Simpósio de Sustentabilidade termina com moção de apoio à APA da Baleia Franca

EVENTOS Data de Publicação: 29 mai 2025 19:58 Data de Atualização: 06 jun 2025 18:43

O Simpósio de Sustentabilidade do IFSC foi encerrado nesta quinta-feira (29), depois de três dias de debates, palestras e apresentação de um projeto de extensão por câmpus. O evento foi realizado na Reitoria do IFSC, em Florianópolis.

O encerramento contou também com uma moção de apoio à manutenção da Área de Proteção Ambiental (APA) da Baleia Franca. A redação do texto foi idealizada na abertura do evento, na terça-feira (27), com palestra do professor da UFSC Paulo Horta, em que os participantes demonstraram preocupação com os projetos de lei que tramitam no Congresso Nacional visando diminuir área de preservação ou mesmo extinguir a APA.

A professora Elisa Serena Gandolfo Martins, do Câmpus Garopaba do IFSC, fez a leitura da moção de apoio, que será encaminhada à Secretaria Executiva da APA. O Câmpus Garopaba faz parte do Conselho da APA desde a sua criação, em 2012, e participou ativamente na criação do seu Plano de Manejo, em 2018 (leia a moção de apoio na íntegra abaixo).

A reitora em exercício Sabrina Villela Pacheco destacou alguns pontos que estimularam a realização do evento, como a exigência do Tribunal de Contas da União (TCU) para o IFSC apresentar o Índice de Governança e Gestão, a partir da qual o Comitê Adjunto de Governança observou diversos pontos de melhoria a serem implementados na Reitoria e nos câmpus, como o manejo de resíduos. Sabrina destaca intenção de dar continuidade ao evento, expandindo a participação para incluir projetos de ensino e pesquisa.

A diretora de Comunicação do IFSC, Geisa Golin Albano, lembrou que estamos em ano de COP 30, e por isso foi importante debater temas relativos à sustentabilidade e às mudanças climáticas no âmbito do IFSC.  

Moção de Apoio à Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca

Considerando a participação do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) no Conselho da Área de Proteção Ambiental (APA) da Baleia Franca desde 2012, tendo participado ativamente da elaboração do Plano de Manejo da Unidade de Conservação publicado em 2018, e realizado diversos projetos de ensino, pesquisa e extensão em parceria com a Unidade de Conservação.

Considerando a importância da presença da APA da Baleia Franca, Unidade de Conservação de Uso Sustentável, em partes da região de abrangência dos Câmpus Florianópolis, Florianópolis-Continente, Palhoça, Garopaba e Tubarão, com objetivo de “ordenar e garantir o uso racional dos recursos naturais da região, ordenar a ocupação e utilização do solo e das águas, ordenar o uso turístico e recreativo, as atividades de pesquisa e o tráfego local de embarcações e aeronaves”, como previsto no Decreto Presidencial 14 de setembro de 2000.

Considerando que a categoria de Unidade de Conservação “Área de Proteção Ambiental” consiste em “uma área em geral extensa, com um certo grau de ocupação humana, dotada de atributos abióticos, bióticos, estéticos ou culturais especialmente importantes para a qualidade de vida e o bem-estar das populações humanas, e tem como objetivos básicos proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais”, como definido pela lei federal nº 9.985 de18 de julho de 2000.

Considerando as discussões realizadas no I Simpósio de Sustentabilidade do IFSC, realizado entre os dias 27 e 29 de maio de 2025, sobre a emergência climática e a necessidade de ações efetivas que garantam a conservação de áreas frágeis, em particular a zona costeira.

Considerando a adesão do IFSC como instituição signatária dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, responsabilizando-se com seus objetivos e metas, em especial o ODS 16 – Mudanças climáticas, 17 – Vida na terra e 18 – Vida na água.

Considerando os princípios da vedação ao retrocesso ambiental, da prevenção e da precaução, uma vez que os modelos científicos preveem a necessidade de proteção ambiental da linha da costa contra os avanços do nível do mar.

O Instituto Federal de Santa Catarina manifesta apoio à APA da Baleia Franca, para a manutenção de toda sua extensão territorial, sendo contrário ao Projeto de Lei (PL) n.849/25, que visa retirar a área terrestre da Área de Proteção Ambiental (APA) da Baleia Franca e o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) n.130/25, que busca revogar o ato de criação desta importante Unidade de Conservação.
 

Mesa-redonda discutiu gestão de resíduos sólidos

Desafios e soluções para a gestão de resíduos sólidos, foi o tema de uma mesa-redonda realizada durante o Simpósio de Sustentabilidade do IFSC. Os participantes falaram sobre iniciativas da prefeitura de Florianópolis para gestão desses resíduos, sobre a legislação aplicada ao tema em Santa Catarina e sobre o monitoramento da qualidade da água da Lagoa do Peri, importante manancial na capital catarinense.

Servidor que atua com educação ambiental na Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Florianópolis, Marcelo Luiz Zapelini apresentou algumas iniciativas adotadas pela prefeitura da capital catarinense para a gestão dos resíduos sólidos e para a educação da população sobre a importância da reciclagem.

Para Marcelo, não existe “lixo zero”, mas “o melhor lixo é aquele que não é produzido”. Ele citou um estudo do Câmpus Itajaí que encontrou microplásticos - fragmentos de plástico formados a partir da degradação desse material - acumulados na carne de mariscos como exemplo de como o destino inadequado de resíduos pode acabar nos afetando.

“A gente fala em economia circular, mas na verdade atualmente o que circula é o lixo. A gente joga pro meio ambiente e a natureza acaba nos devolvendo. O lixo é aquilo que sobra da nossa necessidade e do nosso desejo. E hoje os desejos estão muito aflorados pelo marketing”, comentou.

A fala completa de Marcelo na mesa-redonda está na primeira parte da gravação da mesa-redonda, disponível no canal do IFSC no YouTube (vídeo abaixo).  

Membro do gabinete do deputado estadual Marquito, Letícia Barbosa fez uma apresentação sobre leis estaduais e municipais de Florianópolis que abordam questões ambientais e valorização da agricultura e pesca. Para ela, é importante conscientizar as crianças sobre a preservação do meio ambiente, por meio da educação ambiental, para restabelecer a conexão com a natureza, que ela acredita ter diminuído nas últimas décadas.

“Acho que o encantamento [com o meio ambiente] vem disso, de restabelecer essa conexão [com a natureza]. Não somos, tipo, ‘ah, o ambiente está ali e eu estou aqui’. Nem de outra forma, ‘eu vou ali porque eu preciso daquilo, do ambiente’, de uma visão exploratória. Eu acho que a gente precisa também construir um pouco do pensamento crítico”, disse.

A terceira e última parte da mesa-redonda teve a participação dos professores Maurício Mello Petrucio e Nei Kavaguichi Leite, do Laboratório de Ecologia de Águas Continentais (Limnos) do Departamento de Ecologia e Zoologia, do Centro de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Eles falaram sobre o monitoramento da água da Lagoa do Peri, feito pelo laboratório desde 2007.

A Lagoa do Peri está localizada na parte sul da Ilha de Santa Catarina, onde fica a maior parte do território de Florianópolis. Ela é uma lagoa de água doce usada para abastecimento de água de cerca de um terço da população da capital catarinense, segundo os professores da UFSC.

O monitoramento feito pelo Limnos (acrônimo que faz referência à limnologia, especialidade da biologia que estuda as águas interiores) mostra que nos últimos anos a água da lagoa tem mudado de coloração e permitido menos passagem de luz. Os levantamentos no período apontam aumento na concentração de fósforo na água do manancial e crescimento da população da bactéria Cylindrospermopsis raciborskii, que pode ser tóxica para o ser humano.

“Aquela alga [a cianobactéria], na literatura, nos ambientes que a gente encontra, ela tá sempre associada a ambientes mais poluídos”, explicou Marcelo. Com a tendência de crescimento populacional do Sul da Ilha para os próximos anos, aumenta também a preocupação com a qualidade da água da lagoa, completou o professor. 

Nei Kavaguichi apresentou o projeto “Ciência Cidadã através do Monitoramento Participativo”, desenvolvido em 2024 pelo Limnos com estudantes de 7º ano de duas escolas de bairros próximos à Lagoa do Peri. Por meio dessa iniciativa, os alunos das escolas fizeram análise da água da lagoa coletada pela equipe do laboratório, usando kits colorimétricos.

Os resultados encontrados pelos estudantes tiveram correlação de 88% com os dados coletados pela equipe do Limnos no mesmo período. “Isso destaca a possibilidade da geração de banco de dados de qualidade da água pela comunidade. Isso é muito importante. A gente quer dar autonomia pra comunidade. Se a comunidade começar a eles próprios gerarem os seus bancos de dados, começar a se apropriar dessas informações, eu acho que as ações de conservação vão ser muito mais efetivas”, disse Nei.

As falas de Letícia, Maurício e Nei estão na parte 2 da transmissão da mesa-redonda, disponível no canal do IFSC no YouTube.

Outras transmissões

O Simpósio de Sustentabilidade do IFSC teve outros eventos transmitidos ao vivo, que estão disponíveis no canal do IFSC no YouTube. Acesse-os nos links abaixo.

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