EXTENSÃO Data de Publicação: 08 abr 2026 16:02 Data de Atualização: 08 abr 2026 16:21
O projeto Conexão SI, desenvolvido no Câmpus Caçador do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), conquistou a chancela como projeto parceiro do Programa Meninas Digitais, iniciativa da Sociedade Brasileira de Computação (SBC) voltada ao incentivo da presença de meninas e mulheres nas áreas de Computação e Tecnologia. A iniciativa busca fortalecer o sentimento de pertencimento entre as estudantes do curso de Sistemas de Informação, por meio da construção de um ambiente de acolhimento, aliado ao estímulo à formação acadêmica e à inserção em eventos científicos.
A proposta também amplia a visibilidade da participação feminina no campo tecnológico ao evidenciar trajetórias e possibilidades na área. As atividades articulam ensino, pesquisa e extensão, com atuação tanto no ensino superior quanto no ensino médio integrado em Informática. A meta é consolidar-se no Meio-Oeste e Oeste catarinenses, regiões ainda carentes de iniciativas desse tipo.
De acordo com a coordenadora do projeto, professora Taynara Cerigueli Dutra, a chancela da SBC insere o grupo em uma rede nacional e fortalece sua atuação. “Esse reconhecimento nos permite participar dos eventos organizados pelo Programa, como o Women In Information Technology (WIT), que é um evento satélite do Congresso da Sociedade Brasileira de Computação – maior congresso brasileiro de computação –, e eventos regionais, como o Workshop Meninas Digitais, que esse ano irá ocorrer em Florianópolis, no evento Computer on the Beach. Na ocasião, inclusive, teremos representantes do grupo participando e apresentando trabalhos”, destaca.
Criado em 2025, o Conexão SI teve origem em uma ação alusiva ao Dia Internacional da Mulher, organizada pelas professoras Taynara Dutra e Adriana Zanini. Inicialmente, o objetivo era apresentar referências femininas na história da tecnologia como forma de incentivar a permanência das estudantes no curso. Ao longo do ano, a proposta evoluiu e se consolidou como um espaço contínuo de apoio, troca de experiências e fortalecimento do vínculo entre as alunas, com a realização de encontros periódicos.
“Durante os encontros, elaboramos ideias de ações que envolveram o desenvolvimento de jogos desplugados, o incentivo à escrita acadêmica e à participação em eventos. Além da promoção de dinâmicas lúdicas e divertidas para fomentar a integração entre as estudantes das diferentes fases do curso de Sistemas de Informação”, explica Taynara.
Essas iniciativas já apresentam resultados concretos: jogos compartilhados com a comunidade, apresentação de trabalhos em eventos institucionais, como o Seminário de Ensino, Pesquisa, Extensão e Inovação do IFSC (Sepei), e a confirmação da participação de duas estudantes no Computer on the Beach, com trabalhos classificados entre os melhores banners.
Acolhimento e pertencimento como estratégia contra a evasão
A professora Taynara ressalta que o impacto do projeto vai além da formação acadêmica, contribuindo diretamente para a redução da evasão. Para ela, espaços de acolhimento são essenciais em uma área ainda marcada pela desigualdade de gênero. Nesse contexto, o projeto também promove a integração entre estudantes de diferentes níveis de ensino e encoraja a construção de novas perspectivas profissionais. “É também uma forma para que elas consigam enxergar novos horizontes, visualizando a representatividade feminina na área da tecnologia, seja pelas professoras atuantes no curso ou pela participação nos eventos”, ressalta.
Ao analisar o cenário atual, a docente aponta que a baixa presença feminina ainda é um dos principais desafios do setor. Embora reconheça avanços recentes, ela observa que a transformação da cultura ainda ocorre de maneira gradual. Para Taynara, é fundamental ampliar o debate e combater estereótipos que historicamente direcionam meninas para outras áreas.
“É um cenário que estamos caminhando (ainda em passos lentos) para mudar. As redes sociais têm auxiliado a disseminar mulheres que atuam na TI e compartilham seu dia a dia. Mas essa é uma questão que ainda precisa ser discutida na formação básica das estudantes, pois as meninas tendem a ser direcionadas para áreas de saúde e do cuidado, como se isso fosse algo nato da mulher”, destaca.
Nesse sentido, iniciativas como a do Câmpus Caçador ajudam as estudantes a se reconhecerem como parte desse universo. “Esse é um ponto delicado: aquelas que entram nos cursos de Computação se veem em um ambiente em que são minoria, às vezes únicas. Por isso, é importante que haja instrumentos e ações de fortalecimento, pertencimento e reconhecimento. Esse é o meu propósito do projeto”, afirma a docente.
Com a chancela do Programa Meninas Digitais, o Conexão SI pretende ampliar oportunidades para as participantes, reforçar conexões com outras iniciativas semelhantes no país e expandir seu alcance dentro do próprio IFSC. Os próximos passos do projeto incluem ações para além do ambiente institucional, com parcerias junto à comunidade local e outros câmpus.
O IFSC já conta com outras iniciativas similares, como o Elas Digitais, do Câmpus Gaspar, o Stella, do Câmpus Joinville, e o Meninas Digitais, do Câmpus de Araranguá. Esses projetos buscam realizar ações conjuntas em eventos científicos da instituição, incentivando a presença feminina nas áreas de STEM – sigla em inglês que abrange Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática (Science, Technology, Engineering, Math).
Reconhecimento fortalece inclusão e inspira novas trajetórias
Para o coordenador do curso de Sistemas de Informação do Câmpus Caçador, Eduardo Guedes Villar, o reconhecimento evidencia a qualidade e o compromisso das ações desenvolvidas pelo grupo, além de valorizar o empenho de estudantes e docentes na promoção da inclusão.
“A iniciativa fortalece a democratização do acesso à tecnologia, especialmente para meninas e mulheres, contribuindo para a redução de desigualdades de gênero na área de Computação. Trata-se de um passo importante para atrair novas estudantes, ampliar oportunidades, inspirar trajetórias e consolidar um ambiente mais diverso, inovador e socialmente comprometido no campo da tecnologia”, avalia.
Ao se dirigir às meninas que consideram ingressar na área, a professora Taynara deixa uma mensagem de incentivo: “Não se intimidem por serem minoria neste momento. Estamos em processo de mudança e acredito em um futuro melhor”. Para ela, mesmo pequenas ações têm grande impacto na construção de um cenário mais inclusivo. “Nós, mulheres, podemos ser e atuar na área em que desejarmos; somos todas capazes, basta encararmos e acreditarmos! E é aquela história... se der medo? Vá com medo mesmo!”, aconselha.