Jaraguá do Sul capacita servidores terceirizados sobre atendimento a pessoas com deficiência

GESTÃO DE PESSOAS Data de Publicação: 22 jun 2026 13:17 Data de Atualização: 22 jun 2026 13:54

Atividade organizada pelo Núcleo de Acessibilidade Educacional (NAE) do Câmpus Jaraguá do Sul-Rau buscou qualificar o acolhimento a estudantes e à comunidade em geral.

O Núcleo de Acessibilidade Educacional (NAE) do IFSC Câmpus Jaraguá do Sul-Rau promoveu na última quinta-feira (18) a primeira etapa de uma oficina voltada a servidores terceirizados da instituição. O objetivo do encontro foi capacitar a equipe sobre como atender e lidar com pessoas com deficiência, aprimorando o acolhimento tanto a estudantes quanto ao público externo que visita o câmpus. Um segundo encontro ocorrerá nesta semana para contemplar os servidores terceirizados que não puderam participar da primeira conversa.

A iniciativa, estruturada coletivamente pela equipe do NAE, foca nos profissionais que realizam o primeiro contato com quem chega à instituição, como as equipes de portaria e de vigilância. Segundo a professora de Educação Especial do câmpus, Crisliane Boito, esses trabalhadores são fundamentais para o cumprimento da missão institucional de inclusão. “Geralmente nós, os servidores do IFSC, não somos os primeiros que recebem essas pessoas: é a portaria, é o pessoal da vigilância. Então a gente quer que todo mundo que chegue no câmpus do IFSC Rau se sinta acolhido de modo pleno”, afirma.

Além da professora Educação Especial, também participaram do diálogo outros servidores que integram o NAE, como o psicólogo Afonso Vieira e a técnica em assuntos educacionais Paula Corrêa. Durante a tarde foram discutidas situações reais de atendimento ao público, inclusive com relatos pessoais e profissionais trazidos pelos servidores terceirizados.

Sensibilidade

Além de questões de legislação, a oficina também trouxe conceitos gerais e recomendações sobre nomenclaturas adequadas. Um dos destaques foi a necessidade de colocar a condição humana antes da deficiência, ajustando termos que costumam ser utilizados de forma incorreta.

Entre as orientações estiveram:
- Utilizar a expressão “pessoa com deficiência” (em vez de deficiente) e “pessoa do espectro autista” (em vez de autista), garantindo que a pessoa venha sempre na frente e não se olhe apenas para a característica da deficiência;
- Não utilizar termos no diminutivo, como “ceguinho” ou “surdinho”;
- Compreender que muitos estudantes ou visitantes adultos não se sentem à vontade para vestir o cordão de identificação (alguns o guardam no bolso);
- Assim como qualquer pessoa, o indivíduo com deficiência pode ter dias em que não deseja conversar ou se aproximar, sendo fundamental respeitar esse espaço e não forçar uma interação.

Quem atende

Para os participantes, a oportunidade permitiu tirar dúvidas práticas. Foi o caso de Ivonete Kruger, de 38 anos, que trabalha na portaria do câmpus e também atua como catequista, lidando fora do IFSC com crianças com deficiência em sua comunidade.

Segundo Ivonete, a oficina trouxe novidades importantes sobre o processo de atendimento. “Achei bem interessante... Na pessoa com deficiência visual, por exemplo, a gente não deve chegar nela já tocando. Tem que dizer o que vai acontecer antes ou pedir permissão para alguma coisa: ‘posso pegar na sua mão?’, ‘posso te abraçar?’, lembra.

Ivonete também conta que é frequentemente procurada pelos estudantes do câmpus para conversar e é importante saber lidar com qualquer pessoa que chegue ao IFSC. “Eu acho que fundamental é perguntar, dialogar com a pessoa, porque tu não vai saber nada se não chegar a perguntar: ‘se sente bem que eu abra a porta?’, ‘prefere fazer sozinho?’. Não depende só da deficiência, depende de cada um”, conclui.

Permanência e êxito

De acordo com a professora de Educação Especial, promover uma primeira boa impressão em quem chega ao câmpus pode gerar reflexos diretos na trajetória escolar. “Se a gente, como servidor, recebe uma pessoa que foi bem recebida, que foi respeitada, que foi vista de verdade, lá dentro [do IFSC] a gente continua esse trabalho. Aumenta a chance de termos um estudante que permanece na instituição e que vai concluir o curso”, defende Crisliane.

Como exemplo do sucesso desse acompanhamento durante o curso, a docente menciona a alegria da equipe ao tratar, recentemente, dos preparativos para a formatura de um estudante com surdez. “Chega a dar uma alegria, uma sensação de que a gente cumpriu o nosso papel do começo até o fim”, comemora a docente.

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