Estudante do IFSC Câmpus Lages é destaque em congresso na Argentina com projeto de computação inclusiva

INSTITUCIONAL Data de Publicação: 15 out 2026 17:09 Data de Atualização: 16 out 2026 10:07

No dia 6 de outubro, Paulo Sérgio Furtado Filho, acadêmico do quarto semestre do curso de Ciência da Computação do IFSC Câmpus Lages, apresentou o projeto de extensão “Autismo, hiperfoco e aprendizagem em computação: estratégias educativas inclusivas para estudantes com TEA” no 32º Congreso Argentino de Ciencias de la Computación (CACIC 2026). O evento ocorreu de 5 a 9 de outubro de 2026, na Facultad Regional Concepción del Uruguay (FRCU), da Universidad Tecnológica Nacional, em Concepción del Uruguay, na província de Entre Ríos, Argentina. O trabalho foi selecionado como artigo destaque.

Coordenado pelo professor Fábio Aiub Sperotto, o projeto desenvolve oficinas de programação e pensamento computacional para estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) de níveis 1 e 2.

A iniciativa surgiu da experiência de Paulo Sérgio como docente na rede estadual de ensino. Ao acompanhar estudantes com TEA, ele identificou dificuldades e potencialidades no processo de aprendizagem. “A ideia central foi transformar essas observações em uma contribuição concreta: devolver à comunidade docente metodologias, práticas e ferramentas pedagógicas adaptadas, capazes de tornar o ensino de computação mais acessível e eficaz para esses estudantes”, explicou.


Construção com as escolas


As oficinas incluem atividades de programação, resolução de problemas, jogos educativos e uso de tecnologias digitais. O projeto também desenvolve materiais didáticos acessíveis, como roteiros de atividades e guias para professores, que podem ser reutilizados pelas escolas. As atividades são adaptadas às necessidades de cada participante para contribuir com sua aprendizagem.

A parceria entre escolas, famílias e professores é fundamental para a iniciativa. Segundo Paulo Sérgio, a escola parceira disponibiliza espaço, equipamentos e apoio de outros profissionais, enquanto as famílias acompanham as atividades e colaboram na adaptação das estratégias pedagógicas. 

“Essa articulação entre diferentes esferas é exatamente o que confere impacto real à pesquisa e à extensão”, avaliou. Para ele, a comunidade não apenas recebe as ações, mas também participa da construção de estratégias educacionais.


Experiência internacional


Ao falar sobre sua participação no CACIC 2026, Paulo Sérgio destacou a importância da experiência para sua formação acadêmica. “Participar de um congresso internacional de alto prestígio transforma profundamente a forma como enxergamos a produção científica. Para além de apresentar uma pesquisa, a oportunidade de ouvir, debater e aprender com cientistas da computação de diferentes culturas e trajetórias acadêmicas é extremamente engrandecedora. Isso expande a visão sobre o papel social da tecnologia e reforça como a computação deve dialogar com a educação e a inclusão”, pontuou.

Ao comparar as realidades do Brasil e da Argentina, o autor do trabalho também compartilhou suas percepções sobre a educação inclusiva nos dois países:
“Em ambos os países ainda existem muitos desafios estruturais e aspectos a serem aprimorados quando o tema é educação inclusiva. Como ponto comum, percebi que a estrutura educacional básica e os próprios interesses e perfis dos estudantes são muito semelhantes. No entanto, em diálogos com docentes e pesquisadores locais na Argentina, notei a percepção de que o Brasil tem demonstrado uma mobilização maior em torno de políticas, pesquisas e projetos voltados especificamente ao espectro autista, enquanto eles sentem que a abordagem dessas práticas inclusivas por lá ainda caminha em um ritmo inicial”, relatou.


Reconhecimento internacional


Para Paulo Sérgio, ter o trabalho selecionado como destaque no CACIC 2026 representa uma oportunidade de ampliar a visibilidade da produção acadêmica do IFSC. “Representar o IFSC em um espaço internacional consolida um objetivo da minha trajetória acadêmica: levar a formação do curso de Ciência da Computação para além das fronteiras do país”, declarou.

“Espero que essa conquista motive outros estudantes a ocuparem esses espaços, reafirmando a participação do IFSC em iniciativas internacionais”, concluiu.
Ao promover o ensino de computação de forma acessível a pessoas com TEA, o projeto está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 4 (Educação de Qualidade) e 10 (Redução das Desigualdades), da Organização das Nações Unidas (ONU). A parceria entre o IFSC, as escolas e as famílias também se relaciona ao ODS 17 (Parcerias e Meios de Implementação). As experiências desenvolvidas poderão servir de referência para futuras pesquisas sobre educação inclusiva, desde que sejam observados os procedimentos éticos necessários.
 

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