EVENTOS Data de Publicação: 04 nov 2025 16:22 Data de Atualização: 04 nov 2025 17:01
A relação entre economia solidária e a educação de jovens e adultos (EJA) foi tema de palestra no 8º Encontro Nacional da Educação de Jovens e Adultos articulada com a Educação Profissional e Tecnológica (EJA-EPT), realizado no Câmpus Florianópolis-Continente do IFSC. Professora no Câmpus Viamão do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), Josiane Roberta Krebs abordou conceitos relacionados à economia solidária, contou sua experiência com as ações de extensão junto a um assentamento de trabalhadores rurais e em um grupo de estudos de agroecologia.
Josiane coordena a especialização em Agroecologia no Câmpus Viamão do IFRS, na região metropolitana de Porto Alegre. Ela desenvolve ações de extensão junto ao Assentamento Filhos de Sepé, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), também localizado em Viamão, e faz parte do Grupo de Estudos em Agroecologia do IFRS. Integra, ainda, a Rede IF EcoSol, que ela define como um “coletivo de servidores que tentam colocar a economia solidária na agenda da Rede Federal [de Educação Profissional, Científica e Tecnológica]”.
A professora do IFRS explicou que a economia solidária está “vinculada a um projeto de sociedade mais justa”. Ela ocorre de maneira coletiva, como, por exemplo (mas não exclusivamente), em cooperativas. “O trabalho na economia solidária é sempre coletivo, é associado. A gente não faz economia solidária sozinho. Todos são corresponsáveis pelo empreendimento”, detalhou. Outra característica da economia solidária, conforme explicou Josiane, é a atuação em rede entre os diferentes empreendimentos.
A economia solidária surge como uma alternativa que os institutos federais podem apresentar aos estudantes da educação de jovens e adultos, uma vez que a chamada “mortalidade de empresas” (expressão usada na área da administração, da qual Josiane é professora) no Brasil é relativamente alta. De acordo com dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) apresentados por Josiane, 17% dos pequenos negócios em nosso país fecham em até 5 anos. E, desses, 59% foram criados por pessoas desempregadas. “É o empreendedorismo por necessidade”, ressaltou.
No final de sua palestra, a professora do IFRS trouxe uma reflexão sobre como os institutos federais podem fomentar a economia solidária na EJA. Ela destacou sete iniciativas importantes para que isso ocorra:
- estar nos territórios e nas comunidades, construindo relações com movimentos sociais;
- conhecer a organização da economia popular e solidária local;
- curricularizar a economia popular e solidária;
- construir processos formativos com os trabalhadores-estudantes;
- criar vivências práticas no trabalho associado e autogestionário;
- envolver trabalhadores-estudantes da EJA em ações de extensão;
- criar espaços formativos que apoiem a organização de trabalhadoras e trabalhadores, com foco em geração de trabalho e renda, e na constituição de empreendimentos econômicos solidários (como incubadoras). Exemplos: cozinhas solidárias, hortas comunitárias, feiras, clubes de troca e bancos comunitários.
A palestra de Josiane Krebs foi transmitida ao vivo e está disponível na íntegra no canal do IFSC no YouTube.
O 8º Encontro Nacional da EJA-EPT vai até quinta-feira, dia 6. O evento é organizado pelo IFSC e pelo Instituto Federal Catarinense (IFC), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).