer pouco, porém, esse percentual coloca o IFSC à frente da maioria dos Institutos Federais, tanto por ter sido iniciado antes, em 2015, quando a maioria passou a curricularizar os cursos em 2018, quanto pelo engajamento dos NDEs e pelo modelo de curricularização implantado no IFSC, bastante rigoroso, prevendo desde a adequação dos PPCs até a avaliação periódica e sistematizada dos cursos. 

Vale destacar que a Resolução 40/2016 do IFSC sobre a curricularização serviu de base para resoluções de vários outros institutos, inclusive para a do Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif), publicada em 2020.

Cronograma de ações da curricularização no IFSC:

  • Criação do GT da Creditação Curricular da Extensão no IFSC (Portaria nº 887, de 31 de março de 2015);
  • Publicação da Resolução Consup IFSC 35/2015 que aprova as diretrizes para a inclusão das atividades de extensão nos currículos dos cursos de graduação do IFSC;
  • Início da campanha de curricularização da extensão no IFSC;
  • Criação da Coordenadoria de Apoio à Curricularização (Portaria 1084, de 22 de março de 2016);
  • Revisão da Resolução 35/2015 e publicação da 40/2016;
  • Encontro sobre curricularização da extensão no IFSC com as coordenadorias de cursos superiores de tecnologia, licenciaturas e bacharelados;
  • Formações regionalizadas com Núcleos Docentes Estruturantes (NDE) dos câmpus e Direx/Proex;
  • Oferta do curso de formação continuada (FIC) em Formação de Extensionistas em parceria com o Cerfead;
  • Oficinas de formação regionalizadas;
  • Seminário de Curricularização da Extensão Câmpus Florianópolis (2016);
  • Nova oferta do FIC – Formação de extensionistas em parceria com o Cerfead (2017);
  • Reitoria Itinerante - Capacitação sobre extensão e curricularização (2018);
  • Encontro EPE - Indissociabilidade nos currículos do IFSC: PNE e Ensino Superior (2018);
  • Revista Caminho Aberto - Especial sobre curricularização (2018);
  • Publicação do Edital PROEX nº 21/2018 Apoio à curricularização da extensão;
  • Reitoria Itinerante - Capacitação sobre extensão e curricularização (2019);
  • I Seminário de Curricularização da Extensão (2019);
  • REDITEC 2019 Oficina - Curricularização da Extensão (2019);
  • Curso - O Fazer Extensionista (2020);
  • II Seminário de Curricularização da Extensão (2020);
  • Reedição do Curso - O Fazer Extensionista (2021)
  • Publicação do Edital PROEX nº 15/2021 Apoio a projetos de extensão ou curricularização;
  • Reuniões de capacitação com os NDEs - Agronomia Canoinhas e São Miguel do Oeste, Alimentos e Agronomia São Miguel do Oeste, GT de curricularização Criciúma, Engenharia Joinville, Engenharia Lages, Xanxerê (2021).
  • A partir de novembro de 2021, um grupo composto por representantes do ensino, da pesquisa e da extensão está encarregado de planejar e promover ações de capacitação em curricularização da extensão. Inicialmente, serão feitas ações de capacitação no formato de oficinas temáticas de acordo com as áreas dos cursos de graduação.  O objetivo das oficinas é promover o diálogo sobre a inclusão da extensão nos currículos dos cursos de graduação do IFSC. As oficinas temáticas de curricularização da extensão começaram a ser oferecidas a partir da segunda quinzena de fevereiro de 2022. A Diretoria de Extensão entra em contato com NDEs e coordenadores de curso para agendamento.
     

Processo contínuo de avaliação e Revisão dos Projetos Pedagógicos de Curso (PPC)

A partir das capacitações com os respectivos NDEs, até 2021/2, foram contabilizados 30 cursos de graduação com a extensão curricularizada, o que representa 53% do total de cursos de graduação do IFSC. Esses cursos indicam a carga horária de extensão obrigatória nas suas matrizes curriculares, carga horária que foi alocada entre Unidades Curriculares Específicas de Extensão e Unidades Não Específicas de Extensão. Além disso, a carga horária de extensão também é explicitada nas ementas e a metodologia de abordagem da Unidade Curricular apresenta como será realizada a atividade de extensão em linhas gerais.

Esse processo de criação/adequação e avaliação dos PPCs é contínuo na instituição e passa pelos trâmites do Colegiado de Ensino Pesquisa Extensão do IFSC (Cepe). Mesmo que todos os cursos tenham a extensão curricularizada, o processo de avaliação continua, com o objetivo de obter informações sobre o impacto da extensão na formação discente e sobre o impacto e transformação social promovida pela atividade extensionista.

Durante as atividades de capacitação sobre a curricularização da extensão, a dúvida mais frequente é sobre o “como fazer”. Diante disso, o processo foi dividido em quatro passos, para facilitar o entendimento.

Como fazer?

A seguir são apresentadas as principais ações que foram tomadas para atingir o objetivo da estratégia 12.7 do Plano Nacional de Educação, dedicar 10% da carga horária total dos cursos de graduação para atividades de extensão. Essas ações foram divididas em quatro passos – Regulamentação e possibilidades, Atualização dos Projetos de Curso, Avaliação dos Projetos e Monitoramento. Esses passos formam um ciclo que se retroalimenta, esse ciclo se assemelha ao de implementação de uma política pública, como descrito por Frey (2000).

1º passo: Regulamentação e possibilidades

Em setembro de 2015 foi publicada pelo Conselho Superior do IFSC – Consup a Resolução 35/2015, que trata da curricularização. A resolução traz “diretrizes para a inclusão de atividades de extensão nos currículos de cursos de graduação do IFSC” e foi atualizada um ano após a sua publicação, sendo substituída pela Resolução Consup 40/2016.

Para fins de curricularização, a critério dos cursos de graduação do IFSC, a extensão pode ser distribuída no Projeto Pedagógico dos Cursos (PPC):

1. como parte de componentes curriculares não específicos de extensão;
2. como unidades curriculares específicas de extensão;
3. como composição dos itens I e II.

Nesse sentido, a extensão é integrada aos currículos de graduação, contribuindo para a formação integral discente, sempre proporcionando a articulação dos conhecimentos, habilidades e atitudes previstas no curso com as demandas da sociedade. A extensão contribui diretamente para atingir o perfil do egresso pensado para o curso.

2º Passo: Atualização do PPC

Após a publicação da resolução da curricularização, a Pró-Reitoria de Extensão e Relações Externas do IFSC (Proex) promoveu e ainda promove diversos encontros e capacitações com os Núcleos Docentes Estruturantes (NDEs). As reuniões de capacitação visam apresentar as possibilidades de inclusão da Extensão nos PPCs e também capacitar sobre as definições do próprio conceito de extensão.

Cada NDE tem autonomia para construir o PPC e descrever como a extensão será executada no curso em questão, desde que atenda as resoluções vigentes, tanto a da curricularização quanto a que apresenta os conceitos de extensão no IFSC. Para garantir que o PPC atenda às regulamentações vigentes, ele é apreciado pelo Colegiado de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe).

3º Passo: Avaliação do PPC

Após a criação ou atualização do PPC, o documento será aprovado pelo Cepe somente se obtiver parecer favorável da Diretoria de Extensão do IFSC (Direx). O documento passa por avaliação da equipe técnica da extensão para checar se os critérios elencados nas resoluções foram atendidos. Caso o PPC descumpra algum item da legislação vigente, ele é devolvido para que o NDE faça os ajustes necessários, de acordo com as indicações do parecerista. Após essa etapa o curso segue para a análise do Conselho Superior do IFSC (Consup). Caso o PPC seja aprovado, ele pode entrar em oferta, já com a previsão das atividades de extensão obrigatórias.

Para ser aprovado no IFSC um PPC de graduação passa pelo seguinte fluxo:

  • Elaboração pelo NDE e segue para a aprovação do Colegiado do Curso;
  •  Envio para o Colegiado do câmpus;
  • É facultado aos campus dialogar com a Direx antes do envio do PPC ao Cepe, para realizar possíveis ajustes. 
  •  Avaliação por um/a parecerista do Cepe e pela  equipe técnica da Diretoria de Extensão (Direx);
  • Caso o PPC NÃO tiver parecer favorável da Direx, ele retorna para o NDE para ajustes e depois é enviado novamente para a Direx para uma segunda análise;
  • Se tiver parecer favorável da Direx, o PPC retorna para o Cepe para aprovação;
  • Caso seja aprovado, ele é encaminhado para o Consup para avaliação e posterior publicação.

4º Passo: Monitoramento das atividades de extensão curricularizadas junto aos NDEs dos cursos

Somente com os cursos em oferta que será possível verificar a efetividade de toda essa movimentação institucional. Cabe à instituição de ensino verificar se as suas resoluções internas atendem às leis maiores e se isso tem se traduzido nos projetos de curso e, além disso, na prática docente e discente. Este último passo pode dar início a uma nova atualização de resoluções e projetos de curso, em um processo que é cíclico.

Fonte: FRUTUOSO, T. P. O Processo de Curricularização da Extensão nos Cursos de Graduação do Instituto Federal de Santa Catarina - IFSC. Dissertação mestrado - Centro de Referência em Formação e Educação a Distância CERFEAD, Instituto Federal de Santa Catarina - IFSC. Florianópolis, 162 p. 2020.

Atuação ou papel da Diretoria de Extensão no processo de Curricularização da Extensão

  • A Diretoria de Extensão atua diretamente no processo de curricularização, de forma dialogada e dialógica, de acordo com o processo educativo que envolve a tríade e o fazer extensionista, com os NDE's, coordenadores de cursos, coordenadores de extensão e outras instâncias institucionais;
  • Atua também na oferta de oficinas de formação;
  • Constitui comissão de acompanhamento e revisão de documentos e regulamentações; 
  • Designa servidores para atuarem no atendimento junto aos câmpus;
  • Produz, organiza e divulga material sobre os processos de curricularização da extensão; 
  • Articula com outras Pró-Reitorias, Conselhos e Colegiados ações sobre a curricularização da extensão;
  • É representada pelo Pró-Reitor junto aos fóruns de extensão;
  • Sempre que convidada, encaminha representante para palestrar, compor mesa ou participar de evento externo sobre curricularização da extensão.
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