ESPECIAL Data de Publicação: 10 jul 2026 18:12 Data de Atualização: 11 jul 2026 11:37
O Câmpus Florianópolis do IFSC realizou na última sexta-feira (3), em seu auditório, o lançamento do e-book "1º Seminário de Cineclubismos Latino-Americanos: história e histórias". A publicação reúne pesquisas e relatos de cineclubistas, pesquisadores e realizadores de mais de dez países latino-americanos, resultado do seminário homônimo realizado de forma online em 2021, durante a pandemia.
O lançamento contou com a presença de organizadores e integrantes do comitê gestor do seminário, entre eles a professora Gizely Cesconetto Campos, do IFSC; o historiador Felipe Macedo, idealizador da iniciativa; o professor Rafael Morato Zanatto, da Universidade Federal da Paraíba; e da cineclubista equatoriana Laura Godoy Andrade. A cerimônia também trouxe uma mensagem de solidariedade ao povo venezuelano, marcada pela participação de Juan Manuel Hernandez, membro do comitê gestor conectado diretamente de Caracas, em meio a uma crise política e a terremotos recentes no país.
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Origem do projeto
O livro nasceu em um contexto de isolamento social, quando cineclubistas de diferentes países passaram a se articular por meio de encontros virtuais. "Percebemos que justamente naquele momento havia uma necessidade enorme de se conversar, de compartilhar experiências e reconhecer que os desafios enfrentados pelos cineclubes não eram locais", contou a professora durante o evento.
Felipe Macedo, que ajudou a idealizar o primeiro seminário junto com Gizely, destacou o esforço coletivo que resultou na obra. "A gente conseguiu ter uma iniciativa de reunir uma reflexão sobre o cineclubismo que existia de forma isolada", afirmou, acrescentando que o livro uniu, por vezes pela primeira vez, "o segmento dos ativistas, dos cinéfilos e o mundo acadêmico”, disse.
Relevância política e social
Rafael Morato Zanatto reforçou o papel histórico e político dos cineclubes na formação de públicos e na resistência democrática. "O cineclube é um espaço de discussão política. O olho no olho, a contemplação coletiva de obras e de filmes, as discussões horizontais são fundamentais para a manutenção do amor pela democracia", declarou. Já a cineclubista equatoriana Laura, integrante do comitê gestor, ressaltou o valor simbólico da publicação para a memória coletiva do continente. "É muito importante celebrar o lançamento deste livro para que não percamos nossa memória coletiva; ao longo destas 400 páginas, descobriremos a diversidade, a história e a importância do cinema e de seu público.", afirmou.
Falando diretamente de Caracas, Juan Manuel Hernandez emocionou os presentes ao relatar como o próprio livro tem sido usado em ações comunitárias em meio à crise venezuelana. "Este livro é um ato de resistência, uma forma de conscientização. Projetamos [as páginas do livro] em telas de abrigos, e as pessoas as leram e debateram.", contou.
Conteúdo e apoio institucional
A obra está organizada em cinco eixos temáticos, abordando desde a história do cineclubismo latino-americano até experiências práticas de organização de públicos e políticas públicas para o setor. "O livro preserva parte dessa diversidade e diferenças. Reúne textos históricos, estudos de casos sobre cineclubes, pesquisas sobre políticas públicas, reflexões sobre cinefilia e relações entre cineclubismos e diferentes cinematografias nacionais e grupos sociais", explicou Gizely.
O e-book tem acesso gratuito e reúne trabalhos apresentados por pesquisadores de países como Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, México, Uruguai e Venezuela, além de contribuições de estudiosos residentes nos Estados Unidos e na Europa.
O evento contou com transmissão pelo canal do Cineclube Ó Lhó Lhó no youtube. Assista abaixo: