IFSC cria equipe de Baja em Jaraguá do Sul

ENSINO Data de Publicação: 25 set 2026 10:40 Data de Atualização: 25 set 2026 11:00

Com o nome de "Puma do Vale", a iniciativa reúne dez estudantes de Engenharia Mecânica e a professora Vanessa Hopner, com meta de colocar o protótipo para rodar até setembro de 2027.

O Câmpus Jaraguá do Sul-Rau do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) tem, pela primeira vez, uma equipe dedicada à construção de um carro Baja. O projeto nasceu no primeiro semestre deste ano por iniciativa de estudantes de Engenharia Mecânica e hoje reúne dez alunos, sob orientação da professora Vanessa Hopner, com o objetivo de projetar, construir e levar o protótipo a competições regionais e nacionais.

O Baja é um veículo off-road experimental, construído por equipes estudantis para disputar competições específicas. Desse modo, é um veículo que não pode circular em vias públicas. Cada equipe projeta e monta seu próprio protótipo seguindo um regulamento técnico disponibilizado pela SAE Brasil, que trata desde o tipo de motor até os itens de segurança do carro.

O início

A ideia de criar uma equipe de Baja no câmpus partiu do estudante Giovane Miranda Zavataro, que tem 20 anos e cursa a segunda fase de Engenharia Mecânica. Ele já havia tentado organizar um grupo em 2025, quando ingressou no IFSC. Porém, a primeira tentativa não obteve sucesso. Neste ano ele retomou o projeto ao perceber, durante uma dinâmica de integração da turma organizada pela Coordenadoria Pedagógica, o interesse de colegas por automobilismo e rali. "Conversei com a pedagoga, convidei a professora Vanessa para orientar e decidimos criar o projeto do carro Baja", conta o estudante.

Vanessa Hopner, que já atuava como professora de Cálculo e Geometria Analítica da turma, assumiu a orientação mesmo sem formação técnica na área. "Eu não entendo da parte técnica de construir um carro, mas decidi encarar isso como um projeto em que eu ajudaria a buscar recursos e eles iriam atrás de professores para apoiar na parte técnica da construção", explica a orientadora.

As primeiras reuniões da equipe aconteceram em maio deste ano. Durante cerca de dois meses os integrantes estudaram o regulamento da SAE Brasil, entidade responsável pelas competições de Baja no país. "Como se trata de uma equipe de competição, a primeira atividade que dei para eles foi ler o regulamento de ponta a ponta, para saber o que podiam usar: que tipo de barra, de motor, de segurança", relata Vanessa.

Além disso, fez parte da etapa de preparação a troca de experiências com outras equipes de Baja: foi realizada uma visita à equipe da UFSC de Joinville, com a qual houve um diálogo sobre metodologia de trabalho e dúvidas técnicas, e uma reunião on-line com a equipe da UTFPR de Cornélio Procópio (PR).

Custos e cronograma

Atualmente a equipe está dividida em duas frentes: sete estudantes se dedicam ao projeto técnico, desenhando o carro conforme as medidas e exigências da competição, enquanto outros três alunos e a professora Vanessa cuidam da articulação institucional e da busca por parcerias e patrocínios. 

Segundo estimativas feitas pela equipe do Câmpus Jaraguá do Sul-Rau, construir o protótipo custará, aproximadamente, R$ 80 mil. Porém, como é preciso considerar o valor das taxas de inscrição nas etapas competitivas de Baja (cerca de R$ 3,5 mil cada), atualizações dos valores dos materiais e despesas com transporte e hospedagem da equipe para as competições, o valor total buscado para chega a R$ 120 mil.

Para viabilizar o projeto, a equipe já iniciou articulações institucionais, entre elas uma parceria em Jaraguá do Sul com a Associação Autos e Clássicos do Vale, que realizará uma exposição de carros antigos no IFSC em fevereiro de 2027, além de contatos com assessorias de políticos locais. A principal fonte de recursos, porém, deve vir de patrocínios privados, mas o formato de parceria ainda está sendo elaborado pela equipe.

O cronograma da equipe prevê bastante dedicação tanto à parte técnica quanto à captação de recursos, com a meta de ter o carro construído até setembro de 2027 para os primeiros testes. Em novembro de 2027, a equipe espera disputar a etapa sul-brasileira da competição, com o objetivo de avançar à etapa nacional em março de 2028. "O objetivo, na verdade, é o carro ligar, andar e todo mundo conseguir dirigir um pouquinho", brinca Vanessa, que ainda neste ano pretende ir com a equipe a Criciúma para acompanhar a etapa regional como observadores.

Além da engenharia

Para Giovane, a participação na equipe de Baja vai além do desafio técnico envolvido com a construção do carro. "A gente já saiu várias vezes para conversar sobre o Baja, e isso acabou atraindo pessoas de outras fases, criando amizades e aproximando a gente dos professores, que sempre perguntam como está o andamento", conta o estudante, que sonha em criar um carro desde a infância.

Além de Giovane Miranda Zavataro, integram a equipe os estudantes da 2ª fase de Engenharia Mecânica Pedro Gabriel Reis da Silva, Gustavo Cinigalha Tonche, Lucas Brendo da Silva Meira, Pedro Henrique de Souza Ortiz, João Pedro das Neves Duarte, João Vitor Karoleski Chupel e Giovanni Pantarotto Cestari, o estudante da 6ª fase Davi Bell Marson e o professor Eduardo Cardoso Castaldo, que atua como voluntário. A coordenação da equipe é da professora Vanessa Hopner.

A iniciativa está registrada como Projeto de Ensino no IFSC; a expectativa, porém, é que a ampliação das ações do grupo junto à comunidade faça com que o projeto seja reconhecido como ligado à Extensão a partir do próximo ano. Siga o perfil da equipe no Instagram (clique aqui).

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