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Projeto de Enfermagem pesquisa benefícios da realidade virtual como distração à dor para crianças hospitalizadas

CÂMPUS JOINVILLE Data de Publicação: 09 nov 2022 16:59 Data de Atualização: 11 nov 2022 16:42

O medo, a dor e o choro são comuns em crianças durante tratamentos médicos, principalmente os invasivos. Para estudar alternativas que amenizem a ansiedade e a dor e tornem a experiência menos traumática, o curso superior de Enfermagem do Câmpus Joinville do IFSC está realizando uma pesquisa sobre o uso de realidade virtual como distração para a criança durante procedimentos dolorosos.

O projeto “Realidade virtual e punção venosa periférica em crianças hospitalizadas” é aplicado no pronto socorro do Hospital Infantil Dr. Jeser Amarante Faria, em Joinville, com crianças de 4 a 15 anos, durante a punção venosa para recebimento de soro e medicamentos - após consentimento dos pais.

A interação com as crianças começa com a parte de orientação. Antes do procedimento, os estudantes de Enfermagem explicam o que é punção venosa e para que serve. Para as crianças de 4 a 8 anos, é usado um brinquedo terapêutico em que a criança pode simular a punção. Já as crianças de 9 a 15 anos são apresentadas a um folder explicativo, com linguagem própria para a idade.

Em sorteio aleatório, as crianças são divididas em dois grupos: um que usa os óculos de realidade virtual e outro não. O objetivo é avaliar a efetividade do recurso para redução da ansiedade e sensação de dor. Os pesquisadores também cronometram o tempo que o profissional de enfermagem leva entre a avaliação clínica da veia e a fixação do acesso, para comparar os tempos gastos entre os grupos.

O Lucas Matheus, de dez anos, foi uma das crianças a experimentar os óculos de realidade virtual. “Foi muito legal, porque é 3D e dá pra ver ele chegando muito perto. Eu vi lagosta, peixes e tubarão”, conta Lucas depois de “mergulhar” nas imagens do fundo do mar, reproduzidas pelos óculos de realidade virtual durante o procedimento. E, por mais que a punção tenha demorado devido à dificuldade em se encontrar a veia, ele não reclamou: “doeu muito menos que as outras vezes”.

Para a mãe Iliete, a experiência também foi gratificante. “Os óculos ajudaram muito. Ele ficou mais calmo, relaxou mais. Se todos os hospitais que atendessem crianças tivessem esses óculos, seria muito bom”, avalia.

Interação e aprendizagem acadêmica

Conforme as professoras Joanara Rozane da Fontoura Winters e Patrícia Fernandes Albeirice da Rocha, que coordenam o projeto, além dos benefícios para as crianças público-alvo, a pesquisa também foca nos resultados para os profissionais da saúde e para os estudantes de Enfermagem.

“Espera-se que o discente desenvolva habilidades de comunicação, conhecimento técnico, manejo da dor pediátrica e motivação sobre pesquisa científica. Para a equipe assistencial, espera-se melhora dos processos de trabalho, com consequente redução de custos devido à maior assertividade no procedimento e melhora do padrão comportamental da criança”, explicam as professoras de Enfermagem do IFSC.

Até agora, quinze estudantes do curso superior de bacharelado em Enfermagem participaram das atividades de execução e orientações sobre realidade virtual, observação do processo e aplicação das escalas para mensurar a dor e dificuldade de acesso venoso. As estudantes Kethelly Conte e Rafaela Lemke Esteves já comemoram os primeiros resultados: o alinhamento entre o conhecimento de sala de aula e a prática e a interação com os profissionais da área.

Aluna da 7ª fase de Enfermagem e integrante da equipe desde o início, Kethelly elogia o projeto. “Ao ver a interação e alívio dos pais e o comportamento das crianças durante os procedimentos, percebemos como a informação e o uso de um recurso diferente auxiliam no processo”, conta a estudante, que aguarda ansiosa a análise final dos dados para confirmar as observações.

Apesar de ter ingressado na equipe com o projeto em andamento, Rafaela também consegue perceber a diferença que a realidade virtual traz no atendimento. “Entendendo o que vai acontecer e entretidas com as imagens dos óculos de realidade virtual, as crianças ficam mais tranquilas e vão se familiarizando com o ambiente hospitalar”, explica a aluna da 4ª fase.

Iniciado em setembro de 2021 e com prazo de execução até este mês de novembro, o projeto já atingiu 405 crianças. A pesquisa é realizada em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), onde professora Patrícia realiza o seu doutorado com estudos nesta área.

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