20.03 | Pesquisa do IF-SC aponta poluição no Rio Papaquara, em Florianópolis

INSTITUCIONAL Data de Publicação: 19 mar 2009 21:00 Data de Atualização: 06 fev 2018 13:21

O Rio Papaquara, um dos principais do Norte da Ilha de Santa Catarina, é seriamente afetado pelo despejo de esgoto. Essa é a conclusão de uma pesquisa sobre a qualidade da água na bacia hidrográfica do rio desenvolvida durante nove meses por professores e alunos do Instituto Federal de Santa Catarina (IF-SC, antigo Cefet-SC). De sete pontos do rio analisados, apenas na nascente a água apresentou condições normais, sem a influência do homem.

A pesquisa foi desenvolvida por meio de um acordo de cooperação técnico entre o IF-SC e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Em seis pontos analisados 11 vezes durante o inverno, primavera e verão do ano passado, foram registradas quantidades acima do aceitável de fosfato, nitrogênio e coliformes fecais, o que indica lançamento de esgoto na água do Rio Papaquara. O resultado da poluição é o surgimento excessivo de algas e a proliferação de bactérias que consomem o oxigênio diluído na água, causando morte de outras espécies e conseqüentemente, redução da biodiversidade. Além disso, a alta concentração de coliformes fecais representa risco à saúde das comunidades que vivem no entorno do rio.



Uma das coordenadoras da pesquisa, a professora Débora Monteiro Brentano, do curso técnico em Meio Ambiente do IF-SC, conta que o trecho mais crítico fica perto da comunidade Vila União, onde há uma estação de tratamento de esgoto. O índice de oxigênio diluído – oxigênio da atmosfera que se dilui na água, usado na respiração dos seres vivos – encontrado naquele local pelos pesquisadores do IF-SC em uma das medições foi de 0,32 mg/l, quando o normal é um valor acima de 6 mg/l (na nascente do rio, por exemplo, o valor chegou a 7,04 mg/l).

Neste ponto o rio tende a um estado em que o oxigênio inexiste, liberando gases malcheirosos como o metano"

, diz Débora. Os dados sugerem que esgoto

in natura

esteja sendo despejado no rio naquele trecho.



Outros pontos do rio também sofrem com a ação do homem. Numa das análises feitas em água coletada perto da ponte sobre o Rio Papaquara, na entrada de Canasvieiras, foi encontrando um índice de 13 mil coliformes fecais para 100 ml de água, quando o máximo aceitável são 200 coliformes por 100 ml. Todos os dados foram repassados ao Ibama e ao Instituto Chico Mendes, órgão do governo federal responsável pela Estação Ecológica de Carijós, uma área de proteção ambiental por onde passa o rio.



Além da professora Débora Brentano, participaram da pesquisa o professor Eduardo Chaves e os estudantes Thiago Victorette, Izabelle Damian, Mayara Cardozo e Guilherme Santos.

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