EVENTOS Data de Publicação: 04 nov 2025 20:06 Data de Atualização: 04 nov 2025 21:06
A terça-feira, dia 4 de novembro, foi de intensa programação no VIII Encontro Nacional da EJA-EPT (Proeja) da Rede Federal, que segue até quinta-feira, dia 6, no Câmpus Florianópolis-Continente do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC). Promovido em parceria com o Instituto Federal Catarinense (IFC), o evento reúne docentes, técnicos-administrativos, estudantes e pesquisadores de todo o país para discutir experiências e desafios da Educação de Jovens e Adultos integrada à Educação Profissional e Tecnológica (EJA-EPT).
Com o tema central Formação de jovens e adultos trabalhadores: currículo, emancipação e transformação social, o Encontro tem se consolidado como um espaço colaborativo de trocas, articulação e defesa da EJA-EPT como política pública essencial para a democratização da educação e o fortalecimento da formação humana integral. A tarde desta terça foi marcada por momentos de reflexão e socialização de práticas pedagógicas inspiradoras.
Pedagogia da Alternância e experiências curriculares
As atividades começaram com a palestra e mesa-redonda Pedagogia(s) da Alternância e Experiências Curriculares na EJA-EPT (Proeja), conduzida pelo professor João Paulo Reis Costa, da Escola Família Agrícola de Santa Cruz do Sul (Efasc), do Rio Grande do Sul. João Paulo atua há 16 anos em uma experiência pioneira no Sul do país, que aplica a pedagogia da alternância ao ensino médio técnico em agropecuária.
Em sua fala, o professor destacou a pedagogia da alternância como "um instrumento de resistência, vivência e emancipação dos povos do campo", ao promover uma formação contextualizada e integrada entre teoria e prática. "Qual o nosso maior desafio na educação? Como pensar uma educação popular, emancipadora e libertadora em um país em que a educação foi, historicamente, um instrumento de legitimação das relações de poder?", provocou o palestrante.
Segundo ele, a pedagogia da alternância rompe com o modelo tradicional de educação rural ao criar novas possibilidades de emancipação para jovens agricultores familiares, que passam a atuar como técnicos, empreendedores e pesquisadores, fortalecendo o desenvolvimento sustentável das comunidades rurais.
A mesa foi mediada pela professora Amanda Tavares Naves, do Instituto Federal do Paraná (IFPR). Ela ressaltou que, nessa proposta pedagógica, o currículo não se limita à escola: "Há uma alternância de tempos pedagógicos – o tempo escola e o tempo comunidade. O processo de aprendizagem está para além da sala de aula, e seus princípios se manifestam no diálogo de saberes e na construção de um currículo de fora para dentro", afirmou.
Para Amanda, a alternância é um processo de aprendizagem que nasce do envolvimento da comunidade com a escola. "A alternância existe porque a comunidade entende que a escola existe. É um processo educativo orgânico e implicado nas demandas da sociedade", destacou.
Assista à integra da mesa-redonda desta terça-feira:
Lançamento de livros: produção de conhecimento na EJA
Em seguida, o público participou de um momento literário e cultural com o lançamento coletivo de obras dedicadas à EJA-EPT. A apresentação dos títulos foi conduzida pela professora do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), Ana Lúcia Sarmento Henrique. Ela destacou que os livros lançados são fruto de um esforço coletivo para registrar e valorizar as experiências pedagógicas e de pesquisa desenvolvidas nos Institutos Federais e contribuem para socializar a produção acadêmica sobre o tema.
Confira a lista das obras lançadas no Encontro:
- Escrevivências na EJA (coletânea com quatro volumes);
- Comunidades de Aprendizagem da EJA-EPT: vivências e experiências exitosas dos Colégios Técnicos da UFPI;
- Lugar de mulher é no Proeja também! Um estudo sobre evasão e permanência no CPII - Campus Centro;
- Escritores em construção – Cada pessoa é um universo: histórias contadas por estudantes do Instituto Federal Sul-Rio-Grandense;
- Comunidades de aprendizagem na EJA-EPT: fundamentos nos contextos da prática.
O lançamento foi seguido por uma sessão de autógrafos e um momento cultural com a banda Os Mitocôndrios, formada por professores do Câmpus São José com experiência em cursos da EJA.
Relatos de experiências: práticas pedagógicas e histórias de vida
A última parte da programação foi dedicada às sessões simultâneas de relatos de experiências, realizadas em diferentes salas temáticas. Docentes, técnicos e estudantes apresentaram trabalhos divididos em alguns eixos, como: Acesso, Permanência e Êxito na EJA-EPT; Estudantes da EJA-EPT; Metodologias e Materiais Didáticos para a EJA-EPT.
Nas salas dedicadas à permanência e êxito, as apresentações abordaram práticas de acolhimento, gestão humanizada e busca ativa de estudantes. No eixo dos Estudantes da EJA-EPT, as narrativas de vida foram o destaque. Histórias de superação, diversidade e identidade revelaram o protagonismo dos sujeitos da EJA.
Já as sessões sobre metodologias e materiais didáticos apresentaram práticas inovadoras e criativas. Um dos destaques foi o relato de Clayton Silva Mendes, pró-reitor do Instituto Federal do Sul de Minas (IFSULDEMINAS), intitulado Construção de materiais didáticos para a EJA-EPT no sistema prisional. O projeto desenvolveu materiais pedagógicos específicos e contextualizados para cursos de Formação Inicial e Continuada (FIC) oferecidos a pessoas privadas de liberdade em Minas Gerais e São Paulo.
A iniciativa, realizada em parceria com a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão do Ministério da Educação (Secadi/MEC), envolveu a criação de onze cadernos físicos e digitais, organizados em torno de três dimensões: habilidades para o mundo do trabalho, projeto de vida e formação profissional específica – esta última contemplou os conteúdos técnicos de cursos como almoxarife, pintor, padeiro, pedreiro, eletricista e vendedor, que totalizaram 160 a 240 horas de formação em uma duração aproximada de quatro meses.
Segundo Clayton, o objetivo foi articular teoria e prática, valorizar os saberes prévios dos estudantes e oferecer formação profissional de qualidade, com vistas à reinserção social. “Os resultados mostraram impactos significativos na autoestima e na motivação dos participantes. A certificação representa não apenas uma conquista acadêmica, mas a possibilidade de ressignificação de trajetórias de vida”, concluiu.
Programação
Até quinta-feira, a programação do encontro conta com mesas de debate, apresentação de experiências, atividades formativas e espaços de articulação entre gestores, docentes, estudantes e movimentos sociais. Parte das atividades está sendo transmitida pelo canal do IFSC no YouTube.
Confira o que será transmitido ao vivo do encontro