Projeto Mexendo a Cuca vence Prêmio de Inovação de Joinville

INOVAÇÃO Data de Publicação: 09 set 2019 10:47 Data de Atualização: 09 set 2019 11:26

O projeto “Oficina de Integração Mexendo a Cuca: Saúde Mental, Gastronomia, Matemática e Cidadania”, desenvolvido pelo técnico-administrativo do Câmpus Joinville, Raphael Henrique Travia, obteve o primeiro lugar no 6º Prêmio de Inovação de Joinville, categoria Academia. O concurso é uma iniciativa do Conselho Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação (Comciti), uma instância de participação do Município de Joinville, responsável por ações e políticas públicas de desenvolvimento técnico-científico do qual o IFSC é um dos integrantes.

A entrega da premiação aconteceu no encerramento da ExpoInovação 2019, evento realizado semana passada, nos dias 3 e 4 de setembro, que reuniu cerca de três mil pessoas para debater inovação na educação e investimentos na área de tecnologia e negócios, por meio de palestras, workshops e fóruns de discussão. O concurso, que teve 51 projetos inscritos e 15 selecionados para apresentação, premiou os três mais relevantes de cada categoria: academia, comunidade e empresa.

“A iniciativa prova que a tecnologia em saúde também está ligada à criatividade, humanização e afetividade, sendo uma tecnologia leve e de fácil reaplicação”, comemora Raphael, que executou o projeto no Serviço Organizado de Inclusão Social (Sois), ponto integrante da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). Ele acredita que os aspectos inovadores de seu projeto estejam ligados à sustentabilidade das ações, possibilidade de continuidade e à articulação entre as instituições envolvidas.

Feliz com o resultado, Raphael destaca que a conquista também é uma forma de valorização da escola pública e dos servidores públicos. “A educação passa por um período complicado. Então, é importante mostrar que aqui se faz pesquisa e se trabalha inovação humana. Também é importante trabalhar a quebra de preconceitos na área de saúde mental”, destaca.

Formado no curso de tecnologia em Gestão Hospitalar do Câmpus Joinville, Raphael desenvolveu o projeto como trabalho de conclusão de curso de especialização em Educação Profissional Integrada à Educação Básica na Modalidade EJA (Proeja), ofertado pelo Centro de Referência em Formação e EaD (Cerfead) do IFSC no Câmpus Canoinhas, onde trabalhava anteriormente. O projeto de intervenção foi orientado pela professora Marizete Bortolanza Spessatto.

No ano passado, o projeto foi um dos 31 finalistas do Laboratório de Inovações em Educação na Saúde, iniciativa do Ministério da Saúde e da Organização Pan-Americana de Saúde com o objetivo de identificar, valorizar e dar visibilidade às experiências inovadoras no âmbito da educação permanente em saúde.

Mexendo a cuca

Quando planejou a “Oficina de Integração Mexendo a Cuca: Saúde Mental, Gastronomia, Matemática e Cidadania”, Raphael levou em conta uma dúvida bastante ampla: será que as políticas públicas de saúde e educação atuais são suficientes para promover a inclusão de indivíduos que convivem com o sofrimento psíquico? Ao usar os conceitos da Educação Matemática Crítica para preparar as atividades, ele quis trabalhar a matemática para o cotidiano, que casa com atividades práticas da terapia ocupacional. “As aulas têm um significado maior quando os alunos veem que conseguem fazer”, destaca.

O pesquisador trabalhou em parceria com a professora Nadia Nair da Costa Peres e terapeutas ocupacionais do Sois com uma turma de alfabetização de educação de jovens e adultos (EJA). O projeto foi dividido em seis fases: seleção de uma receita culinária, redação da receita, confecção de lista de compras, visita ao supermercado para compra dos ingredientes, preparo das receitas e partilha dos pratos. Conforme Raphael, em todas as etapas do processo, os integrantes da turma foram estimulados a pensar sobre o uso racional dos recursos financeiros e a buscar sua autonomia, superando a condição de “doente”.

“Minha experiência traz a inovação ao desenvolver a autonomia das pessoas em sofrimento psíquico, buscando estratégias para elevar sua escolaridade, uma vez que o sujeito alfabetizado pode ler e entender sua receita, fugindo da dependência de se guiar apenas por esquemas de cores e figuras”, justifica.

Vencedores do Prêmio de Inovação de Joinville 2019

Categoria Academia

1º Lugar: Oficina de Integração Mexendo a Cuca: Saúde Mental, Gastronomia, Matemática e Cidadania - Raphael Henrique Travia

2º lugar: O processo de decapagem de ABS cromado - Isabel Narloch Cardoso, Ana Paula Kurek, Luana Orlandi de Aguiar, Giulia Herbst e Noeli Sellin

3º lugar: Desenvolvimento de prato comestível e biodegradável a base de celulose bacteriana - Rafaela Vargas Oliveira, Andrea Lima dos Santos Schneider, Ana Paula Kurek, Marcia Luciane Lange Silveira e Ana Paula Testa Pezzin

Categoria Comunidade

1º Lugar: Profissionais do século XXI: método ONAMUH de reconhecimento das soft skills dos indivíduos e formação de equipes para a inovação - Fernanda do Nascimento Stafford, Debora Barauna, Marina Zambonato Farina, Roberta Noroschny e Carine Cardoso dos Santos

2º Lugar: Joinville cidade das flores, jardins drenantes: conceito multifuncional da paisagem (O artigo 2º do Decreto Municipal de Joinville número 33.767-2019) - Adilson Gorniack, Schirlene Chegatti, Edilane Pacheco, Pasquali, Pedro Alacon e Regis Antônio Konzen Heitling

3º Lugar: Budfit - o seu parceiro a qualquer instante e em qualquer lugar - Marcos Stumpf e Wallace Sena Souza

Categoria Empresa

1º Lugar: Curativos que mimetizam a matriz dérmica para regeneração e proteção das lesões provocadas por queimaduras - Marcia Adriana Tomaz Duarte, Daniel Kohls, Eliana Aparecida de Rezende Duek, Stephane e Alexsander

2º Lugar: Birdhouse, a solução portátil plug'n play para a indústria alimentícia - Gilberto Donizeti de Souza Melo, Maicon Jarschel e Adriano Ronzoni

3º Lugar: A Ciência de dados em ação na assistência à saúde na jornada do paciente - Alex Meinchein, Cleiton dos Santos Garcia, Gilberto Aleces dos Santos e Edson Emílio Scalabrin

INOVAÇÃO CÂMPUS JOINVILLE NEWS