Alimentação escolar: IFSC constrói política e amplia iniciativas nos câmpus

INSTITUCIONAL Data de Publicação: 21 out 2026 06:00 Data de Atualização: 21 out 2026 08:26

O lanche ou refeição oferecidos todos os dias aos estudantes do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) representam mais do que fornecer um alimento: contribuem para a segurança alimentar dos que estão em vulnerabilidade, facilitam a rotina de quem concilia estudo e trabalho, promovem o conhecimento sobre o que se come e incentivam o desenvolvimento local. 

Neste Dia da Alimentação Escolar, celebrado em 21 de outubro, a Diretoria de Assuntos Estudantis (DAE) convida servidores e estudantes a refletirem sobre a importância da alimentação escolar no IFSC. Há mais de uma década a instituição tem um programa de saúde alimentar e agora consolida uma política institucional que está em consulta pública para receber opiniões e sugestões.

“É o momento de compartilharmos também experiências. Os câmpus estão buscando soluções para a oferta ir além da fruta e biscoito. Muitos fizeram parcerias com as cantinas para servir um panificado e outros conseguiram trazer propostas inovadoras”, afirma Guilherme Henrique Koerich, diretor de Assuntos Estudantis (DAE) do IFSC. Os câmpus Urupema e Jaraguá do Sul-Centro, por exemplo, contrataram uma empresa que fornece marmitas, e Palhoça-Bilíngue e Gaspar também estão servindo refeições. 

Em Urupema, a assistente de aluno e articuladora da alimentação escolar, Naiara Leonardo Araújo, relata como a oferta mudou a rotina dos estudantes: “Temos muitos estudantes que vêm de outras cidades ou mesmo da zona rural que costumam sair muito cedo de casa. Para as aulas da tarde, alguns nem conseguiam almoçar. Com a oferta das marmitas, eles têm conseguido se organizar melhor.”

São mais de 200 marmitas servidas por semana no câmpus, entre galinhada, strogonoff, frango cremoso e outras opções. Elas são congeladas para evitar desperdício e solicitadas por estudantes dos cursos técnicos, de jovens e adultos (Proeja) e de curta duração (FICs). Cada aluno se alimenta no melhor horário: quando chega no câmpus, no intervalo ou quando vai embora, respeitando diferentes rotinas e necessidades. 

 

Com fome não se aprende

Uma alimentação balanceada também está relacionada com o processo de aprendizagem, pois contribui para o desenvolvimento físico e cognitivo, como aponta a coordenadora de Alimentação Escolar do IFSC, Carolina Abreu Henn de Araújo. “E isso ganha ainda mais importância quando pensamos nos estudantes em situação de vulnerabilidade ou naqueles que passam muitas horas do dia no câmpus. Para muitos, a alimentação oferecida na instituição pode fazer uma diferença significativa.”

Ela destaca que a alimentação escolar precisa ser tratada como parte da formação integral dos estudantes e das políticas de permanência e êxito. “E é por isso que não basta simplesmente oferecer qualquer alimento. Precisamos pensar na qualidade do que está sendo servido, na variedade, no valor nutricional e também no respeito à cultura alimentar e às necessidades específicas dos estudantes.”

Guilherme reconhece que para contemplar estas necessidades, o ideal são os refeitórios como o de Araranguá, em funcionamento desde 2017, e que estão sendo construídos em oito câmpus do IFSC - Xanxerê, Tubarão, Criciúma, Joinville, Garopaba, Jaraguá do Sul-Rau, São Carlos e Lages. O de Florianópolis já foi concluído.

Confira como é o refeitório do Câmpus Araranguá, que serve mais de 450 refeições por dia:

 

 

Em outra frente, os câmpus estão investindo em estrutura, como a compra de móveis, geladeiras, microondas e utensílios. O edital nº 06/2026/DAE/Proen destinou cerca de R$ 2,8 milhões para apoiar projetos como aquisição de mobiliário, serviços de preparo e distribuição de refeições e melhoria dos espaços.

Com outras fontes de recursos, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), foram este ano R$ 6,3 milhões destinados à alimentação escolar do IFSC. 

Política em consulta pública

Até dezembro servidores e alunos podem dar suas sugestões para melhorar a alimentação escolar. Além do formulário eletrônico de consulta da Política de Promoção daAlimentação Escolar Saudável do IFSC, a Diretoria de Assuntos Estudantis (DAE) está percorrendo os câmpus em comitivas da Reitoria para conversas com os públicos. 

“Em um primeiro momento temos uma audiência com a gestão, em que a gente identifica dificuldades, o que está dando certo e precisa ser melhorado. Fazemos um raio-x do câmpus para o nosso planejamento. E num segundo período a gente faz uma audiência com os estudantes, na qual a gente apresenta a política de alimentação escolar e ouvimos os estudantes. Também deixamos um cartaz no câmpus para que eles façam a avaliação da alimentação de uma maneira global", explica Guilherme.

A política pretende dar unidade às iniciativas já desenvolvidas nos câmpus e estabelecer diretrizes comuns para fortalecer a alimentação estudantil.

Agricultura familiar no cardápio

Outra dimensão muito importante é a relação da alimentação escolar com a sustentabilidade e o desenvolvimento local. “Quando adquirimos alimentos da agricultura familiar, por exemplo, favorecemos a oferta de alimentos frescos e diversificados, valorizamos os produtores locais e a cultura alimentar da região. É interessante perceber como uma política de alimentação escolar pode trazer benefícios que vão além dos estudantes, alcançando também as famílias, os agricultores e a própria comunidade”, afirma Carolina.

A valorização desses produtores está prevista na legislação do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). A Lei nº 11.947/2009, que regulamenta o programa, estabelece diretrizes para a alimentação escolar e para a aquisição de produtos da agricultura familiar. No mínimo 45% dos recursos repassados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) ao PNAE devem ser destinados à aquisição direta desses produtos, conforme alteração promovida pela Lei nº 15.226/2025.

No IFSC, a nova Matriz de Distribuição de Recursos da Alimentação Escolar, instituída em 2026, busca tornar a distribuição do orçamento entre os câmpus mais equitativa, transparente e previsível. Entre os critérios considerados estão o público atendido e a aquisição de alimentos da agricultura familiar.

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