EVENTOS Data de Publicação: 09 abr 2026 16:44 Data de Atualização: 10 abr 2026 15:25
No IFSC a sala de aula vai muito além da formação técnica. Com o objetivo de promover a conscientização e a construção de uma sociedade mais igualitária, o Câmpus Florianópolis do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) promoveu nesta quinta-feira (9) uma palestra sobre Violência Digital e Violência contra a Mulher voltada aos alunos das primeiras fases dos cursos técnicos integrados ao Ensino Médio. A atividade, organizada pela Coordenadoria Pedagógica, faz parte das ações alusivas ao 7 de abril, Dia de Combate ao Bullying e Violências nas Escolas.
O encontro, realizado no auditório do câmpus, foi conduzido pela desembargadora Hildemar Meneguzzi de Carvalho, do CEVID (Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar) do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC). Durante a conversa, foram abordados os aspectos legais que protegem as mulheres, além dos perigos do ambiente virtual, como o cyberbullying e os riscos ocultos da internet.
Para a desembargadora, a presença do Judiciário nas escolas é uma ferramenta fundamental de prevenção. "Acreditamos que é através da educação que nós podemos ir melhorando a nossa sociedade. É através de conhecimento e de capacitação que o ser humano pode ir melhorando cada vez mais para que a gente tenha uma sociedade mais justa, mais igualitária, com mais dignidade, mais respeito", destacou Hildemar.
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O papel dos homens na luta pela igualdade
Um dos pontos centrais do debate foi a responsabilidade masculina no enfrentamento à violência de gênero. Em um ambiente escolar diverso e com cursos historicamente ocupados por maioria masculina, a reflexão sobre respeito tornou-se urgente. "Os homens têm que ser os nossos principais parceiros nessa jornada por busca de igualdade. Se nós não tivermos eles como aliados, a nossa jornada vai ficar infrutífera. Nós precisamos do apoio masculino, porque nós não somos contra os homens. Nós só queremos ser tratadas com respeito", alertou a desembargadora.
A mensagem foi bem recebida pelos estudantes. Caio Alexandre Rabelo dos Santos, aluno da 6ª fase do Técnico em Química, reforçou a importância do engajamento coletivo. "Eu tenho muitas amigas mulheres, então nem sequer passa na minha cabeça essa questão de ‘eu sou homem e eu não devo participar dessa luta’, porque não é uma luta minha. É uma luta humana, não é uma luta exclusivamente das mulheres", afirmou Caio, destacando que as informações da palestra dialogaram diretamente com conteúdos já discutidos em disciplinas como Sociologia.
Para Isadora Camila Paggi Daros, aluna da 1ª fase do Técnico em Mecatrônica, a conscientização dos jovens é essencial, especialmente em turmas onde as mulheres são minoria. "Na minha sala, a gente é só em três meninas. É muito importante que os homens mesmo tomem consciência, porque na maioria das vezes vai ser muito mais fácil a palavra deles ser ouvida do que a palavra de uma mulher", observou Isadora. Ela completa destacando a importância da temática ser trabalhada. “É muito importante a gente espalhar informação e fazer que as pessoas tomem consciência sobre assuntos como abuso, cyberbullying e tudo mais que acontece hoje na internet”, complementa.
Formação além do currículo técnico
A atividade reflete a preocupação do IFSC em integrar a pauta dos Direitos Humanos ao currículo, somando esforços para desconstruir preconceitos. Segundo a pedagoga Thaís Guedes, da Coordenadoria Pedagógica do câmpus, a demanda por esses eventos surge de um olhar crítico para a realidade catarinense e brasileira, com índices crescentes de violência atingindo públicos cada vez mais jovens. "A pauta é complexa, muito arraigada na nossa cultura. Nós, como escola, temos o papel fundamental de ajudá-los a pensar criticamente aquilo que a gente está vivendo para transformar. A gente tem esse benefício do IFSC Câmpus Florianópolis de ter uma pluralidade de iniciativas que permitem ao nosso estudante, para além de ser aquele que vai aprender uma profissão, conseguir também compreender as relações por trás daquilo que a gente vê", explicou Thaís.
A pedagoga ressaltou ainda que o impacto dessa formação é visível ao longo da trajetória dos estudantes, que chegam às formaturas com uma visão crítica e problematizadora da realidade. "Eles criticam o modo como a sociedade está hoje, desigual, que exaure o meio ambiente, uma sociedade que é muito violenta. Isso dá um grande senso de missão cumprida de que a gente tá conseguindo ampliar o horizonte deles", concluiu.