Estudante jaraguaense destaca incentivo às mulheres na ciência durante intercâmbio em Portugal

ENSINO Data de Publicação: 23 out 2025 19:25 Data de Atualização: 24 out 2025 10:26

Gabriele Camile Albino, da Licenciatura em Física do Câmpus Jaraguá do Sul-Centro, foi uma das quatro pessoas selecionadas em Jaraguá do Sul para o Propicie em 2025 e, nesta publicação, compartilha sua experiência após as primeiras semanas de vivcência internacional.

Explorar oportunidades, mergulhar no conhecimento e iniciar cedo na pesquisa científica. Foi com essa mentalidade que a estudante Gabriele Camile Albino, do curso superior de Licenciatura em Física do Câmpus Jaraguá do Sul-Centro, embarcou para Portugal para um intercâmbio de cinco meses pelo Programa de Cooperação Internacional para estudantes do IFSC (Propicie). Ela integra o grupo de quatro estudantes do câmpus aprovados no último processo seletivo do programa e que estão em terras lusitanas desenvolvendo projetos de pesquisa.

A estudante de licenciatura estava na terceira fase do curso antes de embarcar, em setembro, para o Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC), no câmpus da Escola Superior de Educação (ESE). A previsão de retorno ao Brasil é em fevereiro de 2026. Esta é a primeira vez que Gabriele viaja para fora do país.

Mulheres na ciência e orgulho familiar

Uma das razões que levaram Gabriele a buscar o intercâmbio foi o incentivo à participação feminina na pesquisa. “Esse é um objetivo muito importante. Fico feliz de fazer parte de uma iniciação à pesquisa encarando uma sociedade onde as mulheres ainda não têm a merecida visibilidade nos meios acadêmicos e científicos”, destaca.

A inspiração da estudante vem de exemplos reais. “Ver o trabalho de mulheres cientistas pesquisando mundo afora me inspirou desde sempre. Quando você percebe que há mulheres bem-sucedidas nos meios acadêmicos, acabam se reduzindo as barreiras psicológicas do tipo ‘eu não vou conseguir’. Historicamente, a ciência sempre foi vista como um campo masculino. Por isso a visibilidade de mulheres na ciência ajuda a desconstruir esse estereótipo e mostra que competência e curiosidade científica não possuem gênero”, defende.

Além disso, a jornada acadêmica de Gabriele carrega um significado familiar profundo. “Serei a primeira neta da minha avó a se formar numa graduação e, agora, a primeira da família a sair do país para estudar. Meus pais nunca saíram do país e sinto que eles estão muito orgulhosos de me verem ainda nova saindo de casa para ir atrás dos meus estudos”, relata. “O sonho da Gabi pequena era conhecer o mundo, e nessa oportunidade vi a chance de trazer orgulho para minha família e criar pontes para um futuro próspero”, conta.

Física: a ciência mais humana

No IPVC, Gabriele está envolvida no projeto de pesquisa “Produção textual e metalinguística”. A escolha por um projeto aparentemente distinto da Física foi intencional e reflete sua visão sobre a própria área. “Muitos me perguntaram: ‘Por quê? Você faz Física, nem é de humanas…’ Então respondo a todos que a Física é a ciência mais humana que existe”, afirma.

A estudante aprofunda a reflexão: “Desde que entrei na graduação, vejo a importância não só de aprender a física, mas de ser um humano capaz de compreender os meios de ensinar ela. Embora a física seja, por definição, uma ciência da natureza, ela nasce da curiosidade de entender. A gente não estuda apenas o mundo, mas também revela o olhar humano sobre ele. Há uma sede de sentido, de compreender quem somos diante do todo. Querer repassar essa linguagem é também um gesto humano de admiração à luta dos profissionais da educação”, explica.

Ela conta que, inicialmente, a equipe coordenadora em Portugal estranhou sua formação. “Quando cheguei aqui, meus coordenadores se surpreenderam por eu ser da área da física e vir pesquisar algo voltado para pedagogia e letras. Então enfrentei um pouco de dificuldade no primeiro contato. Mas agora está fluindo. E meu coordenador [professor] Luiz Arthury, do IFSC em Jaraguá, sempre me ajudou e acalmou também”, lembra.

Vivência internacional e coletividade

A experiência de morar sozinha e em outro país é nova para Gabriele, que é de Jaraguá do Sul e sempre morou com os pais. “Além de morar sozinha, é em outro lugar do mundo! Preciso fazer compras, lidar com dinheiro e contas… Mas está sendo uma ótima oportunidade para meu desenvolvimento com estas questões”, avalia.

Ela não está sozinha nessa aventura. “Estou numa residência onde há outros estudantes portugueses. Mas também vim pra cá junto com a Bárbara, estudante do IFSC de Canoinhas, e temos nos dado muito bem. Ela já é como família!”, aponta, enfatizando o senso de coletividade.

O intercâmbio de Gabriele é custeado integralmente pelo IFSC. “A minha bolsa cobre a totalidade de despesas para minha estadia aqui, como residência, alimentação e transporte. Cuiando direitinho vou conseguir ainda viajar para outros países”, espera.

Essa forma de se organizar permitiu que a estudante já começasse a explorar a região. “Já demos umas voltinhas... Além de conhecer Viana do Castelo, fomos ao Porto e já temos passagem comprada para Itália no período de recesso de Natal do IPVC”, conta. Os planos durante o intercâmbio também incluem ingressar no time de vôlei da universidade e visitar grupos escoteiros da região – Gabriele é escoteira há 11 anos e faz parte do Grupo Escoteiro Jacoritaba de Jaraguá do Sul.

Futuro e incentivo a outros estudantes

Apesar de ainda estar no início da experiência, Gabriele já vislumbra um futuro internacional. “Afirmo com toda certeza que depois dessa experiência eu gostaria muito de expandir meus estudos a um possível mestrado ou doutorado fora do país”, planeja.

Ela também faz questão de incentivar outros estudantes do IFSC a participarem de oportunidades como o Propicie. “Faço um convite aos alunos que se interessam pela pesquisa no exterior: candidatem-se ao Propicie. É sem dúvida uma experiência que vale muito ser vivida. Não é apenas sobre um bom currículo acadêmico, mas sobre memórias e conexões que vão te acompanhar pelo resto da vida”, resume.

A estudante continua dedicada a projetos iniciados no Brasil. “Estou trabalhando para buscar dados e abranger conteúdos num projeto já iniciado na graduação, o ‘Desafios para inclusão e o ensino de astronomia para estudantes cegos’, onde buscarei dados sobre a educação inclusiva em Portugal que possam contribuir para a aplicação da minha pesquisa quando voltar para o Brasil”, projeta.

Além disso, Gabriele também reconhece o apoio recebido dos docentes do Câmpus Jaraguá do Sul-Centro. “Gostaria de fazer um agradecimento a meus professores da graduação, que não só são excelentes professores, mas são as pessoas mais humanas que já conheci. O estudo de cada um é transmitido de uma maneira que inspira, foi de fato um incentivo para eu estar aqui agora e de querer aprender para um dia ensinar”, destaca.

A previsão de formatura de Gabriele, que era para 2028/2, sofrerá um atraso de um semestre devido ao intercâmbio.

Esta é a quarta e última reportagem de uma série que apresenta os estudantes do Câmpus Jaraguá do Sul-Centro aprovados no Propicie em 2025. Além de Gabriele, também estão na Europa as estudantes Júlia Rafaela Hanauer e Letícia Floriani Rodrigues, do curso técnico integrado em Química, e o estudante Lucas Felipe Reus Rieger, do curso técnico integrado em Modelagem do Vestuário. Os quatro representantes do câmpus fazem o intercâmbio em Portugal.

A nova edição do Propicie está com inscrições abertas até o dia 26 de outubro! Para saber mais sobre as oportunidades existentes, acesse o edital do programa disponível no site do IFSC.

 

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