Curso de Língua Portuguesa e Cultura Brasileira para Estrangeiros forma 27 estudantes no Câmpus Florianópolis

ESTUDE NO IFSC Data de Publicação: 26 ago 2026 14:10 Data de Atualização: 26 ago 2026 14:30

O Câmpus Florianópolis do IFSC realizou a formatura de mais uma turma do curso de Formação Inicial e Continuada (FIC) em Língua Portuguesa e Cultura Brasileira para Estrangeiros (Nível Básico). Dos 30 estudantes matriculados no início das aulas, o limite máximo de vagas iniciais, 27 concluíram com êxito a capacitação, registrando um índice expressivo de permanência ao longo de um ano de atividades letivas.

Com carga horária de 360 horas distribuídas em dois semestres, o curso oferece aulas no período noturno às segundas e quintas-feiras. A matriz curricular integra quatro módulos de Língua Portuguesa com unidades dedicadas a Artes, Realidade Brasileira e Cidadania Brasileira. A turma recém-formada reuniu uma rica multiplicidade cultural, com 18 alunos originários do Haiti, além de estudantes da Venezuela, uma aluna da Argentina e um casal da Rússia. A professora e articuladora do curso, Gisele Luz Cardoso, explicou que a proposta institucional vai além do ensino tradicional do idioma, atuando como ferramenta de inclusão humanitária. "Ele não é só um curso de português, mas um curso de acolhimento, o idioma como língua de acolhimento. O público-alvo são os imigrantes ou refugiados, pessoas mais vulneráveis que precisam saber a língua portuguesa para conseguir um emprego, sobreviver e obter a certificação necessária para os processos de cidadania e naturalização brasileira", explica a professora.

Segundo a articuladora, o espaço já atendeu pessoas vindas da Palestina, Irã, Itália, Colômbia e de outros países da América Latina. Para ela, cada turma é uma oportunidade de realização, não só para os alunos, mas para ela como servidora da instituição. "Eu sempre crio um vínculo muito forte com eles e me sinto muito realizada fazendo esse trabalho", complementa.

Compreensão cultural e novas oportunidades

Para os formandos, a vivência em sala de aula facilitou a adaptação à dinâmica social de Florianópolis e do país. Residente no Brasil há mais de dois anos, a venezuelana Carlianny Yexibeth Vasquez Cedeño ressaltou a relevância de conhecer a pluralidade cultural brasileira. "O curso foi muito bom, aprendi muitas coisas sobre como falar e como é a cultura do Brasil para ter mais comunicação. Foi uma turma muito unida e a professora Gisele nos acolheu muito bem. Foi muito importante porque o Brasil é muito grande e aqui em Florianópolis tem pessoas de várias partes, como Bahia e Pará. Cada lugar tem suas diferenças, e aprender sobre tudo isso foi ótimo", disse a egressa. Carlianny adiantou que já deu os primeiros passos para ampliar seus estudos na área de confeitaria, visando melhores colocações no mercado.

A qualificação na língua brasileira também representou ganho imediato de autonomia para o venezuelano Yoalberth David Romero Gamero, que vive no país há três anos e meio. "Dou nota 10 para o curso. É muito importante fazer as aulas para ter mais confiança na hora de falar e de se comunicar no dia a dia. Foi fundamental para mim", disse. Yoalberth contou que foi avisado por familiares sobre o curso e que também planeja continuar estudando na instituição em uma área com alta demanda de emprego. "Ainda não sei a área ao certo", completa.

A conclusão do curso também tem servido como ponte de acesso a outras formações ofertadas pelo IFSC. Muitos egressos buscam cursos de qualificação em Gastronomia, Mecânica, idiomas adicionais ou ingressam em cursos técnicos subsequentes. O haitiano Ricaldo Caril, que mora no Brasil há pouco mais de um ano e conheceu a capacitação por indicação da mãe, que também é aluna do IFSC, manifestou o desejo de ingressar no ensino técnico. "Gostei muito do curso. Agora eu consigo conversar em português e quero continuar estudando aqui no IFSC até fazer um curso técnico, como Mecânica, para trabalhar e construir o meu futuro", afirma.

A instituição auxilia no direcionamento dos egressos que desejam avançar para o nível intermediário de português em outros câmpus da rede ou em instituições parceiras, além de incentivar a inscrição nos processos seletivos regulares do próprio IFSC.

 

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