EVENTOS Data de Publicação: 04 nov 2025 17:30 Data de Atualização: 07 nov 2025 19:16
Começou em Florianópolis o 8º Encontro Nacional da Educação de Jovens e Adultos integrada à Educação Profissional e Tecnológica (EJA-EPT) da Rede Federal. Itinerante e colaborativo, o evento reúne representantes de instituições federais, fóruns de EJA e do Coletivo Nacional da EJA-EPT para fortalecer a modalidade, ampliar o acesso e debater financiamento, gestão democrática e desafios da oferta. A programação — com palestras, mesas-redondas, oficinas e apresentações de trabalhos — ocorre no Câmpus Florianópolis-Continente do IFSC até quinta-feira (6).
A temática central deste ano é a formação de jovens e adultos trabalhadores, com foco na construção de um currículo que promova a formação humana integral, a emancipação da classe trabalhadora e a promoção da transformação social. Ao dar as boas-vindas ao público na cerimônia de abertura, realizada nesta segunda-feira à noite (03), o reitor do IFSC, Zízimo Moreira Filho, destacou o sentido coletivo do encontro: “Esse momento é o reflexo vivo de um coletivo que acredita na força transformadora da educação”, afirmou.
A pró-reitora de Ensino do IFSC, Eliana Cristina Bär, reforçou o compromisso institucional com a EJA e a importância do diálogo entre redes e territórios. “Nosso desejo é fortalecer esses espaços de diálogo, a troca de experiências e a construção coletiva, porque esses são pilares centrais e inegociáveis da EJA”, disse, destacando a parceria entre IFSC e IFC na realização do evento.
O reitor do IFC, Rudnei Coque Exter, ressaltou a centralidade da EJA EPT na Rede Federal e a necessidade de ampliar a oferta: “É uma política crucial para que a Rede Federal possa garantir o acesso à educação básica e profissionalizante para públicos historicamente excluídos, promovendo a equalização de oportunidades, o desenvolvimento social e a inserção qualificada no mundo do trabalho”, afirmou.
Homenagem à professora Elenita Eliete de Lima
A cerimônia de abertura contou com uma homenagem póstuma à professora Elenita Eliete de Lima, referência na institucionalização da EJA no IFSC e primeira coordenadora da modalidade na Reitoria. Elenita faleceu em 18 de outubro.
Educação popular e EJA em foco
A palestra de abertura trouxe o professor Alfonso Torres Carrillo, da Universidad Pedagógica Nacional da Colômbia, para discutir como a educação popular latino-americana dialoga com a EJA integrada à educação profissional e tecnológica. O palestrante ressaltou o pertencimento regional e a agenda comum da América Latina. Segundo ele, pensar EJA e educação popular exige reconhecer um horizonte compartilhado. “ Temos uma história comum, temos algumas pequenas diferenças no contexto, mas somos desde o México até a Patagônia, um só continente que compartilha problemas, compartilha sonhos, compartilha futuros”, disse.
Ao abordar fundamentos, Torres Carrillo destacou que a educação expressa desigualdades — e também pode superá-las. “A educação, ao mesmo tempo em que expressa as injustiças e as desigualdades que há na sociedade, também é um lugar de construção de justiça e de transformação social”, refletiu. Para confirmar esse ponto, recuperou a tradição latino-americana e o legado do educador Paulo Freire, defendendo a educação como prática crítica e emancipadora no cotidiano escolar e nos territórios.
Carrillo reforçou que nem toda iniciativa com públicos em vulnerabilidade é, por si, educação popular. “Só entenderíamos por educação popular aquelas práticas que têm esse sentido crítico e, por sua vez, transformador”, explicou. Como princípio pedagógico, acrescentou que a educação popular pode ocorrer dentro e fora das instituições formais, com diálogo, participação e construção coletiva do conhecimento.
Ao tratar de valores e vínculos, o palestrante retomou a centralidade do afeto no processo formativo. De acordo com o professor, esse enfoque amplia o cuidado com as dimensões culturais, emocionais e corporais e fortalece o pertencimento comunitário nos espaços educativos.
Por fim, ele situou o momento atual como oportunidade de renovação das práticas pedagógicas e de cooperação regional. “A educação popular é também um projeto pedagógico em construção aberta”, disse. A partir dessa perspectiva, defendeu que as redes federais e os coletivos de EJA sigam articulando teoria e prática, pesquisa e território, para consolidar políticas inclusivas e transformadoras em toda a América Latina.
Assista à gavação da cerimônia de abertua e da palestra do professor Alfonso:
Programação
Até quinta-feira, a programação do encontro conta com mesas de debate, apresentação de experiências, atividades formativas e espaços de articulação entre gestores, docentes, estudantes e movimentos sociais. Parte das atividades está sendo transmitida pelo canal do IFSC no YouTube.
Confira o que será transmitido ao vivo do encontro